sábado, 22 de abril de 2017

Porto















Foi uma estreia, para ele, andar de comboio. Bom, na realidade, já tinha andado, mas ainda era muito pequeno para se lembrar. Então, esta foi uma estreia em grande, numa viagem de quase três horas, com direito a mudar de comboio uma vez, para dar mais emoção à coisa :)
Mas valeu a pena este dia das férias da Páscoa. Ele portou-se bem e o Porto revelou-se uma cidade muito agitada, cheia de gente que ia ao mesmo que nós: com muita vontade de conhecer.
Uma vez lá, os pontos marcantes foram muitos. Nomeadamente... Saídos da estação de S. Bento, rumámos à Sé. Lá, tirando todo o protagonismo à magnificência do monumento, um casal a dormir ao relento, lá em baixo numa rua sem saída, num canto encostado a um muro e cobertos por um edredon branco, que ofuscava com o sol. Ela, de boca aberta, parecia ressonar, ambos completamente alheios ao barulho ensurdecedor de pessoas, carros e artistas de rua que exibiam as suas habilidades musicais. Não sei o que atraía mais a atenção dos turistas: se o monumento, se o casal :)
O senhor estrangeiro que tocava saxofone. Como agradecimento pela moedinha colocada no estojo do instrumento pelo meu pequeno, tocou-lhe a música "eu perdi o dó da minha viola..." só para ele :)
O passeio sobre a ponte do metro, de cuja vista tirámos imenso partido. 
A descida do ascensor até à Ribeira. Fenomenal. E digo isto, porque não sei como não despencámos! É que, se a determinada altura a descida estava a ser suave, com uma inclinação aceitável, de repente fica a pique, dando a quase certeza de que iríamos cair. Ai, que sensação na barriga. Mas foi na Ribeira que almoçámos a nossa Francesinha, metade para cada um, que temos estômagos humanos e esse prato é apenas para valentes.
Depois da descida, a subida à Torre dos Clérigos. Suaaaada! Muuuuito suada! Muitas escadas para subir, muito calor, muita gente, um sufoco. Sim, a vista vale a pena, mas por favor, num dia mais fresco e sem tantas pessoas! O que realmente valeu a pena, para além do interior lindo da igreja, foi o som do órgão do séc. XVI que estava a ser tocado na altura. Momento único, grandioso, muito especial, sem dúvida.
Os dois rapazes que tocavam na rua com uns paus e tachos, e latas, e baldes e etc. Lindo, adorei! Muito, muito simpáticos, muito cúmplices nas batidas, um show completo. E especialmente lindo quando atraíram a atenção de um bebé de talvez 18 meses, que estava estupefacto com o barulho, mas que eles souberam cativar e pôr a dançar! Muitas palmas para o bebé, e que Deus abençoe quem sabe tocar assim, com tanta sensibilidade.
Ao fim do dia, tempo para acalmar o calor das caminhadas com um gelado artesanal numa esplanada de um café requintado e regresso a casa.
Foi apenas um dia, mas um dia memorável, o dia em que a minha carraça conheceu uma cidade grande do país :)

sábado, 15 de abril de 2017

Uma Páscoa Feliz para todos!




Uma frase que faz todo o sentido nesta quadra Pascal:

O mistério da dor: transformar 
feridas em bênçãos.



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Destas pseudo-férias














Alguém aqui notou a minha incerteza acerca das minhas férias antes destas começarem? Pois, eu cá tinha a minha razão... Férias? Só no calendário da empresa, porque na prática... Mas bom, não quero reclamar. Porque há quem precise e não tenha trabalho para poder gozar férias, há quem não as tenha, há quem não tenha saúde para as gozar e por aí fora, daí que ainda assim, eu seja uma privilegiada. E das férias retenho as poucas coisas boas que ainda consegui fazer: uma mala de crochet na execução de um ponto novo que aprendi, a ida a uma das "cidades grandes" do país que o pequeno queria muito conhecer (Porto - a eleita desta vez) e a visita à horta, onde já não ia há uma pequena eternidade. Apesar do calor, soube bem voltar a pôr o chapéu na cabeça e a enxada nas mãos para sachar as batatas. E das minhas deambulações pela horta, retenho uns dos melhores momentos dos últimos dias. Que muitos outros se sigam!


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Bom dia!




