quarta-feira, 1 de junho de 2011

Falar e fazer

O final de Maio e o mês de Junho é uma época de muitos aniversários. E para "variar", esqueço-me de praticamente todos no próprio dia, só me lembrando alguns dias depois. Vá lá, deste só me atrasei um dia. Foi uma boa conversa com a minha amiga Fernanda, colega da universidade e amiga especial. Mesmo longe, tentamos permanecer perto.

Juntas rimos bastante e vivemos muitas aventuras. Muitas conversas, muitas partilhas, e já lá vão um carradão de anos. Mas por vezes a vida não está para brincadeiras e nessas alturas é preciso não desanimar. E ter esperança.

E foi ela mesma quem terminou a conversa, pouco antes da despedida. "Temos de confiar em Deus. Eu sei que é bem mais fácil falar do que fazer. Mas esta é daquelas coisas que é melhor fazer do que falar." E fez-se luz. Pois é... Sem saber, fazemos poesia e escrevemos a vida. Foi muito bom ouvir isso.
Parabéns atrasados mais uma vez e já agora, como vem sendo hábito aqui na blogland, ofereço-te estas flores, do campo, cheias de cor e cheiro suave. E continua sempre nessa confiança.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Orelhudos


Orelhudos é o nome destes bolinhos que fiz ontem para a sobremesa. Orelhudos porque, depois de cortar parte do centro para encher com o creme, esse centro é cortado ao meio e colocado dos lados para aparar o creme, dando a impressão de orelhas. Era também suposto levar um pedaçinho de cereja no topo, mas confesso, já as tinha comido todas! E mais houvesse, porque por muitas que sejam, cerejas são sempre poucas...
Estavam bons. Mas bom mesmo, foi todo o almoço. Somos só os quatro, como geralmente acontece no almoço de Domingo. O sogrinho e os três cá de casa. Mas as refeições são sempre animadas. Conversamos coisas sérias, coisas engraçadas, rimos, reflectimos, brincamos, fazemos planos, trocamos ideias, debatemos... E hoje foi mais prolongado do que o costume. É que, chegada a hora de ir ao cafézinho da praxe, houve um impedimento: a chuva, que começou a cair copiosamente. Oh que chato, já estávamos prontos para ir e prontos para ir ouvir o sermão do Sr. Xico, que de certeza não se ia inibir nada de dar uns puxões de orelhas no tisoiro.
Eu conto porque, quanto mais não seja, daqui a uns tempos, eu vou divertir-me muito a relembrar toda a cena. Na Sexta-feira de manhã, o tisoiro foi lá comprar pão. Normal, quando o pão falta e eu não tenho feito e/ou congelado. Pouco depois, depois de ele já ter saído para o trabalho e de eu estar quase a sair para o meu, deparei-me com a situação da falta de gás. E como a companhia do gás natural ainda não quis nada connosco, fui eu comprar a botijinha da ordem, no mesmo café. E o Sr. Xico fica a olhar para mim enquanto lhe faço o pedido: "Tá boa. Quer dizer, o marido vem buscar o pão, a mulher vem buscar o gás. Tá certo. Só eu é que nunca tenho sorte nenhuma com as mulheres." E a seguir um carradão de impropérios, como só o Sr. Xico, senhor para quase 70 anos, baixinho, careca e olhar malandro e enérgico sabe fazer. Ia morrendo a rir e o tisoiro também, quando lhe contei, mais tarde.
Mas não, ontem não fomos ao café. Tomámos em casa mesmo. E que bem que soube. O sogrinho tomou o habitual carioca, que lhe soube que nem ginjas. Com o cheirinho, pois tá claro, que já se é demasiado velho para se mudar de hábitos. E já agora, porque não o meu último licor, de erva-doce, que por acaso está de se lhe tirar o chapéu? Tudo isto entre amenas cavaqueiras, pássaros para aqui, autobiografias para acolá, mais horta daqui, mais histórias antigas d'acolá. E em paz, assim fizemos a festa toda.

