quarta-feira, 6 de abril de 2011

Momentos únicos

Por entre rendas antigas, bancos já gastos pelo tempo, cestos por onde já passou tanto pão, raios de sol a inundar de vida cada canto, garrafas de feitios bonitos, cheiros de outrora, texturas de agora, sabores de sempre, pensamentos tão vários, emoções tão sentidas, esperanças tão firmadas, realizações tão esperadas, sorrisos serenos, olhares concentrados, saberes perdidos no tempo... vou fazendo os meus licores. Misturando ingredientes, juntando álcool aqui, açúcar ali, água por vezes, caroços, grãos, essências, cascas, sumos, frutos... Vou-me perdendo em reticências, em frases sem fim. Com o fim de proporcionar momentos de prazer únicos, numa degustação de sabores supremos em companhia suprema, em algum lugar supremo. É, fico assim quando faço os meus licores. Tenho até mais para dizer, mas não digo... só por hoje. Digo para a próxima. Por hoje fico-me pelo encantamento do momento.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O que estou a ler




E estou a adorar.

sábado, 2 de abril de 2011

Pensamento do dia

Já repararam que, muitas vezes, julgamos os outros pelas suas acções e a nós próprios pelas nossas intenções?

Desejo a todos um fim-de-semana muito feliz!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Depois dos queijinhos...

...vêm os amendoins. Há muito, muito tempo, tanto que nem me lembro quando foi a última vez, que não me sentava no sofá com uma taça de amendoins e os descascava para comer. Oh prazer quase esquecido e ressuscitado esta semana! Bom, mas bom. Descascar amendoins torrados, tirar-lhes a pele e trincá-los bem devagarinho, a saborear o momento... Já quase que tinha esquecido.

Mas pronto, cheguei à conclusão que comer amendoins é como andar de bicicleta: nunca se esquece.

terça-feira, 29 de março de 2011

Feliz, feliz, feliz

Eu era tão pequenina, mas ainda me lembro da minha avó materna fazer queijo fresco.
Tinha o curral da cabra lá por baixo, ao lado da divisão onde tinha o forno de lenha e onde fazia os famosos bolos dos Santos como só ela sabia fazer, apesar de na altura eu não ser grande apreciadora. Mas para lamber a massa, isso sim, era uma verdadeira gourmet. Lembro-me dela a tirar o leite da cabra para uma leiteira de barro e fazer o queijo, lá em cima no pátio, na entrada da casa. Era coberto, por isso estávamos à vontade, fizesse sol ou chuva. Lembro-me dos cardos e da linda cor lilás que eles têm e de apetecer roçar as pontas macias pela cara. Mas ela não deixava, ciosa dos seus queijinhos. No fim de prontos, pendurava alguns lá em cima, numa tábua pendurada do tecto, inacessível ao meu apetite insaciavel. Lembro-me de olhar lá para cima e ansiar pelo momento em que eles descessem até ao meu ávido estômago, mas só de vez em quando a minha avó se compadecia. Mas quando calhava, oh delícia. Lembro-me dos cheiros, dos sabores, do meu espírito observador que devorava e registava tudo o que via e sentia. Até hoje.

E hoje tive o prazer de provar o meu primeiro queijo fresco! Aqui em cima, ainda dentro da forma.
Aqui em baixo, vá lá, não gozem, o dito. Talvez lhe tivesse faltado mais coalho ou mais tempo de iogurteira, está assim meio desengonçado, mas é o meu queijinho. E depois de todo o soro escorrido, o sabor está todo lá!

Para comer simples ou com uma pitada de pimenta, como o meu pai me ensinou.


Sei que dá para fazer queijo fresco ao natural, cá fora, mas decidi experimentar fazer na minha iogurteira, que trazia as formas para fazê-lo. Seis formas, seis queijinhos deliciosos. Acho que vamos ter uma overdose de cálcio cá em casa. Queijo e iogurtes não faltam nunca por aqui. Seja como for, foi um prazer enorme ir encomendar o coalho na farmácia, comprar leite fresco na prateleira do supermercado e efectuar todo o processo aqui em casa, revivendo momentos passados e criando outros, novos, meus. Diferentes, mas com a mesma emoção e sabor.

domingo, 27 de março de 2011

Pensamento do dia

Tenham todos um óptimo Domingo, bem relaxado e alegre.

"Não tenhas medo de ser fraco,
Não tenhas orgulho de ser forte."

sexta-feira, 25 de março de 2011

As nossas tardes

Esta semana temos passado umas tardes de prazer, com o sol que resolveu visitar-nos. Depois do lanche, lá vamos nós um bocadinho ao parque andar nos baloiços e fazer macacadas nas cordas e nos varões. Depois segue-se o já invariável passeio pelo campo, aqui a dois passinhos de nós. Sabe tão bem. Não é muito amplo, mas para uma criança aquilo representa a selva, cheia de mato por desbravar, árvores frondosas, muitas formigas e formigueiros, joaninhas, melgas, escaravelhos, pássaros que não têm vergonha nenhuma e pousam mesmo ao pé de nós. O mato é só a erva alta que cresceu com a chuva do Inverno, as árvores frondosas pouco mais são do que oliveiras, mas a emoção é total.




Quando chego a esta parte do caminho, penso sempre em como a vida por vezes é assim: uma bifurcação. Quando nos são apresentadas duas ou mais escolhas, qual delas seguir? Nem sempre é fácil. Às vezes parecem ambas tão similares, outras ambas tão tentadoras,
outras vezes até gostaríamos de poder escolher as duas. Mas só uma é a escolha porque só conseguimos andar com as duas pernas num só caminho. Uma perna num caminho e a outra noutro torna o andar desajeitado e à medida que os caminhos se vão afastando um do outro torna-se humanamente impossível alargar as pernas por forma a continuarem a caminhar.



E no caminho de volta, tempo de olhar para cima e ver as andorinhas a esvoaçar por cima das nossas cabeças, levando consigo algo mais para acrescentar ao lar que estão a construir. E todos os dias vamos ver se o ninho já está maior. Este ninho é mesmo giro, é diferente; quando todos os outros são feitos de palhinhas, estas aves pretas de barriga branca resolvem ser diferentes e fazer um de barro. São uma lição de vida estas tardes. Para ele e para mim.