segunda-feira, 27 de março de 2017

Boa noite!










Quem não ouve a melodia, acha maluco quem dança.

Saint-Exupéry

sábado, 25 de março de 2017

Sobe, poço, e vós cantai dele! II



Gostaria de terminar a nossa conversa sobre Moisés, lembram-se?
Ficámos em Moisés ter ensinado o povo, ele próprio, a fazer nascer poços no deserto, sem depender de terceiros.
Retomo a passagem da Bíblia relativa a esta conversa:

"E dali (Moabe) partiram para Beer; este é o poço do qual o Senhor disse a Moisés: Ajunta o povo e lhe darei água. (Então Israel cantou este cântico: Sobe, poço, e vós cantai dele: Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo e o legislador com os seus bordões.) E do deserto partiram para Matana;" - Números 21, 16-18



Tal como Moisés fez para com o seu povo, há tempos em que precisamos de alguém que fira a água e nos traga livramentos; que abra mares e nos ajude a passar; que ore e Deus faça vir provimentos, codornizes e manás; que indique caminhos, que mostre soluções.




Mas mesmo esse que seja o mediador de tantas coisas importantes da graça de Deus na vida do povo é somente um ser humano e tem o seu limite; carrega, nas soluções que traz, a sua própria tentação e a sua própria sina; carrega, na graça que produz, a sua própria fragilidade. Na mesma medida em que ele é instrumento das águas, ele é tentado por elas. Na mesma perspectiva em que ele traz soluções pela água, ele traz complicações pessoais pelo cansaço de trazer água, mas ele mesmo não ter, jamais, a sua sede dessedentada pelo descanso. E na sua canseira ele tropeça nas soluções que traz. Isto, do ponto de vista de Moisés.



Do ponto de vista do povo, chega a hora em que cada um tem que aprender a fazer evocações ao chão do deserto, com o coração nos céus e os olhos no chão; tem que aprender a desenvolver a inspiração que não depende de ninguém nem de um terceiro. Isto é o crescimento da consciência individual e colectiva e que tem de chegar ao nível capaz de aprender a fazer poços no deserto; e a fazê-los sem que os baptize com nome especial; e a fazê-los com a consciência de que no deserto só fazemos poço quando cavamos com louvor e gratidão.




Muitos de nós já nos acostumámos a ter sempre ajuda de pessoas - e isso é natural; a ter a ajuda de alguém mais sábio, alguém mais maduro, alguém mais experiente, alguém mais enraizado na fé, alguém com mais consciência, alguém com mais história, de uma certa liderança e visibilidade que produz encaminhamento.


Tudo isso é normal, mas tudo isso tem um tempo. Todo o Moisés morre. Todo o ser tirado das águas pode tropeçar nas águas. Nenhum de nós é chamado para permanecer dependente de um único, pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem. E também porque Jesus nos disse: "Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai". E já dissera também: "Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva".




Já entrámos numa era onde nenhum ser humano é chafariz de todos os demais; onde nenhum Moisés, de tanto que serviu, se canse de servir e peque, no acto de servir. Já entrámos numa era em que está dito que cada um daqueles que crêem em Jesus, segundo a Escritura, do seu interior fluirá Beer, o poço, a fonte das águas da vida.



Que possamos ter a alegria de olhar e dizer que os príncipes do povo, todos, se reuniram; e que o povo todo aprendeu a reunir-se; e que todo o povo de Deus aprendeu a cantar junto: "Sobe, poço, e vós cantai dele. Sobe, poço, e vós cantai dele: Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo e o legislador com os seus bordões.Sobe, poço, e vós cantai dele." Que cada um aprendeu, pela fé, a abrir poços, com canções, com poesia, com louvor; com essa fé que faz um ceptro sair da nossa boca, das palavras da positividade do nosso ser grato e confiante na providência de Deus. Que por tal ceptro de palavra e de fé, de alegria, de gratidão e de confiança, cada um de nós aprenda a cantar para os céus, fazendo uma poesia que rasgue o chão. E que do chão da nossa vida, conforme a nossa necessidade, brote o poço da misericórdia de Deus, bem diante de nós.




Que cada um de nós possa aprender hoje, possa começar a exercitar agora, possa entender que no deserto só abrimos poços quando os cavamos com louvor, com gratidão, com confiança desamargurada, com alma cheia de poesia aos céus.




Agora, sobe, poço, e vós cantai dele! Vais voltar para o teu deserto? Vai, mas vai a cantar. E não cantes apenas para dentro, tem a coragem de cantar para fora, também. Louva! Louva na mente, louva com o coração, louva com atitudes, louva com pensamentos: Sobe, poço! Sobe, poço! E vós cantai dele!




