sábado, 25 de junho de 2011

Dor e alegria

Na infância, é natural sentirmos dores. São as dores do crescimento, como lhes chamamos. Pois é, crescer dói. E assim é com a alma. De facto, a alma não cresce sem dor, mas também não se mantém sem alegria.

Daí que Jesus nos disse que iríamos ter muitas aflições, mas também nos pediu para termos bom ânimo porque Ele venceu o mundo. E no meio das aflições, Ele prometeu dar-nos uma alegria que o mundo não conhece, uma alegria que o mundo não nos pode dar, mas que também não pode tomar de nós. Assim seja.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Nesta manhã...

... em que o sol entra pela janela sem pedir licença, esbatendo tudo o que encontra pelo caminho com os seus raios, relembro algo que li num livro há uns anos.

_ Qual o sentido da vida? _ perguntou o discípulo ao rabino.
Ao que o rabino respondeu:
_ Essa é uma pergunta tão maravilhosa! Porque haverias de trocá-la por uma resposta?

Desejo a todos mais um dia feliz, sem pressas e sem nuvens. Tudo virá no tempo certo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Catavento e figos




Apanhámos muitos figos ao som do catavento, que o sogrinho insiste em chamar de tremela. Temos figos saborosos para dar e vender e fazer as delicias da carraçinha, que se alegra todo só de andar no campo. Momentos de puro prazer.

domingo, 19 de junho de 2011

Festa

No início do mês celebrámos mais um aniversário das sobrinhas. Como tem sido ultimamente, vamos para casa da avó paterna delas, uma casa simples, no campo, mas recheada de objectos íntimos que fizeram história no país e a história desta família numerosa. Aqui, pode brincar-se à vontade, escalar o monte no pinhal e jogar à bola no largo. O pior é quando, com tanta brincadeira, se parte alguma coisa. E, invariavelmente, em dia de festa há sempre alguma coisa partida. Motivo de desgosto para a avó, mulher de um coração enorme mas do tamanho da língua que, quando furiosa, se abre em impropérios e pragas. Habituados, encolhemos os ombros e conseguimos ver graça em toda a situação. Ela é que não, coitada, cheia de brio pelos seus objectos guardados ao longo do tempo e limpos e cuidados diariamente como se de membros da família se tratassem. Mas está-se sempre tão bem aqui...















sexta-feira, 17 de junho de 2011

Selva de pedra

Nascem no meio das nossas calçadas. De aparência delicada, conseguem romper pedra e resplandecer. Ao brotarem, trazem consigo mensagens.

Dão-nos conta da beleza simples mas tão fortemente colorida no meio do cinzento de uma cidade. E enternece-nos perceber que ainda somos sensíveis à beleza.
Dão-nos conta do quanto esta natureza está deslocada no meio da crescente selva escura.
E dão-nos o recado precioso de que a natureza é a mais forte. Sempre. E não há nada que possamos fazer para a suplantar. Não seremos os vencedores. Afinal, quando cá chegámos, já ela existia. Já tudo existia. Podemos ter sido a obra-prima de Deus, mas antes de Ele nos criar, já tinha criado todas as outras coisas. É verdade que Ele também nos deu domínio sobre todas elas. Mas dominar é como gerir. Se a gestão não for feita com responsabilidade, a falência é certa.

Pessoalmente, apesar de ver beleza nestas florzinhas, não me conformo em vê-las despontar no meio da calçada. Alegro-me infinitamente mais em vê-las crescer em liberdade no meio do campo, no meio da terra, no meio da vegetação, pouso para as borboletas, alimento para as abelhas, alegria para os pássaros, cama para os raios de sol e amparo para o orvalho da manhã. E se eu puder morar ao lado delas, não precisarei de mais nada.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Eu

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Os versos acima, escritos com o heterónimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do livro "Fernando Pessoa - Obra Poética", Cia. José Aguilar Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 418.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Foi assim, na minha rua









Ontem realizou-se mais uma Saída das Coroas e desta vez passaram na nossa rua. Talvez não tenha tido o mesmo impacto das ruas históricas, com as suas casas antigas e ruas estreitinhas, mas muitas pessoas puseram as suas colchas mais bonitas à janela, outras enfeitaram-nas com flores de papel. E quando o cortejo passou, muitos vieram para a rua ver, bater palmas e atirar papelinhos coloridos. Está quase a acontecer, a nossa Festa dos Tabuleiros!