domingo, 4 de dezembro de 2016

Domingo de gratidão


Domingo. Dia de abrandar. Dia de contar as bênçãos da semana que passou. Dia de agradecer. Independentemente das circunstâncias da vida, há sempre algo pelo que ser grato. Esta semana fui grata por:



  • Assistir ao musical de Natal onde a carraça participa e ver o empenho da participação de todos, tornando um espectáculo completamente amador em algo emocionante de ver.
  • Fazer preparado de café cremoso, sempre pronto a usar e que faz um leite bem espumoso e saboroso.
  • Ir ver o presépio de uma das ruas da cidade, com vista a animar o comércio, mas nós fomos com vista a passear e a passar um bom tempo em família.
  • Comer castanhas assadas de um desses carrinhos de rua a fumegar, que nos souberam pela vida.
  • Andar cá e lá, de portas abertas no prédio, pela casa da cunhada, num ambiente leve e descontraído.
  • Montar a Árvore de Natal e cantar canções de Natal desafinadas mas com muita alegria.
  • Visitar a avó e levá-la a dar um passeio pelas redondezas, descobrindo caminhos desconhecidos pelo meio do campo, com galinhas a correr desajeitadamente à frente do carro, linhas de comboio paralelas à estrada, campos vastos cultivados e aldeias quase medievais onde a avó viveu momentos da infância.
  • Estar em casa, à noite, a ouvir chover.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Boas Festas!



Escrevi isto há pelo menos dois anos atrás. Descobri este texto, perdido aqui no meu computador e percebi-o tão actual na altura, como hoje. Em todas as palavras. E mais agora, na época natalícia que atravessamos.

Cada vez cresce mais em mim a ideia de auto subsistência, da frugalidade, da qualidade, crescendo também um modo diferente de pensar em direcção à consistência. Desde que se tornou possível a minha vida no campo, que cada vez mais e melhor, sei o que quero, mas tem sido um processo lento alcançar a meta. Ou talvez a atinja todos os dias, todos os dias um pouquinho mais até ela se aperfeiçoar e tomar várias facetas, como vários brilhos de uma mesma luz. Sei lá explicar isto, só sei que dentro de mim fervem ideias simples, mas de tão simples, complicadas de pôr em prática no tipo de sociedade em que vivemos. Porque o acto mais banal do dia a dia nos remete para o tipo de sociedade em que vivemos e não para aquele em que gostaríamos de viver. E fazemo-lo sem pensar, num gesto automático, porque no final de contas, nascemos todos formatados para pensar e agir de uma determinada maneira, embora pensemos que não... E isso prova-se quando tentamos sair da linha e somos logo cobrados, apontados, olhados de lado. Afinal já dizia Mário Quintana, que uma linha recta é uma linha sem imaginação. E ele é que está certo!
Mas dou graças a Deus pelo punhado de gente que vou conhecendo pelo caminho e que entende do que falo e me apoia.

É um texto com muito para explorar. Muito. E nesta tentativa de viver das origens, muitos actos temos de repensar nesta quadra para que os temas tão actuais como o lixo, desperdício, sustentabilidade e futuro saudável não tirem o protagonismo à humildade, à contenção, ao essencial, ao útil, ao verdadeiro, ao eterno, ao significado do nascimento do Salvador. 
Boas Festas para todos!



quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Boa noite!



Um coração grato é um íman para os milagres


domingo, 27 de novembro de 2016

Domingo de gratidão


Domingo. Dia de abrandar. Dia de contar as bênçãos da semana que passou. Dia de agradecer. Independentemente das circunstâncias da vida, há sempre algo pelo que ser grato. Esta semana fui grata por:


  • Ver as formações de nuvens no céu antes e depois das chuvadas que têm caído.

  • Calçar as galochas pela primeira vez esta estação, com as quais me sinto a miúda mais sexy da cidade ;)
  • Passar um dia em casa, com chuva lá fora e crochet cá dentro, num conforto sem igual.
  • Passar uma manhã na cama a ouvir chover lá fora - oh coisa mais boa.
  • Pausa para um café, sozinha para pensar, escrever e ler a Country Living.
  • Ver o sol brilhar e iluminar tudo com o brilho que a chuva deixou.
  • Receber a encomenda de uma amiga do outro lado do oceano e ver como sou abençoada com tanta dedicação e perfeição materializadas numa mala a tiracolo.
  • Ver que as notas da carraça se mantêm em níveis bastante satisfatórios para alguns dos seus problemas de comportamento :)
  • Chegar a casa à noite, depois do trabalho, e ser recebida com muitos beijinhos do meu mais que tudo pequenino - do melhor!
  • Limpar a cozinha a fundo, trazendo um cheiro de limpeza fantástico à casa e que eu adoro.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Boa noite!







