Domingo. Dia de abrandar. Dia de reconhecer as bênçãos. Dia de agradecer. Independentemente das circunstâncias da vida, há sempre algo pelo que ser grato.
- Ver a minha carracinha no seu momento zen, a ler um livro na maior descontracção. De vez em quando interrompia para me chamar e partilhar comigo alguma informação que lhe tinha despertado a atenção. E é tão bom vê-lo a ler um pouquinho, todas as noites, na cama, antes de apagar a luz para dormir. O meu lindo...
- Caminhar com o tempo cinzento. Adoro. E desta vez, tive a companhia do Simão, o Serra da Estrela semi-abandonado do lugar. Um matulão com o seu peso em meiguice e fidelidade.
- Assistir ao espectáculo do arco-íris. Desde pequena, sempre que vejo um, é um momento de alegria. E hoje, sei que ele reflecte a promessa da aliança que Deus estabeleceu com o Homem. E não há forma de me sentir mais segura e mais amada.
- Finalmente ver o escaparate pendurado na cozinha. Eu tenho as ideias, ele tem a habilidade e no fim, ambos ficamos felizes com o resultado do aproveitamento de materiais destinados ao lixo, que acabam como objectos úteis e bonitos.
- Bordar na varanda. Muito tenho bordado eu na minha varanda, nestas férias, faça chuva ou faça sol. Não importa o tempo. Importa sim aproveitar todos os momentos para continuar algo tão prazeroso e sereno e no fim... bonito também.
- Viajar à chuva. Adoro. Ainda mais quando a viagem apresenta a vantagem subentendida de renovar a perspectiva fechada de uma pessoa confinada a uma cadeira de rodas. Fazer a diferença na vida de alguém, ainda que seja pelo breve momento de uma tarde, tem um sabor sem igual.
- Ir às cilercas, embora depois de uma semana de chuva fosse difícil encontrar alguma. Foi o que aconteceu. Não encontrámos cilercas, mas encontrámos um caminho novo para uma caminhada fantástica pela natureza, respirando o ar fresco e puro do bosque, ouvindo o zumbido das abelhas que invadem o rosmaninho abundante e que tinge a paisagem de lilás, e o barulho forte da água a correr por baixo de nós, no ribeiro que rompe a terra com violência. Não há como a força e a suavidade da natureza para nos revigorar e colocar no nosso devido lugar...
- O pequeno almoço na varanda. Todos os dias. A minha refeição preferida do dia. É a que melhor me sabe. Demorada, saboreada, apreciada. Com ou sem companhia, não importa. Não tem preço.
- Pesquisar no computador e na vida real todo um mundo novo que se tem desvendado à minha frente desde que comecei a entrar mais em força nesta vida de campo. E em especial, aplicar todos os produtos que colhemos e outros à nossa disposição na natureza espontânea na culinária, manifestando-se tudo isto em verdadeiros actos de amor, que cada vez mais aprecio.