quarta-feira, 21 de junho de 2017

Enquanto houver passarinhos, há esperança...







No meio da tragédia, se há coisa que aprendemos é que a vida continua. Ela não pára e nós temos de prosseguir. E no processo, aprendemos (ainda mais) a valorizar o que é importante.
Porque a vida dá-nos lições todos os dias e algumas delas, doces. 
Hoje aconteceu um episódio fantástico na clínica, no meio do negro dos dias que se têm vivido. No momento, pouco depois da hora do almoço, estávamos apenas eu, a colega, o doutor e a paciente. No fim da recepção, consulta, tratamento e pagamento, esta voltou um tempo depois com uma caixa que nos deixou em cima do balcão, com o maior sorriso nos lábios: "Não é por mais nada, apenas pela vossa simpatia." E saiu. Foi lindo!! Eram três pasteis de nata, um para cada um de nós. Oh delícia!
Mas o mais interessante é constactar que, de entre os pacientes que mais se mostram gratos pelo nosso atendimento, a sua gratidão não se deve apenas ao atendimento em si, que sim, prezamos que seja ao nível da excelência, sem excepção, mas pelo mesmo sentimento de gratidão que existe dentro de cada um.
Aqueles que mais nos agradecem a nossa simpatia, são eles próprios os mais simpáticos. Creio que, sem o notarem, apenas vêem em nós a amabilidade que eles próprios trazem e assim fluem estes bons sentimentos de uns para os outros, enchendo os nossos dias e fazendo o nosso trabalho valer a pena. Se nos dizem que com isso lhes damos parte da saúde, talvez me lembre de, para a próxima, lhes dizer que eles são a nossa motivação para ir trabalhar todos os dias!


domingo, 11 de junho de 2017

Bom dia e saudades da chuva










Nada dá certo no tempo errado


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Porque Ele vive





"Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; 
vós, porém, me vereis; 
porque eu vivo, vós também vivereis." 
João 14:19


Não acredito em acasos.
Em mais uma fase difícil da vida, eis que Deus, na Sua simplicidade, me faz ver que eu não estou sozinha. Assim como que por acaso, nesse acaso no qual não acredito, encontro no Pinterest (!) uma citação que remete para esta Palavra. E por isso mesmo, não me sai da cabeça um corinho antigo que costumava cantar na igreja e que diz:

"Porque Ele vive
Posso confiar
Porque Ele vive
Não temerei
Em Suas mãos está o meu futuro
Porque Ele vive
E com Ele eu viverei"

Assim, simples, com uma melodia igualmente simples mas que, cantada com o coração, chega aos céus. 
As fases difíceis parecem não me querer abandonar. Tenho estado a ser posta à prova de uma maneira mais ou menos severa - depende do ponto de vista, claro. Mas sim, saúde debilitada no seio familiar e um emprego quase desemprego, apenas porque somos meros números, mesmo tendo dado a vida para manter as portas abertas de uma casa que precisa de números e foi isso que quisemos manter. Mas agora tudo está a ser posto em causa...
Uma das colegas refere o meu "um dia de cada vez" para encontrar algum conforto e pergunta-me "como se faz isso". E a minha melhor resposta é simplesmente:
o meu "um dia de cada vez" é confiar em Deus, na certeza de que tudo Ele sabe e que, o que quer que deixe acontecer na nossa vida, sabe que vamos dar a volta à situação e irá prover uma solução. Sim, não muda nada, mas dá ânimo para prosseguir com alguma serenidade...
Um dia de cada vez...


sábado, 20 de maio de 2017

Bom fim de semana!




Em algumas perdas,
a gente só ganha.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Penalties e a maternidade






