
Foi com o meu pai que peguei o bichinho das descobertas. Ele levava-nos aos sítios e connosco descobria os locais a explorar. Vimos sítios interessantíssimos, ruínas de ofícios já esquecidos e lugares de belezas sem igual.

Tenho tantas saudades deste lado do meu pai... E do seu humor apurado. E de outras coisas que não tive oportunidade de conhecer... Mas não é disso que quero falar aqui hoje.

Quero falar do prazer de continuar a fazer descobertas. E de, numa curva da estrada por onde ainda não tinha passado, descobrir este solar. Fiquei boquiaberta. Em ruínas, mas ainda majestoso.

Imponente na sua essência, subimos a escadaria meio coberta pelas silvas, admirámos a paisagem, a fachada, o sol da tarde a iluminá-la e entrámos.

O soalho de tábuas corridas estava já roto em alguns sítios. Os tectos eram trabalhados, mas a minha máquina resolveu amuar e não consegui tirar fotos do interior com qualidade.

Não percorremos todo o interior. A minha audácia já não é o que era, e o medo de despencar por ali abaixo até ao piso térreo, o medo de ser descoberta por estar a invadir um local privado, os arrepios causados pelas divisões frias e escuras, fizeram-me ficar por ali e ficar apenas com um vislumbre do que terá sido aquele casarão e do que ainda é. E das suas potencialidades.

Não pude deixar de lamentar a degradação a que estava votado todo este património. E ali, no cima da escadaria, a ver a paisagem e o sol a pôr-se ao som dos passarinhos que cantavam melodias lindas e livres, pus-me a imaginar como seria aquela casa reconstruída, com gente a entrar e a sair, a usufruir de todo o seu esplendor e de toda a sua potencialidade. Voltei com o vazio da impotência de não poder fazer nada por aquele local, mas voltei com a esperança de que haja alguém com visão e poder para o devolver à vida que merece.