quarta-feira, 29 de junho de 2011

Desabafos

Está quase a completar 10 anos que eu e o meu marido voltámos do Desafio Jovem. Desafio Jovem, para quem não sabe, é uma instituição cristã de apoio à toxicodependência. Decidimos parar a nossa vida habitual, deixar a cidade e os projectos que tínhamos, para dedicar a nossa vida a ajudar quem precisa de ajuda. Ficámos só um ano. Um ano de voluntariado, um ano de muitas experiências, um ano muito enriquecedor, um ano de muitos e bons conhecimentos pessoais, um ano de algumas vidas transformadas e um ano de muito trabalho!
Um ano que culmina sempre com a Conferência do Desafio Jovem, o ponto "alto" do ano (e ponho alto entre aspas apenas por ser o mais mediático), que ocorre anualmente no final de Julho. Muita preparação, muito trabalho de montagem, de logística, de tudo! Após um ano intensivo de pequenas conferências, visitas a hospitais, prisões, cafés convívio (onde se tenta resgatar toxicodependentes da rua), muitas visitas, muito trabalho prático com a cozinha, lavandaria, oficina de artesanato, carpintaria, serviços na igreja, campanhas de rua, campanhas por todo o país na grande tenda Vida Nova e sei lá que mais, e com o calor que sempre se faz sentir por esta altura, o que apetecia mesmo eram umas férias restauradoras. Mas não. Ainda tínhamos a Conferência pela frente. A líder da nossa equipa, a Mimmi, uma sueca especial que integrou a nossa equipa alguns anos antes e que por cá ficou depois de encontrar o homem da sua vida, liderava quase todas as manhãs o nosso tempo de equipa. Era um momento que tínhamos logo cedo para cantar, partilhar e orar. Vendo o nosso cansaço e no intuito de nos tentar animar, partilhou algo connosco nesta fase final.
Disse-nos que estava cientificamente provado que, quando o ser humano pensa que já chegou ao limite das suas forças, tem capacidade para aguentar, física e emocionalmente, mais 60% daquilo que já está a aguentar! Científico ou não, o engraçado é que muitas vezes a minha irmã, em conversas, costuma dizer que "Deus não nos dê aquilo que nós conseguimos aguentar". Não o diz com base em grandes conhecimentos cientificamente comprovados, mas com base na sua experiência de hospitais e de histórias que com ela são partilhadas.
Tudo isto para quê?
Para dizer que muitas são as lutas da vida. Mas muitas também são as nossas forças. Choramos hoje porque nos dói, mas a nossa dor pode ser ainda maior amanhã. E se for, é porque a conseguimos suportar.
E no meio de tudo isto, tudo o que sei é que Deus não permite que venha à nossa vida mais do que aquilo que conseguimos aguentar. E juntamente com a dor, Ele traz também o consolo, para que aquilo a que chamamos de insuportável possa ser um pouco mais suportável.
Claro que quem não acredita nisto, pensará que o que acabo de escrever são psicologias baratas para sustentar o que não tem explicação, ou a tê-la, será revestida de um carácter mais complicado e científico. Cada um é livre de pensar por si. Eu creio nisto porque, mais do que psicologia, isto é vida em mim. E isso basta-me.
E por hoje já fiz o meu desabafo...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Numa tarde fresca de Sábado, demos mais um dos nossos passeios. Este foi longo, mas ele nunca se cansou e fez inúmeras paragens para brincar, para falar, para descobrir. O único contra, do ponto de vista dele, foi termos de ir para casa, que já se fazia tarde e o pai estava quase a chegar. Nesta tarde fresca de Sábado, é a minha carraçinha quem vai alegrar as memórias deste dia, daqui a muito tempo.






sábado, 25 de junho de 2011

Dor e alegria

Na infância, é natural sentirmos dores. São as dores do crescimento, como lhes chamamos. Pois é, crescer dói. E assim é com a alma. De facto, a alma não cresce sem dor, mas também não se mantém sem alegria.

Daí que Jesus nos disse que iríamos ter muitas aflições, mas também nos pediu para termos bom ânimo porque Ele venceu o mundo. E no meio das aflições, Ele prometeu dar-nos uma alegria que o mundo não conhece, uma alegria que o mundo não nos pode dar, mas que também não pode tomar de nós. Assim seja.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Nesta manhã...

... em que o sol entra pela janela sem pedir licença, esbatendo tudo o que encontra pelo caminho com os seus raios, relembro algo que li num livro há uns anos.

_ Qual o sentido da vida? _ perguntou o discípulo ao rabino.
Ao que o rabino respondeu:
_ Essa é uma pergunta tão maravilhosa! Porque haverias de trocá-la por uma resposta?

Desejo a todos mais um dia feliz, sem pressas e sem nuvens. Tudo virá no tempo certo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Catavento e figos




Apanhámos muitos figos ao som do catavento, que o sogrinho insiste em chamar de tremela. Temos figos saborosos para dar e vender e fazer as delicias da carraçinha, que se alegra todo só de andar no campo. Momentos de puro prazer.

domingo, 19 de junho de 2011

Festa

No início do mês celebrámos mais um aniversário das sobrinhas. Como tem sido ultimamente, vamos para casa da avó paterna delas, uma casa simples, no campo, mas recheada de objectos íntimos que fizeram história no país e a história desta família numerosa. Aqui, pode brincar-se à vontade, escalar o monte no pinhal e jogar à bola no largo. O pior é quando, com tanta brincadeira, se parte alguma coisa. E, invariavelmente, em dia de festa há sempre alguma coisa partida. Motivo de desgosto para a avó, mulher de um coração enorme mas do tamanho da língua que, quando furiosa, se abre em impropérios e pragas. Habituados, encolhemos os ombros e conseguimos ver graça em toda a situação. Ela é que não, coitada, cheia de brio pelos seus objectos guardados ao longo do tempo e limpos e cuidados diariamente como se de membros da família se tratassem. Mas está-se sempre tão bem aqui...















sexta-feira, 17 de junho de 2011

Selva de pedra

Nascem no meio das nossas calçadas. De aparência delicada, conseguem romper pedra e resplandecer. Ao brotarem, trazem consigo mensagens.

Dão-nos conta da beleza simples mas tão fortemente colorida no meio do cinzento de uma cidade. E enternece-nos perceber que ainda somos sensíveis à beleza.
Dão-nos conta do quanto esta natureza está deslocada no meio da crescente selva escura.
E dão-nos o recado precioso de que a natureza é a mais forte. Sempre. E não há nada que possamos fazer para a suplantar. Não seremos os vencedores. Afinal, quando cá chegámos, já ela existia. Já tudo existia. Podemos ter sido a obra-prima de Deus, mas antes de Ele nos criar, já tinha criado todas as outras coisas. É verdade que Ele também nos deu domínio sobre todas elas. Mas dominar é como gerir. Se a gestão não for feita com responsabilidade, a falência é certa.

Pessoalmente, apesar de ver beleza nestas florzinhas, não me conformo em vê-las despontar no meio da calçada. Alegro-me infinitamente mais em vê-las crescer em liberdade no meio do campo, no meio da terra, no meio da vegetação, pouso para as borboletas, alimento para as abelhas, alegria para os pássaros, cama para os raios de sol e amparo para o orvalho da manhã. E se eu puder morar ao lado delas, não precisarei de mais nada.