Nestes dias de sol chuva vento calor frio trovoada mini tornados, nesta amálgama de estados de tempo que ninguém entende, muitos são os sentimentos que tenho vivido. Mais ou menos como o tempo... 
O meu último post foi no dia da mãe e precisamente, um desses sentimentos fortes tem a ver com o facto de ser mãe e de estar a viver esta fase com uma nova intensidade.
Com 11 anos, o meu pequeno já não tão pequeno assim mas que para mim será sempre pequeno :), cresce por fora e por dentro. Continuamente. Sem interrupção. A um ritmo que poderia ser um pouco mais lento, para me facilitar a vida a mim e me dar algum tempo para respirar... Mas enfim, as coisas são como são e graças a Deus por isso :)
São tantas as perguntas dele, tantas as curiosidades, tantos os desafios, tantas as solicitações, que a minha maior oração é: "não o tires do mundo, mas livra-o do mal e dá-me a mim a sabedoria e a firmeza de o encaminhar na direcção certa".
Os treinos de futebol estão a ser uma grande lição de vida para ele, porque me permitem utilizar os seus exemplos de fracasso para lhe demonstrar aspectos do crescimento e do tornar-se Homem, que de outra forma se tornariam mais abstractos e creio não entrarem tão directamente no seu coração.
Penso que ele ainda não descobriu o seu lugar no meio do grupo. São todos "séniores", do alto da faixa etária limite até aos 11 anos! :), sendo ele o último a ter entrado. Sente-se inseguro ainda. E reflecte-se no campo o modo como ele ainda vive a vida. Com insegurança e sem determinação. Meu rico filho...
Diz ele que a bola é pesada e que não a consegue lançar com força aquando do momento dos penalties. De facto, os poucos lançamentos a que assisti foram dados sem vigor, sem confiança, sem garra. Antes, foram frouxos, numa atitude de quem vai atacar a bola só para marcar o ponto no calendário de tarefas a desempenhar e como quem já sabe de antemão que não vai conseguir.
Chega a casa, no parque das traseiras, e nos "treinos" com a sua bola que, por estar mal cheia, se torna ainda mais pesada que a do campo, consegue chutar alto, com firmeza, marcar golos e fazer truques lindos. No seu ambiente, sem pressão, sem julgamentos que ele próprio se inflige, consegue fazer aquilo que gostaria de fazer diante dos coleguinhas e dos misters.
Uma grande lição de vida que tiramos daí, com grandes conversas à mistura, com injecções de autoconfiança, de determinação, de persistência, de luta, de planeamento, de foco, de auto estima. Tantas lições que uma mãe pode dar num lançamento falhado da bola...

domingo, 7 de maio de 2017

Feliz Dia da Mãe!



Mãe não é um título. Mãe é um verbo. Não é o que és.  É o que fazes.

Shonda Rhimes

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Peniel é um lugar no meu ser! II





Vamos, hoje, continuar a nossa conversa sobre Jacob?
Relembro a passagem bíblica:

Assim, passou o presente diante da sua face; ele, porém, passou aquela noite no arraial.
E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboc.
E tomou-os, e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.
Jacob, porém, ficou só: e lutou com ele um varão, até que a alva subia.
E vendo que não prevalecia contra ele, tocou a juntura da sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacob, lutando com ele.
E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares. 
E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacob.
Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacob, mas Israel: pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. 
E Jacob lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.
E chamou Jacob o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e minha alma foi salva.
E saiu-lhe o sol quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.
Por isso, os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto ele tocara a juntura da coxa de Jacob no nervo encolhido.
Génesis 32, 21-32




Retomando onde fiquei na conversa anterior, dependendo do estágio da vida em que estamos, poderá chegar uma hora em que surgem dentro de nós poderes de uma latência tão poderosa, que se tornam patentes as obrigações de andar num caminho de retorno; e por mais que ainda engendremos dissimulações, que tentemos fazer gestão desse processo de reencontro, de volta, de retorno, por mais que preparemos caminhos presentes, por mais que façamos isso tudo, por mais que nos defendamos, por mais que venhamos apavorados, por mais que digamos "tomara que eu consiga passar, tomara que seja apenas uma experiência necessária, uma catarse psicológica, uma necessidade da alma para que eu me reconcilie com o meu passado, para que fique só nisso... sem nada mais profundo..." Tal coisa sairá do nosso total controle pela misericórdia de Deus.




Voltando a Jocob, o seu último acto é colocar a família do lado de lá, mas a angústia está tão grande, que ele larga todos e vai para a escuridão, para a escuridão de Jaboc, vai para o nada, desaparece, vai para um lugar onde ninguém o pode ver, ninguém o pode encontrar sob hipótese alguma. 




É ali naquele lugar de escuridão que vem ao encontro dele, Deus com cara de um homem, um anjo, e eles começam a lutar. A lutar forte e feio. A noite toda.




Quando o sol começa a nascer, o Anjo diz-lhe "deixa-me ir", e ele diz "não te deixarei ir se tu não me abençoares". 




Aí o Anjo pára e diz: "como é o teu nome?" Como se o Anjo não soubesse.




A luta toda era uma luta para curar o carácter de um homem, cujo nome era a expressão exacta do carácter dele. E ele disse: "o meu nome é Jacob - o meu nome é espertalhão..."




Aí o Anjo diz: "Já não te chamarás assim, mas de hoje em diante Israel, que quer dizer: Príncipe de Deus, pois com Deus e com os homens tu lutaste, e prevaleceste".