Sem nos isolarmos e continuando a reunir-nos com os nossos próximos na fé. Sabendo que eu individualmente cavarei os meus poços; e sabendo que nós, conjunta e colectivamente, também nos reuniremos para cantar aos céus, enquanto olhamos para o chão da realidade; e, juntos, abrimos poços de louvor que vão dessedentar a sede de todos nós. Em nome de Jesus :)


quinta-feira, 23 de março de 2017

O frio voltou...




 

O frio voltou. Voltou a saber bem sentir no corpo o abrigo de um agasalho e na casa o calor do conforto, enquanto lá fora o vento uiva com alguma força, trazendo até ao meu 3º andar os reflexos dos ramos das árvores que abanam à sua passagem. Este tempo esquizofrénico rouba-nos alguma energia, alterando o nosso ritmo biológico a seu bel-prazer, e só agora me apercebo como nem energia tenho tido para criar algo com as minhas próprias mãos. Sinto falta, sinto saudades. E tenho tantos trabalhos para terminar, mais ainda para começar, tantas artes para aprender, tanto para fazer! Mas há alturas em que o trabalho nos rouba um pouco do melhor de nós mesmos. Que não haja más interpretações. Adoro o que faço, mas o que faço exige de mim todo o empenho, ou talvez seja eu que o dê voluntariamente, já que não sei fazer/ser de outra forma, mas a verdade é que uns diazinhos de férias já me sabiam bem! Nem preciso de planos mirabolescos para passar o tempo nem de grandes viagens pelo mundo para me preencher. Apenas preciso de tempo. Tempo para preencher conforme me apetecer. Acordar sem despertador, mesmo que isso signifique acordar antes da hora habitual, limpar, cuidar, lavar, passar, esfregar, bordar, crochetar, tricotar, costurar, passear, ler, ouvir, escrever, pensar, sonhar, terminar, começar, continuar, semear, colher... Tantos verbos, tanto para fazer sem preocupações de contagem de tempo e sem responsabilidades de maior com a exigência de não falhar. Bom, mas por enquanto resta-me esperar que esses dias venham. E tenho que acreditar que eles virão, pelo bem da minha sanidade mental e física :)
Enquanto isso, eu não disse que faltava pouco tempo para as árvores despidas da minha rua voltarem a florir? Visão celestial, esta!

terça-feira, 21 de março de 2017

Tudo é possível, apenas temos de nos adaptar...




Um clima menos previsível

significa que todos devemos repensar como cultivar
 
 


domingo, 19 de março de 2017

Sobe, poço, e vós cantai dele! I





Moisés. Conhecem? Figura incontornável do Velho Testamento.
Vamos falar sobre ele e consequentemente, sobre nós? Então convido-vos mais uma vez a sentarem e a pegarem uma bebida quentinha ou fresquinha, conforme a vossa localização no globo :)




"E dali (Moabe) partiram para Beer; este é o poço do qual o Senhor disse a Moisés: Ajunta o povo e lhe darei água. (Então Israel cantou este cântico: Sobe, poço, e vós cantai dele: Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo e o legislador com os seus bordões.) E do deserto partiram para Matana;" - Números 21, 16-18




Mais do que ler a Bíblia, sempre achei preferível entendê-la. O que não se revela tarefa linear, em especial se se tratar do Velho Testamento. Então adoro pesquisar, estudar, analisar pontos de vista, aprender, portanto, para que tudo faça mais sentido no contexto que leio e que sinto dento do coração. Esta passagem refere-se a Moisés, quando este atravessava o deserto com o povo rumo à terra prometida. E, apesar de, para nós, serem palavras traduzidas para a nossa língua, no original elas são poesia pura, são um cântico cheio de beleza e melodia. Pena que não o consigamos perceber apenas ao ler...




Lembro-me da figura de Moisés nos filmes que passavam na televisão (e certamente ainda passarão, eu é que quase não vejo televisão...) e lembro-me da imagem que guardei dele, desde o seu nascimento, numa história que alimentou o meu imaginário infantil e me ajudou a crescer a acreditar em milagres.




Moisés é um homem marcado pela sina da água, pois o seu próprio nome já significa "tirado das águas". Ele carrega, desde o nascimento, essa dor, esse problema com a água, diante da possibilidade de ter morrido quando puseram na água o cestinho onde ele, bebé, estava.



E na sua vida adulta, durante a sua caminhada de quarenta anos com o povo de Israel pelo deserto, tudo teve a ver com água. Senão vejamos: começou por ferir as águas do rio Nilo, que se tornaram em sangue; teve que abrir as águas do Mar Vermelho e lá vai ele; mais adiante, problemas do povo com a sede. Água é sempre um problema no deserto; e de vez em quando ela não existia e eles esperavam que Moisés fosse o provedor de água para o povo - através de uma mediação de Moisés junto de Deus.