terça-feira, 22 de novembro de 2016

O nosso azeite







Ai, como eu gosto deste clima frio e húmido, cinzento e agreste. Um dos melhores dias da minha memória recente foi precisamente o último Domingo. Choveu praticamente o dia todo, mas que bem que soube ficar aninhada no sofá a continuar o cinzento da mantinha de Outono, entrecortada por conversas ocasionais ao sabor da inspiração. A salamandra eléctrica sempre a bombar, o forno a fazer um bolo e a cunhada a bater à porta para falar qualquer coisa. Há muito tempo que não tinha um dia assim, inteiro, tão quieto e tão saboreado. A chuva caía lá fora, o vento uivava de vez em quando e a tarde escura transformou-se em noite, trazendo consigo o descanso.
Não tenho estes momentos, muito menos estes dias, como adquiridos. A vida pode mudar a qualquer instante e com o emprego que tenho, a minha "mangueira de bombeira" tem de estar sempre pronta para qualquer eventualidade e a qualquer hora. Como tal, é com gratidão e satisfação extras que vivo dias assim.
O Outono prepara-nos para a introspecção, para o recolhimento, para o voltarmos a conhecer-nos a nós próprios, para a renovação das forças que se esgotaram com o fulgor do Verão. E é no Outono que vivo com mais intensidade, porque me sinto mais quieta para apreciar os bons momentos. Como o que vivemos há semanas atrás, quando fomos trocar a nossa azeitona pelo azeite do lagar.
Fomos à tardinha, já era noite, que os dias agora são mais curtos. O frio cortava, nesse dia. E num espaço amplo como o do lagar, mais ainda, pois o ar ali circula livremente, e castiga quem não se mexe!
Adoro ir ao lagar! Sempre gostei, desde pequena. Só tenho uma grande pena por não podermos ver o processo completo da moedura da azeitona, devido às leis actuais. Mas o cheiro, ai o cheiro, esse ainda é o mesmo. Assim que abri a porta do carro, caí em êxtase. Só por aquele cheiro tinha valido bem a pena ter lá ido!
A azáfama era enorme, num entra e sai de carrinhas carregadas de sacas de azeitona, de carrega e descarrega, pesa e tira, espera e troca. No nosso caso foi rápido. Bastou esperar a nossa vez e fazer a troca da azeitona pelo respectivo azeite, num compartimento à parte.
Tudo ali era aproveitado. A torneira por onde saía o azeite tinha um "pucarozinho" para não desperdiçar nem um pingo e despejar o líquido para dentro do nosso garrafão também era feito com muito cuidado, lentamente, até à última gota. Líquido precioso, se o estávamos a pagar, quem nos estava a vendê-lo respeitou isso muito bem.
Aliás, foi algo a que fui sensível este ano: eram rapazes novos quem estava a trabalhar no lagar, com garra, com desenvoltura e com muito respeito pelo que faziam. Nesse aspecto, foi como voltar lá atrás no tempo. Mudaram as técnicas, a essência não. Pelo menos não naquele lagar. E isso deixou-me muito feliz.
Não há sabor que bata o do azeite vindo do lagar. Não há sabor que bata o das batatas com couves regadas com o azeite novo. Não há cheiro como o do lagar. Nem há maior gosto que ver a carraça a molhar o pão no azeite.
Por tudo isto, por todas estas experiências e vivências, o Outono é uma estação maravilhosa!

domingo, 20 de novembro de 2016

Domingo de gratidão


Domingo. Dia de abrandar. Dia de contar as bênçãos da semana que passou. Dia de agradecer. Independentemente das circunstâncias da vida, há sempre algo pelo que ser grato. Esta semana fui grata por:




  • Comprar mais uma caneca. Não preciso de mais, é verdade, mas não resisti a esta, naquela manhã cinzenta, que só convidava a encostar no sofá com uma boa caneca de leite ou outra bebida qualquer, quentinha e reconfortante.




  • Ver os meus bolbos a despontarem da terra e que daqui a nada estão a florir e a inundar a varanda com o cheiro delicioso dos jacintos :)




  • Apreciar o ambiente confortável da minha casa, nesta época do ano em que as luzes se acendem cada vez mais cedo, emprestando esse ambiente apetecível, de que tanto gosto.



  • Fazer caramelo líquido caseiro. Adoro fazer tudo aquilo que possa ser feito em casa em vez de ir comprar ao supermercado. E este caramelo, tão fácil de fazer e guardar, pronto a utilizar para quando se fazem aqueles docinhos que pedem uma dose extra :)
  • Usufruir de um dia sem trabalho de clínica. Cinzento, tão apetecível para fazer tudo o que há a fazer sem pressas, e foi o que aconteceu - o máximo.
  • Ter os abraços da minha carracinha e enfiar o nariz no seu cabelo fresco e fofinho :)
  • Ajudar nas mudanças da nova vizinha/cunhada no prédio. É bom ter alguém de confiança no prédio, alguém que basta subir as escadas para nos bater à porta e pedir emprestada uma concha para tirar a sopa.
  • Arrancar risos e gritinhos felizes da filha da nossa gestora, cuja leucemia teima em debilitar.
  • Aproveitar uma hora de almoço para conversar com uma das doutoras da clínica e falar sobre vida rural, economia doméstica e histórias de tempos passados que só têm a acrescentar à nossa vida presente.