Mas antes que se diga que o abençoou ali, o Anjo tocou no nervo da coxa, e deslocou o tendão da coxa de Jacob.




Porque esta terceira geração vai ter de carregar essa marca do amor que fere, da graça que magoa, da salvação que nos faz coxear erectos para que as próximas gerações se lembrem e nunca mais comam do nervo da articulação da coxa, como um memorial eterno.




E quem acha que por ser filho de Abraão e de Isaque, e acha que carrega uma bênção por osmose, e que basta ter nascido daquele de quem nasceu e, por isso, pode andar em dissimulação, fazer o seu próprio caminho, engendrar os seus próprios planos, fazer a administração da proximidade ou da distância de Deus - como é a síndrome desta terceira geração - para a geração dela própria e para a salvação das que vêm, Deus frequentemente põe uma marca no nosso andar.




No vau de Jaboq estabeleceu-se o paradoxo dessa bênção espiritual, que é quando a vitória de Deus é ser vencido pelo homem e a vitória do homem é ser vencido por Deus, e quando tudo o que Deus quer é que o homem a Ele se agarre de tal forma que Deus não se possa livrar, e tudo o que o homem precisa é da bênção que o faça coxear, lembrando a vida inteira a quem ele pertence de facto.



Quem passou por esta experiência ou irá passar, dirá: "Hoje eu olho para o meu caminhar e vejo que coxeio, e muita gente diz "ali vai o coxo", mas eu sei o que vi, eu sei o nome deste lugar, eu sei que o nome deste lugar na minha alma se chama Peniel, porque lutei com Deus e Deus lutou comigo, e eu vi a Deus face a face e a minha vida foi salva".




Que os "netos de Abraão e os filhos de Isaque" não se tornem cínicos pelo caminho, antes sejam curados de toda a dissimulação, de todo o trauma de reservas ou de todo o desejo de fazer gestão; fiquem curados de todas as lembranças, de todas as overdoses e que tomem hoje a decisão de que o mundo começa a partir do atravessar desse "Vau de Jaboq" na sua alma, dessa noite só sua e de Deus, da escuridão desse encontro, desse conflito de Graça, e que as novas gerações sejam salvas na lembrança de que, nas nossas vidas, apesar de nós, nós nos engatámos com Deus e Deus nos abençoou e Ele nos salvou de nós mesmos, e nós vencemos Deus porque fomos vencidos pela bênção de Deus na nossa vida. 




E, se ficou alguma marca - e esta é uma geração que carrega marcas diversas: marcas familiares, marcas conjugais, marcas morais, marcas emocionais, marcas psicológicas - nenhuma delas nos impedirá de andar na direcção de todas as reconciliações que nós temos de fazer, e aqueles que nos assistiram verão o nosso coxear como uma liturgia do Amor de Deus, verão a marca que está sobre nós como um sinal da gravidade da Graça de Deus que não é barata, é gratuitamente cara porque para nós não custou nada, mas ela é o resultado do precioso sangue do cordeiro, como sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo. É uma graça que resulta da briga do Espírito Santo connosco, da revolta dos anjos por amor a nós, e que nós todos digamos: eu não te deixarei ir se tu hoje não me abençoares, e não abençoares a minha vida e a minha casa. Chega de escamotear, chega de fugir, chega de escorregar.
Vamos dizer sim a Deus!



terça-feira, 2 de maio de 2017

Bom dia!





Gratidão
é o que transforma
dias comuns em memórias.

domingo, 30 de abril de 2017

Tchau, Abril







Foi um mês difícil. E hoje é o seu último dia. Por mim, pode também ser o último dia das dificuldades e amanhã, com o novo mês a estrear, o início de uma época cheia de boas coisas. Quem sabe? Esperamos sempre pelo melhor, certo? 


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Bom dia!










 
«Não tenho muito mas tenho tudo. E é o tudo que tenho que me faz mais rica e maior do que os que têm mais. Preciso de pouco (muito pouco) para ser feliz. Acredito que todos precisamos de (muito) pouco para sermos felizes e preenchidos. E é quando esse pouco nos falta, que nos enchemos das tantas coisas que nos ocupam tempo e espaço, mas que nos deixam cada vez mais vazios.»

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Peniel é um lugar no meu ser! I




Adoraria ter, hoje, mais uma daquelas conversas longas sobre Deus, pelo que, quem não a desejar ler, já sabe, pode passar à frente :) O que aqui escrevo é produto das minhas leituras, escutas, meditações. Como tal, escrevo em primeiro lugar para mim, e é-me muito importante deixar registado aquilo com o qual concordo. Para mim e para alguém que sinta desejo de se chegar mais a Deus, de O compreender melhor, de O tratar por Pai e concluir que não há melhor colo que o dEle. 
E o pensamento de hoje parte do primeiro livro da Bíblia: Génesis.