E de tanto que pediram água e reclamaram por outras coisas a este homem a quem, de todas as vezes que o chamavam pelo nome, ele ouvia o nome de água, ele já estava que não aguentava.




E chegamos a este episódio em que, mais uma vez, o povo pede água. Tendo Moisés buscado a Deus sobre este assunto, Deus diz-lhe: "Fala à rocha e ela dará água". Tão somente isto. Mas Moisés estava tomado pelo cansaço e pela ira e, em vez de o fazer, levantou a mão, pegou na sua vara e com ela feriu a rocha duas vezes.




Apesar de ele não ter feito como Deus dissera e porque o Senhor é bom e a sua misericórdia dura para sempre, saíram muitas águas da rocha e bebeu a congregação e os seus animais. Mas esta desobediência teve como consequência o facto de Deus não ter permitido que Moisés fizesse entrar o povo na terra prometida.
Mas antes disso, antes que Moisés viesse a morrer, houve este episódio sobre o qual lemos.




Depois da desobediência de Moisés ao Senhor, o povo voltou a pedir água. E aqui a delicadeza divina diz: "Moisés, tu estás livre desse mal, agora tu vais ensinar o povo a, ele próprio, lidar com o problema da água. Reúne o povo, tu não vais mais ser o mediador da água." Um pouco ao estilo do "dá-me um peixe. não, dou-te a cana e ensino-te a pescar". Porque mesmo o indivíduo que carregue a consciência de um Moisés corre o risco de ficar tão acossado, tão oprimido, tão pressionado por demandas tão exigentes, tão extravagantes, tão contínuas, tão desumanas, tão imponderadas e tão ferinas, que perde a sobriedade.




Então, Moisés reuniu-os. E eles ficaram à espera de uma providência com aquela famosa vara que ferira o Nilo, abrira o Mar Vermelho e fizera tantos outros sinais e prodígios no curso daquele período. Mas agora a vara está quietinha, ao lado de Moisés, e ele, calado, a olhar para o povo.




E a voz de Deus no seu coração apenas diz o seguinte: "Reúne o povo e à frente dele põe os príncipes das tribos de Israel - todos os príncipes, todos os líderes - e manda que eles cantem enquanto olham para o chão; que eles façam uma poesia à terra, que eles façam uma poesia à aridez, que eles façam uma poesia à secura; que eles componham um cântico à poeira, que eles façam brotar dos seus corações um manancial poético e de louvor, com rima e com gratidão; e que eles cantem aos céus enquanto olham para o chão e que entoem um cântico que diga: "Sobre, poço, e vós cantai dele! Sobe, poço, e vós cantai dele! Sobe, poço, e vós cantai dele!" E a canção prossegue ainda noutro verso, que diz: "Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo e o legislador com os seus bordões." Não esqueçamos que isto era um cântico cheio de beleza e de rima.




E Moisés quieto, enquanto segurava a sua vara e assistia àquela multidão, com os príncipes em círculo, diante do nada, da poeira do deserto, de coisa alguma, apenas a cantar aos céus e a fazer poesia para o chão, enquanto diziam: "Sobe, poço, e vós cantai dele! Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo e o legislador com os seus bordões. Sobe, poço, e vós cantai dele!" Enquanto eles assim faziam, as águas começaram a brotar. Daí o lugar se chamar Beer, que significa "poço". 
Antes, aquele lugar era árido, mas ali aconteceu um poço, que brotou do nada - evocado pelo louvor, pela poesia, pelo cântico, pela gratidão. Como Deus é bom!
E esta história tem continuação em nós, mas espero partilhar o resto convosco, num próximo post. Até lá, que o vosso Domingo seja repleto de amor paternal, para quem tem os seus pais junto de si :)


terça-feira, 14 de março de 2017

Boa tarde!





 
Não desesperes.
Em geral, a chave que abre a porta é a última do chaveiro.
:)
~Autor Anónimo~

domingo, 12 de março de 2017

Na minha mesa, esta semana



Ovos caseiros, uma agenda, uma Bíblia (sempre) e um movo livro de receitas.
As pequenas maiores coisas da vida no seu melhor a interligar o que aparentemente não tem ligação entre si. É que é destes pedaços que a vida é composta.
Os ovos oferecidos por uma paciente da clínica, o livro lindo que me faz viajar pela fotografia e pela promessa de bons momentos à mesa, a agenda cheia de planos e a Bíblia, para me lembrar que nada disto é garantido e que só pela fé se vive e que de tudo, só o amor resta, mas enquanto durarem estes momentos e a consciência da sua importância, há que ser grata, sempre, a cada dia, a cada instante.
Bom Domingo a todos!