Para que serve a coragem, essa coceira que bate no miolo da vontade? Coragem serve para aceitar um convite. Serve para fazer as pazes com quem, por algum motivo menor, nos distanciamos. Serve para entregar o bilhete aéreo e deixar para trás um amor, aos prantos, no saguão do aeroporto. Serve para queimar os dedos no azeite quente ao colocar as cebolas para dourar. Serve para trabalhar com algo que nunca se trabalhou antes. Serve para carregar uma bandeira. Serve para o diálogo. Coragem serve para banhos: de chuva, de cachoeira, de mar, de rio. Ela está lá no instante em que dizemos sim ao novo. E quando estamos abertos ao novo, ele entra sem bater. O novo, quando é de casa, chega no meio da noite, na hora do almoço, logo cedo, em pleno final de semana. O novo, se for bem recebido uma vez, volta.
| pedrinho fonseca |

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os meus olhares, esta manhã










Depois de ir ter ido pôr o piqueno à escola, de manhã, saí com o objectivo de fotografar plantas selvagens que crescem à beira dos caminhos, para poder fazer um estudo mais "aprofundado" das espécies que ainda não identifico bem, com a ajuda de um livro antigo que tenho comigo e que fala dos segredos e virtudes das plantas medicinais, sendo este mesmo o título do livro. 
O ar estava fresco e limpo, ainda um pouco húmido do orvalho caído durante a noite e este meu primeiro dia útil de férias não podia ter começado da melhor maneira. Com ar leve e cheiro fresco e pedaços de paisagem avassaladora... pelo menos para mim :)


sábado, 1 de abril de 2017

Na minha mesa, esta semana




Na minha mesa, esta semana, estiveram mais ovos, a nova edição de Abril da Country Living, as lãs que retomei e os sapatos novos que adquiri. Esteve também um punhado de sol e calor, admiração das minhas plantas e um pouco de abrandamento, a antecipar as férias que, creio, vou ter. Só coisas boas, portanto.
De facto, a Primavera trouxe consigo novos dias de sol e calor e com isso, mais cor, mais energia, mais alegria, mais flores, mais promessas e mais projectos. As galinhas estão também contentes, vê-se pelos ovos diários que nos dão, proporcionando guloseimas e omeletes com aquilo que a horta dá. Também a nova edição da Country Living me promete momentos de sonho e de relaxe a admirar as cores, as composições, os projectos e os testemunhos de quem vive do campo e para o campo e de quem vive daquilo que as suas mãos produzem, a lembrar que as coisas simples são tudo menos simples, pois são as mais importantes e marcantes da nossa vida. Esta semana voltei também a alguns dos trabalhos que tinha pendentes. A luz do sol e as saudades tremendas que já tinha de trabalhar com as mãos em algo bonito fizeram-me descansar na evolução da minha mantinha de Outono e no gradual esvaziar do cesto da costura, fazendo remendos em roupas que se querem duradouras. E finalmente, a minha nova aquisição, marcante para mim. Fruto de uma visão frugal da vida, visto e calço muito do que me dão, sendo que só me dão coisas boas e que tinham como destino o lixo, ao qual eu digo não, que não faz sentido deitar coisas boas para o desperdício, eu uso, então. Por isso me sabe tão bem quando compro algo para mim, e só compro o que me faz falta ou que desejo muito, tornando as minhas compras algo consciente e apaixonante. É o que acontece com estes sapatos. Estou perdidamente apaixonada por eles! :)) E o que os torna mais especiais, é o facto de lhes conhecer um pouco da história. E como eu adoro histórias bonitas! Comprei-os numa feira dos produtos da terra, num stand que pertencia a dois jovens que adquirem as peles para confeccionarem os sapatos e os entrega a um outro jovem que, de uma fábrica de sapatos falida, comprou as máquinas básicas para os poder coser e assim, em conjunto, formarem um negócio que não sei se será rentável, porque tudo neste país é difícil nesta área (só nesta, claro! - grunf), mas desejo muito que o seja, porque adoro gente que ainda tem coragem de abraçar projectos artesanais. Desejo-lhes toda a sorte do mundo, para estes e para todos os destemidos por esse mundo fora.
Neste lado do globo, que todos possamos aproveitar bem esta Primavera, e que ela seja o concretizar de muitos sonhos bonitos!
Do outro lado, desejo o mesmo para todos os que estão a viver o Outono :)


segunda-feira, 27 de março de 2017

Boa noite!










Quem não ouve a melodia, acha maluco quem dança.

