quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Boa noite!




O difícil vou fazer agora. 
O impossível vai levar um pouco mais tempo.
Billie Holiday


sábado, 14 de janeiro de 2017

... E já é fim de semana...










Pois, e já é fim de semana outra vez. Que bem que sabe esta pausa na rotina do trabalho diário. Tempo para observar melhor, sentir melhor, respirar melhor, viver melhor. É um privilégio ter esta possibilidade e esta capacidade!
Hoje foi dia de pôr o edredon a assoalhar - adoro esta palavra! - e perceber como as árvores em frente ao prédio já estão mesmo nuas. Não tarda, na sua eterna renovação, a natureza vai trazer de novo os rebentos e estas mesmas árvores vão encher-se de pontinhos verdes seguidos de pontinhas lilases que vão alegrar toda a rua. Adoro! Sinal da passagem das estações e do nosso passeio com elas.
A tarde põe-se rápido nesta altura do ano e o branco brilhante do edredon ao sol vai-se esbatendo para dar as boas vindas aos melros do fim do dia. Como eu adoro o som do canto deles! Às vezes sinto que vivo para esperar o fim da tarde e ouvir esta doce melodia que me encanta e enche de vida. Sério. É um passarinho que não tem gracinha nenhuma para mim - simplesmente preto com um bico laranja - mas tem cá um vozeirão que me deixa com todos os cabelinhos em pé :)
E ao som dos melros e dos últimos raios de sol, vou preparando a noite. Lençóis lavados, manta de lã na cama - que as noites frias pedem um aconchego extra, luzinhas numa lanterna podre de velha - literalmente, e o começo da noite faz-se de paz, de espera e de aconchego.
Não preciso de mais nada. Só de continuar assim...
E de tão bom que é, desejo-vos a todos um excelente fim de semana, cheio daquilo que faz feliz a cada um.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Pedaços da semana...









Gosto da sensação quente de estar confortável dentro de casa a cumprir com diligência e alegria as tarefas domésticas que têm de estar prontas.
Chegámos ao fim da primeira semana do ano. Uma semana fria mas intensa nas suas actividades. Trabalho q.b., lazer q.b., tudo equilibrado na medida certa para não haver grandes queixumes.
O sol foi rei no tempo, apesar de a chuva ter marcado a sua presença, curta mas bem forte que, como já vem sendo hábito, o clima deixou de ser o que era.
Eu e a carraça também marcámos presença na horta, onde agora vou tão raras vezes. Mas graças ao nosso agricultor de serviço, o terreno vai mantendo a sua energia e produção. Ao fim de três anos de exploração, são muitas as questões que levanto. E a minha busca por uma casinha no campo, aqui perto, mantém-se. Até que chegue a hora que, creio, virá! Até lá, resta-me continuar a esperar serenamente e ser grata pelo já tanto que tenho.
Nenhuma vida nos dá tudo aquilo que gostaríamos de ter, até porque a inconstância faz parte da nossa essência, e aquilo que achamos que hoje é o suficiente, amanhã já não achamos. Por isso sou grata, me contento com o que tenho e vou lutando serenamente por aquilo que gostaria de alcançar mais, na certeza de que Deus fará a vida abrir-me as portas que serão para eu entrar! No resto, de que adianta viver em constante ansiedade? A ansiedade só nos rouba energia, energia que necessita ser canalizada para coisas boas, produtivas, positivas, valorosas.
Assim, estamos já na segunda semana do ano. Ao entrar no carro e ver que está -1ºC, que tenho de voltar a casa para ir buscar uma garrafa de água para limpar o gelo do vidro, que o fuminho me sai da boca enquanto falo para a carraça, que as mãos doem a agarrar o volante porque não consigo conduzir com luvas, percebo como gosto deste frio que enrijece! É bom viver para agradecer o frio e o sol que o tenta aligeirar e entrar no trabalho para cumprir tarefas necessárias.
E depois chegar a casa e ter mais um monte de trabalho a fazer. Apanhar a roupa do estendal, fazer outra máquina de roupa, à noite sentar-me a bordar a continuação de uma toalha em ponto de cruz que tenho começada há mais de 10 anos, costurar umas roupas já com alguns buracos e que podem durar mais um tempo se forem bem cuidadas, ler um pouco, pensar nos inúmeros projectos que tenho para terminar e noutros tantos que tenho para iniciar. Tudo coisas de uma vida - banal, simples, mas cheia de sentimento.
Porque, sem dúvida, o valor da nossa vida está dentro de nós, na capacidade que temos para lhe atribuir esse valor, não nas circunstâncias. Porque as circunstâncias, por muito boas que sejam, nunca nos vão ser suficientes.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A nossa entrada em 2017











