quarta-feira, 18 de maio de 2011

O lugar dos sentidos

Cinco são os sentidos, aprendemos na escola. O sexto aprendemos na vida. Poesias e dissertações há sobre eles. Mas nada os consegue descrever com exactidão. Um tacho a fumegar enquanto se faz doce de morango, por exemplo. O aroma que se desprende dele. A textura macia. O sabor, ai o sabor...

Faz-nos viajar. Viajar ao único lugar onde se escondem os segredos que despertam em nós os nossos sentidos e nos fazem explodir de sensações; um lugar precioso que não é feito de palavras, porque nenhuma palavra pode descrever com precisão aquilo que é de cada um sentir. Eu não tenho dúvidas: o lugar dos sentidos é a nossa memória.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Matar saudades



Há meses que não íamos à Biblioteca Municipal. Hoje foi a tarde da desforra. Ele ia tão mimocas ante a perspectiva de rever cantos, livros, jogos e brinquedos conhecidos. Desde que começou a andar que o começámos a levar lá. Primeiro começou na Bebeteca, no meio de colchões, almofadões, brinquedos, músicas e livros de bebés. Depois começou a aventurar-se na casinha, meio encolhido quando havia muitos meninos ao barulho. Mas os livros foram sempre uma constante, e não havia história longa demais nem chata demais. Hoje, centrou-se sobretudo nos puzzles. Está um ás na junção das peças, o meu pequenito já crescido.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

De mãos dadas











Os nossos passeios são cada vez mais longos, as conversas cada vez mais elaboradas. Os medos, as fraquezas, as dúvidas, as ansiedades, as já certezas são sempre partilhados. O caminho é cheio de desafios, caminhar é uma dádiva.
Um dia de cada vez. Como se diz, se soubermos para onde vamos, sabemos por onde caminhar e torna-se mais fácil chegar lá. Talvez. Por agora, mais importante do que atingir o objectivo, é usufruir da caminhada. Cada processo é necessário para a edificação do ser. E eu quero aprender.
Um dia de cada vez. De mãos dadas, como sempre tem sido, de preferência.

domingo, 15 de maio de 2011

Pequeno-almoço animado

"Eeehhhh, vem aí! O vulcão vai explodiiiir!" Eu ralhei, a sério que ralhei, não se brinca com a comida nem se suja tudo à volta enquanto se come. Não sei é se ralhar enquanto se ri terá o efeito pretendido... Achei tão engraçado. Adoro a espontaneidade das crianças, tudo é motivo para brincadeira. Até a dormir ele ri. Tão bom...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ainda agradecida

Já aqui referi que sou grata por muitas coisas nesta vida. E a cada semana que passa recordo-me sempre de mais uma.
Geralmente, as minhas compras de supermercado são semanais. Para tal, faço uma lista com tudo o que preciso: alimentação, higiene e limpeza. Nunca saio dessa lista porque também tenho uma quantia limite semanal estabelecida para gastar. E como sei mais ou menos o preço das coisas, consigo controlar esta área das nossas finanças.
Ainda assim, a vida não está fácil. Mesmo para quem se resume às despesas básicas, sem extras praticamente nenhuns. Os preços aumentam, o desemprego bate à porta, a saúde pode faltar e os apoios são escassos, a gestão dos bens e recursos nacionais é feita de maneira leviana e viver nesta ansiedade é uma ode à criatividade de cada um.
Isto para dizer que, nos momentos de calma, naqueles em que se pode admirar o céu azul e ver árvores verdes e inspirar de prazer, continuo a ser grata. Sou grata por cada refeição que tomo, porque ter comida para apresentar na mesa é uma benção que não nos deve passar ao lado, especialmente quando temos filhos. E sou grata também por cada semana que vou ao supermercado e trago o carrinho com as compras que preciso para aquela semana, nem mais nem menos, e posso chegar a casa e suspirar de alívio. Alívio porque mais uma semana, e os próximos dias estão garantidos. Tive dinheiro para comprar e no supermercado havia para vender.
Parece básico, não é? Mas quando alguma surpresa da vida nos bate à porta, aquilo que nos parece básico e adquirido passa a ser vital e aí paramos para pensar. Não tenho nada por garantido nesta vida, porque a vida é, em si, instável, sujeita a muitas leis e condições que não controlamos. É por isso que quando penso nestas coisas sinto aquelas cóceguinhas na barriga, feliz porque todos os dias temos sido tão amparados.

domingo, 8 de maio de 2011

Riqueza da vida

Uma manhã da semana passada a carraçinha chamou-me cedo. Eu estava tão cansada que, apesar do corpo estar acordado e ter ido ter com ele, o meu cérebro estava em sono quase profundo. Era cedo ainda, então decidi aninhar-me ao lado dele, embora soubesse que em seguida tinha de ir em cavalgada para a sala ver os bonecos. Enganei-me. Fiquei ali e ele muito quietinho, foi-me dando muitos beijinhos suaves. Oh doce acordar.
Fazemos muitas declarações de amor um ao outro e uma das coisas que lhe digo com frequência é que "és a riqueza da minha vida".
Então no meio de tantos beijinhos, ele queria acabar em grande e acabou por dizer: "és a minha riqueza da vida".
Abraçei-o e não pude deixar de me rir. Com a gramática toda trocada ou não, a linguagem do amor é maravilhosa.
E para que conste, o bicharoco ali em cima é o marido da joaninha. Ele é que disse, daí lavo as minhas mãos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O grilo foi à escola

Vivemos numa cidade pequena, rodeados de campo por todos os lados. Temos jardins, a mata (por enquanto fechada...). Alguns dos meninos até moram nas aldeias vizinhas. Mas isso não impede que a chegada de um grilo provoque a máxima excitação!

Achei giríssimo quando contámos à educadora o nosso piquenique no dia feriado e a aventura de termos apanhado um grilo, ela ter ficado toda entusiamada e pedir para nós o levarmos para a sala. Até pensei que ela estava a brincar, mas não. O nosso grilinho foi à escola e não se inibiu nada de exibir os seus dotes de cantador incansável para deleite de todas as cabeçinhas que o rodeavam. Mas ora aqui ficou mais uma estratégia para manter todos na ordem: "o grilo só canta se estiverem todos sossegadinhos...". Pois então.