Este é único (por agora...), mas já estão em marcha outras encomendas. Que bom é dar forma e cor a linhas que se fundem com o pano.
sábado, 22 de janeiro de 2011
E sai mais um
Este é único (por agora...), mas já estão em marcha outras encomendas. Que bom é dar forma e cor a linhas que se fundem com o pano.
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Ponto Cruz
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Que dia tão rico
Em jeito de começo, o cinzento dos dias foi deixado para trás e hoje, finalmente, esteve sol à séria.
E parece que, com ele, tudo se exibiu em esplendor e fez sobressair o seu melhor.
Durante este meu dia de trabalho fui ter a uma casa, como já fui tantas vezes. Fica num beco. É velhota. Tem um quintal ao lado com algumas sementeiras e ao fundo, um monte de tralha. Quem a habita é um casal também velhote. Geralmente é ele que me atende, porque anda sempre cá por fora no quintal. Curvo, com roupas velhas, ninguém dá nada por ele. Hoje não estava cá fora e tive de entrar quintal adentro e bater no vidro da janela para me fazer ouvida. A porta estava aberta e a luz do sol inundava o interior. Fiquei extasiada. Lá dentro, em cima do sofá e pelas paredes, uma colecção enorme de quadros, emoldurados ricamente. Representavam paisagens, na sua maioria de Torres Novas e algumas praias. E na entrada estava aquilo que, durante a quadra do Natal foi a aldeia do presépio, toda em cortiça. Naquele velhote, estava o poder de dar vida a materiais e telas de uma forma tão amorosa e impressionante. Fiquei tão comovida. Foi a mulher que me disse que era tudo obra dele e ele, que tinha vindo à porta, escondeu-se. Talvez por humildade, talvez por timidez, ou até mesmo por antipatia, sei lá. Mas sem dúvida, um coração a descobrir.
Da parte da tarde, passei numa rua onde, desde sempre, vi um senhor, também velhote, a cuidar de um quintal enorme, cercado por muros e rodeado de casas. Uma espécie de oásis no meio do deserto. "Sabe, isto não é meu. Mas moro aqui perto e os donos, que moram longe, deram-me esta terra toda para cuidar." E a verdade é que o quintal estava sempre repolhudo, uma beleza. Isto já foi há uns anitos e ultimamente não tenho visto o senhor e o quintal parece até um pouco abandonado. E pensei: se calhar o senhor está doente ou então já morreu. É que já morreu tanta gente durante estes anos neste serviço, algumas que me deixam saudade e a pensar na vida. Mas é assim mesmo e não podemos fazer nada... E qual não foi a minha surpresa quando, hoje, vi o senhor! Lá estava ele, agarrado à bengala que nunca lhe vi mas ainda assim, com a enxada na outra mão a cavar a terra. Fantástico! Fiquei tão feliz.
E para finalizar, quando fui buscar a minha riqueza, já quase escuro, todas as cabeças olhavam para o ar. É que, lá no alto do telhado, numa antena de televisão, estava um pássaro numa melodia única. Há tanto tempo que não ouvia um cantar tão bonito. Não reconheci a espécie uma vez que estava a escurecer e se só se lhe via a silhueta. Nada o demovia. Nem o barulho dos carros, nem o barulho das crianças a sair da escola, nada. E encantava todos com o seu canto. Impossível passar despercebido, aquele consolador de almas.
Que dia!
Há por aí tanta gente com dons incríveis e que ninguém conhece. Antes, pensava que era um desperdício esconder tamanhas vocações da Humanidade, que certamente ficaria mais rica se as conhecesse. Hoje, penso um bocadinho diferente. A maioria das vezes, a nossa Humanidade são os que estão à nossa volta, bem próximos de nós. No anonimato, certamente que, com os dons que Deus nos deu, sejam eles quais forem, enriquecemos e mudamos vidas à nossa maneira, sem que nos apercebamos. E somos felizes assim. Por vezes, não é por fazer toda uma Humanidade feliz que se é importante ou reconhecido. Basta tocar um coração para se mudar uma vida. E basta este pouco para se ter o maior galardão de todos: o do amor.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Bons semeadores
"Um lavrador andava a semear nos seus campos. Enquanto espalhava a semente na terra, alguma caiu ao lado dum caminho, e vieram os pássaros e comeram-na. Outra caiu em terra pedregosa e pouco profunda; as plantas depressa nasceram no chão pouco espesso, mas logo o calor as queimou, pelo que murcharam e morreram por terem tão fraca raiz. Outras sementes caíram entre espinhos, que abafaram as folhas tenras. Outras, porém, caíram em chão bom, e deram uma colheita de trinta, sessenta ou mesmo cem vezes o que tinha sido semeado. Quem sabe ouvir, então que ouça!"
Mateus 13
Com a transcrição desta, do Bom Semeador, não quero iniciar nenhuma nova teoria teológica. Tudo é muito simples, basta observar.