Saint-Exupéry

sábado, 25 de março de 2017

Sobe, poço, e vós cantai dele! II



Gostaria de terminar a nossa conversa sobre Moisés, lembram-se?
Ficámos em Moisés ter ensinado o povo, ele próprio, a fazer nascer poços no deserto, sem depender de terceiros.
Retomo a passagem da Bíblia relativa a esta conversa:

"E dali (Moabe) partiram para Beer; este é o poço do qual o Senhor disse a Moisés: Ajunta o povo e lhe darei água. (Então Israel cantou este cântico: Sobe, poço, e vós cantai dele: Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo e o legislador com os seus bordões.) E do deserto partiram para Matana;" - Números 21, 16-18



Tal como Moisés fez para com o seu povo, há tempos em que precisamos de alguém que fira a água e nos traga livramentos; que abra mares e nos ajude a passar; que ore e Deus faça vir provimentos, codornizes e manás; que indique caminhos, que mostre soluções.




Mas mesmo esse que seja o mediador de tantas coisas importantes da graça de Deus na vida do povo é somente um ser humano e tem o seu limite; carrega, nas soluções que traz, a sua própria tentação e a sua própria sina; carrega, na graça que produz, a sua própria fragilidade. Na mesma medida em que ele é instrumento das águas, ele é tentado por elas. Na mesma perspectiva em que ele traz soluções pela água, ele traz complicações pessoais pelo cansaço de trazer água, mas ele mesmo não ter, jamais, a sua sede dessedentada pelo descanso. E na sua canseira ele tropeça nas soluções que traz. Isto, do ponto de vista de Moisés.



Do ponto de vista do povo, chega a hora em que cada um tem que aprender a fazer evocações ao chão do deserto, com o coração nos céus e os olhos no chão; tem que aprender a desenvolver a inspiração que não depende de ninguém nem de um terceiro. Isto é o crescimento da consciência individual e colectiva e que tem de chegar ao nível capaz de aprender a fazer poços no deserto; e a fazê-los sem que os baptize com nome especial; e a fazê-los com a consciência de que no deserto só fazemos poço quando cavamos com louvor e gratidão.




Muitos de nós já nos acostumámos a ter sempre ajuda de pessoas - e isso é natural; a ter a ajuda de alguém mais sábio, alguém mais maduro, alguém mais experiente, alguém mais enraizado na fé, alguém com mais consciência, alguém com mais história, de uma certa liderança e visibilidade que produz encaminhamento.


Tudo isso é normal, mas tudo isso tem um tempo. Todo o Moisés morre. Todo o ser tirado das águas pode tropeçar nas águas. Nenhum de nós é chamado para permanecer dependente de um único, pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem. E também porque Jesus nos disse: "Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai". E já dissera também: "Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva".




Já entrámos numa era onde nenhum ser humano é chafariz de todos os demais; onde nenhum Moisés, de tanto que serviu, se canse de servir e peque, no acto de servir. Já entrámos numa era em que está dito que cada um daqueles que crêem em Jesus, segundo a Escritura, do seu interior fluirá Beer, o poço, a fonte das águas da vida.



Que possamos ter a alegria de olhar e dizer que os príncipes do povo, todos, se reuniram; e que o povo todo aprendeu a reunir-se; e que todo o povo de Deus aprendeu a cantar junto: "Sobe, poço, e vós cantai dele. Sobe, poço, e vós cantai dele: Tu, poço, que cavaram os príncipes, que escavaram os nobres do povo e o legislador com os seus bordões.Sobe, poço, e vós cantai dele." Que cada um aprendeu, pela fé, a abrir poços, com canções, com poesia, com louvor; com essa fé que faz um ceptro sair da nossa boca, das palavras da positividade do nosso ser grato e confiante na providência de Deus. Que por tal ceptro de palavra e de fé, de alegria, de gratidão e de confiança, cada um de nós aprenda a cantar para os céus, fazendo uma poesia que rasgue o chão. E que do chão da nossa vida, conforme a nossa necessidade, brote o poço da misericórdia de Deus, bem diante de nós.




Que cada um de nós possa aprender hoje, possa começar a exercitar agora, possa entender que no deserto só abrimos poços quando os cavamos com louvor, com gratidão, com confiança desamargurada, com alma cheia de poesia aos céus.




Agora, sobe, poço, e vós cantai dele! Vais voltar para o teu deserto? Vai, mas vai a cantar. E não cantes apenas para dentro, tem a coragem de cantar para fora, também. Louva! Louva na mente, louva com o coração, louva com atitudes, louva com pensamentos: Sobe, poço! Sobe, poço! E vós cantai dele!




Sem nos isolarmos e continuando a reunir-nos com os nossos próximos na fé. Sabendo que eu individualmente cavarei os meus poços; e sabendo que nós, conjunta e colectivamente, também nos reuniremos para cantar aos céus, enquanto olhamos para o chão da realidade; e, juntos, abrimos poços de louvor que vão dessedentar a sede de todos nós. Em nome de Jesus :)