quinta-feira, 4 de maio de 2017

Peniel é um lugar no meu ser! II





Vamos, hoje, continuar a nossa conversa sobre Jacob?
Relembro a passagem bíblica:

Assim, passou o presente diante da sua face; ele, porém, passou aquela noite no arraial.
E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboc.
E tomou-os, e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.
Jacob, porém, ficou só: e lutou com ele um varão, até que a alva subia.
E vendo que não prevalecia contra ele, tocou a juntura da sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacob, lutando com ele.
E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares. 
E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacob.
Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacob, mas Israel: pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. 
E Jacob lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.
E chamou Jacob o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e minha alma foi salva.
E saiu-lhe o sol quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.
Por isso, os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto ele tocara a juntura da coxa de Jacob no nervo encolhido.
Génesis 32, 21-32




Retomando onde fiquei na conversa anterior, dependendo do estágio da vida em que estamos, poderá chegar uma hora em que surgem dentro de nós poderes de uma latência tão poderosa, que se tornam patentes as obrigações de andar num caminho de retorno; e por mais que ainda engendremos dissimulações, que tentemos fazer gestão desse processo de reencontro, de volta, de retorno, por mais que preparemos caminhos presentes, por mais que façamos isso tudo, por mais que nos defendamos, por mais que venhamos apavorados, por mais que digamos "tomara que eu consiga passar, tomara que seja apenas uma experiência necessária, uma catarse psicológica, uma necessidade da alma para que eu me reconcilie com o meu passado, para que fique só nisso... sem nada mais profundo..." Tal coisa sairá do nosso total controle pela misericórdia de Deus.




Voltando a Jocob, o seu último acto é colocar a família do lado de lá, mas a angústia está tão grande, que ele larga todos e vai para a escuridão, para a escuridão de Jaboc, vai para o nada, desaparece, vai para um lugar onde ninguém o pode ver, ninguém o pode encontrar sob hipótese alguma. 




É ali naquele lugar de escuridão que vem ao encontro dele, Deus com cara de um homem, um anjo, e eles começam a lutar. A lutar forte e feio. A noite toda.




Quando o sol começa a nascer, o Anjo diz-lhe "deixa-me ir", e ele diz "não te deixarei ir se tu não me abençoares". 




Aí o Anjo pára e diz: "como é o teu nome?" Como se o Anjo não soubesse.




A luta toda era uma luta para curar o carácter de um homem, cujo nome era a expressão exacta do carácter dele. E ele disse: "o meu nome é Jacob - o meu nome é espertalhão..."




Aí o Anjo diz: "Já não te chamarás assim, mas de hoje em diante Israel, que quer dizer: Príncipe de Deus, pois com Deus e com os homens tu lutaste, e prevaleceste".




Mas antes que se diga que o abençoou ali, o Anjo tocou no nervo da coxa, e deslocou o tendão da coxa de Jacob.




Porque esta terceira geração vai ter de carregar essa marca do amor que fere, da graça que magoa, da salvação que nos faz coxear erectos para que as próximas gerações se lembrem e nunca mais comam do nervo da articulação da coxa, como um memorial eterno.




E quem acha que por ser filho de Abraão e de Isaque, e acha que carrega uma bênção por osmose, e que basta ter nascido daquele de quem nasceu e, por isso, pode andar em dissimulação, fazer o seu próprio caminho, engendrar os seus próprios planos, fazer a administração da proximidade ou da distância de Deus - como é a síndrome desta terceira geração - para a geração dela própria e para a salvação das que vêm, Deus frequentemente põe uma marca no nosso andar.




No vau de Jaboq estabeleceu-se o paradoxo dessa bênção espiritual, que é quando a vitória de Deus é ser vencido pelo homem e a vitória do homem é ser vencido por Deus, e quando tudo o que Deus quer é que o homem a Ele se agarre de tal forma que Deus não se possa livrar, e tudo o que o homem precisa é da bênção que o faça coxear, lembrando a vida inteira a quem ele pertence de facto.



Quem passou por esta experiência ou irá passar, dirá: "Hoje eu olho para o meu caminhar e vejo que coxeio, e muita gente diz "ali vai o coxo", mas eu sei o que vi, eu sei o nome deste lugar, eu sei que o nome deste lugar na minha alma se chama Peniel, porque lutei com Deus e Deus lutou comigo, e eu vi a Deus face a face e a minha vida foi salva".




Que os "netos de Abraão e os filhos de Isaque" não se tornem cínicos pelo caminho, antes sejam curados de toda a dissimulação, de todo o trauma de reservas ou de todo o desejo de fazer gestão; fiquem curados de todas as lembranças, de todas as overdoses e que tomem hoje a decisão de que o mundo começa a partir do atravessar desse "Vau de Jaboq" na sua alma, dessa noite só sua e de Deus, da escuridão desse encontro, desse conflito de Graça, e que as novas gerações sejam salvas na lembrança de que, nas nossas vidas, apesar de nós, nós nos engatámos com Deus e Deus nos abençoou e Ele nos salvou de nós mesmos, e nós vencemos Deus porque fomos vencidos pela bênção de Deus na nossa vida. 




E, se ficou alguma marca - e esta é uma geração que carrega marcas diversas: marcas familiares, marcas conjugais, marcas morais, marcas emocionais, marcas psicológicas - nenhuma delas nos impedirá de andar na direcção de todas as reconciliações que nós temos de fazer, e aqueles que nos assistiram verão o nosso coxear como uma liturgia do Amor de Deus, verão a marca que está sobre nós como um sinal da gravidade da Graça de Deus que não é barata, é gratuitamente cara porque para nós não custou nada, mas ela é o resultado do precioso sangue do cordeiro, como sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo. É uma graça que resulta da briga do Espírito Santo connosco, da revolta dos anjos por amor a nós, e que nós todos digamos: eu não te deixarei ir se tu hoje não me abençoares, e não abençoares a minha vida e a minha casa. Chega de escamotear, chega de fugir, chega de escorregar.
Vamos dizer sim a Deus!



7 comentários:

  1. Ler essas palavras aqui é lindo e sabes como permear com belas fotos ,natureza maravilhosa, flores, tudo obra dEle! beijos, chica

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, querida Chica. Beijos e bom fim de semana!

      Eliminar
  2. I love your beautiful spring flowers !!
    Gorgeous photos !!
    Happy May !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Thanks for the visit and for your words, Ela. Happy May to you too!

      Eliminar
  3. Please add a bookmark "Observers"!

    ResponderEliminar
  4. A vida é um sopro e nós pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco...
    Gosto das tuas fotos. Bjo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E, às vezes, na ânsia de sentirmos tudo, não pensamos nada... A vida é um sopro para todos, mas cada um tem a sua interpretação dela. Viver, seja como for, mas com alma. Sê feliz.

      Eliminar