Nada mais simples do que uma sementeira. Abre-se a terra e deposita-se a semente ou planta-se uma planta. Vi a minha família fazer isto muitas vezes. Eu própria, em pequenita, não resistia a acompanhá-los e todos os anos me era destinada uma leira para eu fazer a minha horta. Que excitante era ver o despontar do que eu tinha semeado, e regar e ver crescer e colher o fruto desse trabalho. Lindo.
E aprendi isto:
- se semeamos batatas, colhemos batatas;
- basta uma metade de uma batata velha dentro da terra para ela produzir uma batateira que vai dar muitas batatas;
- se cuidarmos do que semeámos, a produção será maior do que se a deixarmos ao abandono.
Este é o mundo natural, segundo as suas regras, tal qual ele é.
E assim sucede no mundo espiritual. Se eu semear o mal, não posso esperar colher o bem. Se eu semear o mal, por mais pequeno que ele seja, ele vai crescer e tornar-se maior e em maior número. Se eu cuidar dele, ele vai durar muito tempo e alimentar-me a mim e aos outros.
Este é um exemplo muito simples, mas não há volta a dar-lhe. É assim. É o que vejo acontecer. De uma forma muito dolorosa, é o que observo. Podemos até mascarar a coisa e dar-lhe uns retoques sofisticados de modo a fazer parecer que o que semeámos foi bom e faz bem, mas a seu tempo, TUDO virá a descoberto e o que foi semeado vai de facto florir e frutificar. O bem ou o mal. E isto ainda aqui nesta terra onde vivemos.
Vamos ser bons semeadores?
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Deus
domingo, 16 de janeiro de 2011
Do fim-de-semana
Há qualquer coisa de pacífico em ver bolbos a despontar e esperar pelas flores que virão. E também em roupa estendida a secar ao sol e ao vento. Há qualquer coisa de pacífico nestas rotinas cadenciadas, sobre as quais parece termos controlo, mas só em parte. Porque não somos nós que controlamos o ritmo da natureza, apenas nos deixamos levar por ela e louvamos. Afinal, este é o dia que fez o Senhor. Este e todos os outros...
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Casa
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
A luz do perdão
Finalmente Sol! Yupi! Nem que seja só por hoje, "enquanto o pau vai e vem"... Este não tem sido um Inverno muito frio mas, sem dúvida, tem sido bem cinzento e por isso hoje tenho aproveitado bem esta luz. Para iluminar a casa, para me aquecer, para me dar genica para as limpezas e para pensar muito. E gostaria de partilhar convosco alguns dos meus pensamentos...
Sobre o perdão. Já falei aqui, de alguma forma, sobre ele. Mas novas formas da mesma coisa vêm ao meu coração e talvez seja por isso que o velho vira novo e raramente me canso...
Mas bom, o que pensei eu sobre o perdão hoje? O óbvio: perdoar torna-se necessário quando alguém nos magoa ou magoamos alguém de forma muito dolorosa, daquela forma que é impossível esquecer, que dá aperto no coração sempre que se lembra, que faz pensar que tudo poderia ser diferente se aquilo não tivesse acontecido. Envolve sentimentos tão fortes, que perdoar se transforma numa tarefa gigantesca e como tal, creio não sermos capazes de o exercer sozinhos com eficácia. Portanto, não errarei ao dizer que, perdoar só será possível com a ajuda de Deus, no que formos capazes de entender do Seu amor e da Sua graça em nós, como veículo de libertação de amor sobre o outro, ou do outro sobre nós.
Sim porque, acima de tudo, o perdão é libertador. Liberta-nos de sentimentos negativos como o orgulho, mesquinhice, rancor, ódio, e tantos outros. Quando perdoamos, podemos até ter a tendência de pensar: enfim, libertei o outro da carga que trazia às costas, ele pode sentir-se melhor agora, porque não tem mais que me pedir perdão de nada, com a minha atitude saldei a dívida.
Mas essa é só uma face da moeda. Tão ou mais importante que isso, eu acho, é que o perdão nos liberta a nós próprios. Ao perdoarmos o outro, libertamo-nos das amarras que nos prendem aos mesmos sentimentos negativos de que falei acima. É que o outro, dependendo das circunstâncias, pode até já ter seguido com a sua vida em frente, pode até nem se ter apercebido da dimensão da mágoa que nos provocou, pode até ter os melhores sentimentos para connosco. E nós presos a sentimentos alimentados ao longo sabe-se lá de quanto tempo. Por isso, é de toda a importância libertarmos perdão. E ao nos sentirmos libertos, estamos livres para seguir em frente, para novas paragens rumo ao nosso crescimento como seres humanos.
É um processo. Difícil. Longo, muitas vezes. Com muitos retrocessos pelo caminho. E nesses retrocessos parece que por vezes voltámos à estaca zero. Mas não voltámos. Estamos a caminhar e a crescer. Rumo ao alvo.
Desejo a todos uma boa caminhada.
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