Foi uma estreia, para ele, andar de comboio. Bom, na realidade, já tinha andado, mas ainda era muito pequeno para se lembrar. Então, esta foi uma estreia em grande, numa viagem de quase três horas, com direito a mudar de comboio uma vez, para dar mais emoção à coisa :)
Mas valeu a pena este dia das férias da Páscoa. Ele portou-se bem e o Porto revelou-se uma cidade muito agitada, cheia de gente que ia ao mesmo que nós: com muita vontade de conhecer.
Uma vez lá, os pontos marcantes foram muitos. Nomeadamente... Saídos da estação de S. Bento, rumámos à Sé. Lá, tirando todo o protagonismo à magnificência do monumento, um casal a dormir ao relento, lá em baixo numa rua sem saída, num canto encostado a um muro e cobertos por um edredon branco, que ofuscava com o sol. Ela, de boca aberta, parecia ressonar, ambos completamente alheios ao barulho ensurdecedor de pessoas, carros e artistas de rua que exibiam as suas habilidades musicais. Não sei o que atraía mais a atenção dos turistas: se o monumento, se o casal :)
O senhor estrangeiro que tocava saxofone. Como agradecimento pela moedinha colocada no estojo do instrumento pelo meu pequeno, tocou-lhe a música "eu perdi o dó da minha viola..." só para ele :)
O passeio sobre a ponte do metro, de cuja vista tirámos imenso partido.
A descida do ascensor até à Ribeira. Fenomenal. E digo isto, porque não sei como não despencámos! É que, se a determinada altura a descida estava a ser suave, com uma inclinação aceitável, de repente fica a pique, dando a quase certeza de que iríamos cair. Ai, que sensação na barriga. Mas foi na Ribeira que almoçámos a nossa Francesinha, metade para cada um, que temos estômagos humanos e esse prato é apenas para valentes.
Depois da descida, a subida à Torre dos Clérigos. Suaaaada! Muuuuito suada! Muitas escadas para subir, muito calor, muita gente, um sufoco. Sim, a vista vale a pena, mas por favor, num dia mais fresco e sem tantas pessoas! O que realmente valeu a pena, para além do interior lindo da igreja, foi o som do órgão do séc. XVI que estava a ser tocado na altura. Momento único, grandioso, muito especial, sem dúvida.
Os dois rapazes que tocavam na rua com uns paus e tachos, e latas, e baldes e etc. Lindo, adorei! Muito, muito simpáticos, muito cúmplices nas batidas, um show completo. E especialmente lindo quando atraíram a atenção de um bebé de talvez 18 meses, que estava estupefacto com o barulho, mas que eles souberam cativar e pôr a dançar! Muitas palmas para o bebé, e que Deus abençoe quem sabe tocar assim, com tanta sensibilidade.
Ao fim do dia, tempo para acalmar o calor das caminhadas com um gelado artesanal numa esplanada de um café requintado e regresso a casa.
Foi apenas um dia, mas um dia memorável, o dia em que a minha carraça conheceu uma cidade grande do país :)