A estrada é estreita e escura. E muito húmida. Não há qualquer vestígio de luz. Nem uma casa, em boa parte do percurso, só árvores e mata densa. E escuro. O que acrescenta um ar misterioso e assombroso a toda a cena. Lá mais à frente encontramos uma aldeia de casas juntinhas e até um presépio enorme no largo principal - e único, aposto. Continuando em frente, encontramos a velha casa de 1º andar. Em baixo, a entrada faz-se de barris cheios de vinho de colheitas anteriores e calendários de mulheres semi-despidas para deliciarem os olhares dos homens que ali convivem. O senhor, baixo e gordo, vem-nos cumprimentar com um aperto de mão de três dedos, que os restantes foram levados pelos foguetes. Uma escada velha, de madeira, dá para o sótão, onde o espaço era partilhado com ratos, foguetes e camas para dormir. Era, porque desta vez os foguetes estavam dentro do carro, que os ratos andavam esfomeados e roíam as canas todas! Não é castiço? O filho, de sorriso tímido e dentes de ratito, mas ainda com todos os dedos, note-se, conduziu-nos até ao carro. A mãe, velha, baixa, gorda, desengonçada e mal-encarada, observava lá do cimo das escadas, sem dizer nada, para compor todo este cenário delicioso.
Cá fora, o filho, simpático, falava dos tipos de foguetes que estavam dentro do carro. Entre um "zás trás pum", "perrum pum pum" e por aí fora, eu deliciava-me com aquela conversa de idioma estranho, sem perceber nada. No fim de algumas conversações e negociações, trouxemos dois foguetes de cana e uma caixa de chuva de luzes, que um "zás trás pum" identificará imediatamente mas não saí de lá a dominar o vocabulário.
A verdade é que este foi o ano de fogo mais bonito. Chegada a meia-noite e depois de bebido o champanhe e comidas as passas, a gritaria foi imensa e a chuva de luzes foi bonita de se ver. Recebemos o ano com alegria e em alegria ansiamos que continue. Para nós e para todos!


domingo, 1 de janeiro de 2017

Feliz Ano Novo!














Lá existe coisa mais revigorante que o ar fresco do Inverno no meio da natureza, respirado durante uma caminhada com a família e um cadela maluca?
As nossas caminhadas com a Boneca começaram no Verão, com o intuito de acalmar os ânimos dessa cadela com problemas de comportamento. Tem resultado? Bom, pelo menos para nós, sim, que temos feito belas caminhadas que renovam as nossas energias.
E sim, creio que a Boneca está a adquirir um pouco mais de maturidade. Até já a soltamos e tudo, em estradas sem trânsito.
A nossa última caminhada foi muito boa. Linda e fresca. Até ao anoitecer, que também já chegámos um pouco tarde... Mas mesmo assim metemo-nos por caminhos novos, na ansiedade de descobrir o que estava a seguir à próxima curva. Paisagens fechadas de bosque denso, campos mais abertos de clareiras verdinhas, ar húmido e pesado nos vales, menos denso nos topos. Passarinhos a procurar o abrigo da noite e um cheiro intenso a vegetação húmida e a lareiras acesas. Aqui e ali, mesmo no meio do nada, resquícios da quadra que atravessamos, nas luzes no arco improvisado numa entrada de terreno, na coroa pendurada num portão que vai dar a nenhures. E um tronco fumegante já a arder para a passagem de ano.
Enfim, pormenores de uma vida rural com a sua dinâmica própria. Uma excelente forma de terminar o ano, para nós. Coroada com a lareira acesa na chegada a casa e conversas entre família, que se fazem íntimas e secretas ;).


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Anta do Vale da Lage e mais motivos para agradecer

















Grata pelo sol brilhante de hoje, que me permite ver tudo luminoso e enxugar a roupa no estendal. Me permite passar a ferro numa sala cheia de luz e junto com as tarefas domésticas, arrumar a vida, que se prepara para voltar ao trabalho e dar graças a Deus por esse sustento. 
Mas, por enquanto, gozemos o dia de férias na procura do monumento megalítico descoberto aqui nas redondezas. Adoro viajar com qualquer tipo de tempo, mas claro que um dia de sol tem muito encanto, fazendo-nos brilhar por dentro e por fora.
Para alguém desinteressado, o que fomos ver não passa de um amontoado de pedras. Mas, para nós, que lemos as explicações à entrada, percebemos o que vimos e valorizámos o facto de o terreno ser privado e de o proprietário o ter emprestado para ser visitado e o manter tão limpo e cuidado.
Pequenos grandes momentos e sentimentos, que nos levaram um pouco mais abaixo, na direcção do rio, onde vimos vivendas recatadas, de vidas que pressupomos de luxo, e vimos também a natureza no seu esplendor, com os medronheiros ainda carregados, pintalgando a vegetação de vermelho, os abelhões de volta das flores dos arbustos, a água serena do rio, o fumo de alguma borralheira que alguém estava a fazer mais lá à frente para limpar o seu jardim das podas e das limpezas feitas.
A vida na sua rotação constante. Uns de uma maneira, outros de outra, nunca pára e importa nunca pararmos também. Como o tempo que continua a sua viagem interminável. Até ao novo ano que se aproxima.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Continuando a ser sempre grata










Para os que notaram a ausência da rubrica Domingo de Gratidão, os meus agradecimentos. Não me faltaram os motivos para ser grata, nem nunca faltarão, porque ser grata está-me no sangue. Falta-me, sim, a disponibilidade para o vir aqui mostrar. E, se por um lado, gosto de partilhar no meu blog aquilo que me deixa agradecida, não só para marcar as coisas simples que me emocionam, mas também para inspirar quem por aqui passa, por outro não me sinto confortável com a obrigatoriedade de fazer um registo semanal. Até porque, basicamente, este blog é um registo daquilo que me faz feliz, um hino à simplicidade essencial para mim e como tal, o Domingo de Gratidão é, afinal, Todos os Dias de Gratidão. Mas quem sabe, não voltarei a publicar semanalmente as minhas bênçãos diárias? Sobretudo, preciso de me sentir livre...
E digam-me lá, como não ser grata diante da possibilidade de observar este céu de Inverno do cimo de uma estrada numa colina, como se estivesse no topo do mundo?