sábado, 28 de maio de 2011

Sol da manhã





Adoro o sol da manhã a entrar pela casa dentro sem pedir licença e inundando tudo com a sua luz clara e límpida. Adoro as manhãs. Por mais escura que seja a noite, o começo de um novo dia traz sempre consigo a renovação da esperança e a promessa de que qualquer coisa na vida tem solução. E assim seja.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Em Maio canta o gaio

O Borda d'Água é já uma referência na nossa cultura e na nossa sociedade. Há anos em que calha comprar e no final do ano passado comprei o referente a este ano. Adoro passar os dedos pelas folhas rugosas e perceber que algumas têm de ser cortadas com a faca porque ainda vêm agarradas umas às outras como se de um desdobrável se tratasse.

Em Maio canta o gaio. Sinceramente, não me lembro já do canto do gaio, mas do melro, não me canso. Este ano eles têm poiso certo no quintal do sogrinho que, indignado, não percebe porque é que eles não voltam a fazer o ninho na latada à entrada da casa. Bom, eu até percebo porquê. Afinal, o dono dessa latada teve a infeliz ideia de num ano destes roubar os ovos do ninho dos coitados para tentar fazer criação. Lá porque eles têm um cérebro pequenino, não quer dizer que sejam completamente desprovidos de inteligência! É um encanto o canto deles.
E com as referências ao mês de Maio também fiquei a saber que este é o mês de transferir a aboboreira que a carraçinha semeou lá num vasinho pequenino para um maior, onde ela possa crescer à vontade para eu poder fazer doce de abóbora. Será que dá? Vamos ver... Estes são os planos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Liberdade

Liberdade também é... não ter o pensamento engaiolado.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pura alegria

Nunca pensei que um simples elogio a uma pázinha de doce pudesse fazer isto. Momentos de pura excitação e gozo antecipado. A foto de cima foi tirada mesmo assim, sem ter aberto primeiro, a sentir aquele formigueiro da ansiedade e do carinho demonstrado para comigo.




Fiquei tão emocionada com tantos mimos. Não só veio a pázinha, como uma colher para mexer o sumo da minha riqueza (e acreditem, até a água ele vai querer mexer a todas as refeições!), um coração e um paninho bordados, ambos feitos pela Norma, uma pessoa ultra carinhosa que conheci por aqui. E ainda um bilhete cheio de amor e humildade. Não há melhor. A sério que não tenho palavras. E para quê? Eu creio que muitas vezes elas são desnecessárias quando se fala a mesma linguagem do coração. Obrigada por tanto carinho, Norminha.

domingo, 22 de maio de 2011

Domingo

Hoje foi um dia em grande. Pelo menos para a carraçinha. Acordou super-bem-disposto. E todo animado, porque logo de manhã me viu a preparar o coelho para deixar a marinar para o almoço. Adorou ver tudo, sobretudo os rins, pulmões, fígado, coração, olhos, dentes e língua. Que excitação. Depois veio a sessão de cinema. "A ilha do Impy", um pequeno dinossauro numa ilha com poucos habitantes mas com muitas aventuras. Ainda por cima, visto ao lado do amiguinho da escola. Que farra. Depois o almoço com o avô, que teve de ouvir as aventuras deste dia já looongo, apesar de ainda ser manhã. Depois mais uma visita à avó. Desta vez com direito a explorar a horta do namorado dela.

E ainda tivemos a surpresa de nos depararmos com um periquito à solta, a descansar no ramo da romãzeira. Tão sossegadinho, parecia aquilo uma imagem corriqueira cá por estes lados.

Na horta, à beira do ribeiro com agriões, tempo para apanhar caracóis.

E admirar as vistas.

E ouvir os badalos das cabritas que, ao nos verem ao longe, vieram todas doidas por aí acima à espera que tivessemos algo mais saboroso para elas comerem do que aquela erva boa mas chata de todos os dias. Chegadas cá acima foi o desencanto total, mas fizeram as nossas delícias, porque elas são mesmo giras. Enfim, um dia cheio de calor, um dia cheio de moleza, quebrados da grande azáfama da semana, mas a carraçita fez a festa toda e nós assistimos. Só tínhamos de bater palmas de vez em quando...