
Mudámos há pouco tempo a nossa entrada porque quisemos disponibilizar um dos quartos, que era o nosso escritório/biblioteca. Agora não temos nenhum escritório, mas voltámos a ter um quarto para receber quem connosco queira vir partilhar os seus dias.
Adoro este móvel. Tem mais de quarenta anos. Era o móvel de parede do escritório onde o meu pai trabalhava em casa, divisão que depois passou a ser o meu quarto. Deixámo-lo como estava, com todas as marcas do tempo e só lhe demos uma demão de verniz para lhe dar um ar mais "limpo". O móvel ao lado também é antigo, feito especialmente para receber a enciclopédia luso-brasileira de que o meu pai tinha tanto orgulho e que eu tanto usei nas minhas pesquisas. Hoje é destronada pela internet, mas faz ali brilharete.
Em frente temos outro móvel cheio de livros, o móvel preferido da carraçita. É lá que também estão alguns dos trabalhos manuais dele mas principalmente, é lá que ele vai buscar os livros para as suas "pesquisas". Às vezes senta-se no chão, tira um e vai virando as páginas, falando baixinho, para si próprio. Adora os livros dos animais e quando me faz alguma pergunta que eu não sei responder, diz logo: "Olha... vai ali ao livro ver!" E lá vou eu.

Também gosto de janelas abertas! Sempre que posso, abro tudo. Adoro a luz a entrar, o vento a bater. Enganar-me e imaginar que lá fora ninguém vive com pressa, ninguém sente que a vida lhe passa ao lado, ninguém passa por cima de ninguém para chegar onde quer. Imaginar que todos se abraçam, que dialogam, que sentem que se morressem hoje morreriam felizes, que sentem a brisa a acariciar o rosto e sabem que não são donos da vida, por isso a respeitam.

É bom viver livre.