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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Martim Branco




















Parece que quem vê uma, vê todas, mas não é bem assim. Cada uma destas aldeias do xisto tem as suas especificidades e só visitando cada uma delas para se tomar consciência disso. 
A Martim Branco fomos no Domingo, assim de repente, numa daquelas decisões impulsivas que tornam tudo mais emocionante. O dia estava bonito. Mas frio. O caminho era o mesmo do da última aldeia que visitámos, portanto já nos era familiar. Até o restaurante onde almoçámos foi o mesmo, o que nos fez sentir em casa. E este é um bom sentimento...
A ideia era visitar Sarzedas. Não sei porquê, este nome atraía-me e o apelo para a visitar era grande. Mas nem saímos do carro. Não nos pareceu valer a pena enfrentar o frio para visitar uma aldeia bem preservada mas igual a tantas outras por esse país fora. Rumámos então a Martim Branco, por estradas a perder de vista, estradas longas, de bom piso, estreitas e ladeadas por paisagens lindas de muita vegetação e montes distantes. O que nos admirou ao longo da viagem foram as imensas lagoas que avistámos, tomando a vez dos poços que estamos tão habituados a ver. "Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso"... Já era tarde, o dia caía rapidamente, já tínhamos saído tarde de casa portanto também já era tarde naquele momento. Mas o importante mesmo foi aproveitar o momento, sem pressas e com alegria.
Martim Branco sim, já se nos apresentou a aldeia que procurávamos, pequenina, com o seu rio a atravessá-la, as casas de pedras, tudo muito limpinho e arrumadinho, animais domésticos a passearem pelos caminhos e a virem ter connosco para receberem mimos. Muito frio, naquela tarde, naquela aldeia. Foi uma visita curta. Mas valeu a pena. Um óptimo começo desta semana que antecede o Natal, na preparação para mais uma celebração em família.
E com Martim Branco fechámos o ciclo das 4 aldeias de xisto do grupo Tejo/Ocreza. Outras se seguem, de preferência com mais planeamento e tempo para evitar chegadas tardias e faltas de informação das especificidades da aldeia, que tanto enriquecem o nosso conhecimento. 
Desejo a todos que a semana esteja a ser calma, sem stresses, com alegria pela antecipação da grande noite e do grande dia.



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Figueira





















Sou o tipo de turista que viaja muito antes de chegar ao local. Sou do tipo que gosta de saber o que vai encontrar. Conhecer factos, histórias, tradições, curiosidades locais, permite-me viver mais intensamente o sítio que visito. Um pouco como reconhecer um velho amigo quando o reencontro.
E foi assim que partimos para a visita de mais uma das nossas aldeias históricas - Figueira - no concelho de Proença-a-Nova.
Chegados lá, confirmámos a presença dos incêndios do Verão passado, o que lhe deixou um ar de desolação. Mas o dia estava bonito, a temperatura agradável e o passeio fez-se sem sobressaltos, ao ritmo lento próprio de quem está sem pressa. Afinal era Domingo e a hora já tinha mudado para a hora de Inverno - mais uma coisa que parece ser eu a única a gostar. Anoitecer mais cedo apenas me convida ao recolhimento, ao dedicar o tempo a tarefas prazerosas. Pois são elas o nosso escape, o nosso acertar do ritmo interior. Acredito que sem os nossos pequenos prazeres, seríamos um relógio desacertado.
Figueira é um amontoado de casinhas em xisto, parte delas preservadas, com o ribeiro aos seus pés, sem a atravessar, como em Água Formosa. Os traços da vida rural são uma constante no forno comunitário, que ainda estava quente, nos alpendres cheios de palha, nos currais dos animais, nas "lojas" por baixo da parte habitada das casas e na espécie de ex-libris da aldeia: as cancelas de madeira que, em tempos idos, protegia cada rua/entrada da aldeia, da entrada dos lobos, o principal inimigo dos animais que eram o sustento da população.
A ideia era ter almoçado no restaurante típico, mas a lotação estava esgotada e o local para comer teve de ser outro e, embora num outro registo, também fomos bem servidos. Mas tive o privilégio de falar com quem me atendeu ao telefone, que foi de uma simpatia fantástica e que me fez começar a viagem muito bem disposta.
Tempo também para visitar um das praias fluviais perto - Fróia - que a carraça estava desejosa de ir a banhos. Claro, só na imaginação dele, que a tarde caía depressa, bem como a temperatura e banho, só no Verão!
Fizemos a viagem de regresso já noite. Deixámos a avó, que do alto dos seus 77 anos nos acompanhou e regressámos a casa, cansados da viagem, mas satisfeitos por tudo ter corrido bem!


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Água Formosa


















Primeiro dia de aulas, hoje. Primeiro dia em que a rotina irá começar a instalar-se para dar lugar a um ritmo mais direito, hábitos mais certos, horários estabelecidos. É bom. Gosto de sentir que posso saber com o que contar, minimamente. Por outro lado, acaba a liberdade de gerir o tempo e as actividades conforme as possibilidades. Mas tudo tem o seu tempo e lugar próprios e tudo é bom.
Setembro marca não só o início do ano lectivo, como também o início do objectivo a que me propus: conhecer as nossas 27 Aldeias do Xisto, maravilha para quem quer conhecer o interior mais tradicional e preservado do país. 
Escolhi Água Formosa como ponto de partida por ser a que se encontra mais perto de nós, e não desiludiu. 
O dia estava muito quente. 42º, apaziguados pela perspectiva de ir a banhos ali perto, no Penedo Furado, o que acabou por não se concretizar. Mas eu aproveitei o melhor que consegui diante das circunstâncias e sonho já com a próxima visita a uma outra aldeia.
Água Formosa fica num vale perto da água, como convém a uma população que precisa de sobreviver. E ali, tem de tudo para sobreviver. Pedra para construir uma casa, terra para semear e água para viver, sol para se alimentar - a aldeia está estrategicamente localizada de modo a ser banhada pelo sol durante grande parte do dia. A água ainda corre, apesar da seca. A população residente, escassa e envelhecida, cuida da sua terra e previne já o Inverno que aí vem, limpando a levada da erva que a quer dominar, limpa o forno comunitário que cozeu pão recentemente no forno rústico de palha e telhos, cuida das flores plantadas em vasos junto à fonte e cuida de outras coisas que não vi mas que acontecem, certamente, num ritmo pacato. 
O percurso à volta da aldeia não o fiz por completo - para meu desgosto - mas previa-se todo lindo por igual, mesmo debaixo do calor intenso.
O aglomerado de casas era um convite à vivência caseira e a vontade era entrar em cada uma. A maior parte apresentava-se bem tratada e cuidada. Os pequenos pátios e/ou varandas tinham mesas com cadeiras e flores coloridas para alegrar os momentos de descanso de quem pode usufruir do espaço com vista sobre a ribeira e a serra.
A loja estava fechada, as casas estavam fechadas, as ruas vazias, mas a horta estava regada e de quando em vez ouvia-se um barulho vindo de um lado qualquer, prova da habitabilidade do local.
Muito calor, mas muito bonito. Fez-me sonhar, como me faz sonhar todo e qualquer passeio que dou, porque a finalidade de um passeio é renovar as nossas doses de energia, esperança, força e alegria e voltarmos revigorados para casa.