Assim, passou o presente diante da sua face; ele, porém, passou aquela noite no arraial.
E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboc.
E tomou-os, e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.
Jacob, porém, ficou só: e lutou com ele um varão, até que a alva subia.
E vendo que não prevalecia contra ele, tocou a juntura da sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacob, lutando com ele.
E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares. 
E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacob.
Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacob, mas Israel: pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. 
E Jacob lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.
E chamou Jacob o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e minha alma foi salva.
E saiu-lhe o sol quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.
Por isso, os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto ele tocara a juntura da coxa de Jacob no nervo encolhido.
Génesis 32, 21-32




Jacob é o personagem principal desta história. Jacob é neto de Abraão e filho de Isaque. Reportando para esta conversa e para um contexto actual, Jacob é a terceira geração de uma família de pessoas ligadas a Deus, cheias de histórias com Ele, com os rituais, com as pessoas envolventes, com todo o processo que gira à volta desta questão. 
Para os dias de hoje, Jacob é aquele que, ou quer fugir da religião por ter sofrido alguma espécie de trauma, ou por cansaço. 




A atestar isto, podemos ver a sua faceta de espertalhão ao lidar com o sogro Labão, fugindo da casa deste, e fugindo da sua própria casa devido ao problema da primogenitura com o irmão Esaú. Quem conhece, sabe do que falo; quem não conhece, pode procurar saber, mas não disserto sobre isso agora para não deixar a conversa demasiado extensa.


 


Chega a uma altura, porém, em que ele se reconcilia com o irmão, e no dia anterior ao reencontro, ele fica em grande aflição, decorrente de tantos conflitos internos, dando continuação a uma grande inquietação e crise iniciada no seu coração há algum tempo atrás. Como consequência, ele começa a ter experiências de outra natureza e um desejo enorme de voltar para casa, uma vontade de retomar às raízes, de reencontrar as pessoas que ele amara um dia. E aí, quando ele começa a querer sentir o cheiro da família, quando ele começa a querer retornar ao ambiente do seu pai Isaque, deseja ver se aqueles que tinham servido a seu avô e a seu pais ainda estão vivos, começa a querer ser ele próprio herdeiro das promessas que um dia ele ouvira e que corriam dentro daquela casa, daquela linhagem, daquele historiar de fé. Aquilo tudo começou a crescer dentro dele, e foram anos e anos até que ele se foi despertando mais vivamente para esse interesse. E lá vem ele...




Penso que não é difícil reconhecer que ser a terceira geração numa casa de crentes, em geral, não é lá essas coisas. Mesmo quando o pai foi piedoso e o avô também, a terceira geração está assim meio de "saco cheio", ou está traumatizada, ou então pensa assim: "o meu pai era um santo piedoso, o meu avô também, mas isso era para eles, para o tempo deles. Eu fiquei com overdose de pregações, overdose de mensagens, overdose de crentes, de igreja, etc."




Mas chega uma hora em que não interessa se o teu avô Abraão ou o teu pai Isaque eram dos bons ou dos maus. Chega uma hora em que a Palavra de Deus não volta para Ele vazia, chega uma hora em que a bondade de Deus começa a militar contra a nossa natureza, chega uma hora em que Deus declara guerra ao nosso cinismo, em que as milícias celestiais, os anjos, decretam que o tempo de nós andarmos na dissimulação e no conforto de quem diz "eu creio, mas não é preciso ser tanto", é findo. Chega uma hora em que os céus gritam e tu vais enfrentar a Deus, em que Deus mesmo se faz homem e vem lutar contigo. Chega uma hora em que os anjos, de raiva apaixonada, vêm ao teu encontro, numa noite qualquer e te tiram o sono para te perturbar, para te incomodar. Chega uma hora em que a conspiração do amor de Deus começa a preparar-se de tal modo, que tudo em ti é desconforto, que todas as coisas chamam e falam por uma saudade daquilo que tu repudias, por um desejo de aproximação com o que antipatizas, por uma vontade de correr o risco de reentrada naquilo a que antes dirias jamais entrar. Chega uma hora em que uma coisa estranha, uma maldita saudade toma conta de ti e tu ganhas razões absolutamente inexplicáveis para te aproximares daquilo de que antes fugias.
E é aí que tudo recomeça. Lindo! Mas continuarei num outro post...