terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bons semeadores

A Parábola do Bom Semeador

"Um lavrador andava a semear nos seus campos. Enquanto espalhava a semente na terra, alguma caiu ao lado dum caminho, e vieram os pássaros e comeram-na. Outra caiu em terra pedregosa e pouco profunda; as plantas depressa nasceram no chão pouco espesso, mas logo o calor as queimou, pelo que murcharam e morreram por terem tão fraca raiz. Outras sementes caíram entre espinhos, que abafaram as folhas tenras. Outras, porém, caíram em chão bom, e deram uma colheita de trinta, sessenta ou mesmo cem vezes o que tinha sido semeado. Quem sabe ouvir, então que ouça!"
Mateus 13

Jesus falava muito por parábolas e a explicação desta, Ele próprio dá logo em seguida. Acho muito interessante que, quando Jesus ou o próprio Deus queriam fazer entender alguma coisa ao povo, falavam das coisas naturais deste mundo para darem a conhecer a natureza do mundo espiritual. E a verdade é que, entendendo o mundo espiritual vivido neste mundo natural, todas as parábolas e comparações se aplicam na perfeição.
Com a transcrição desta, do Bom Semeador, não quero iniciar nenhuma nova teoria teológica. Tudo é muito simples, basta observar.
Nada mais simples do que uma sementeira. Abre-se a terra e deposita-se a semente ou planta-se uma planta. Vi a minha família fazer isto muitas vezes. Eu própria, em pequenita, não resistia a acompanhá-los e todos os anos me era destinada uma leira para eu fazer a minha horta. Que excitante era ver o despontar do que eu tinha semeado, e regar e ver crescer e colher o fruto desse trabalho. Lindo.
E aprendi isto:
- se semeamos batatas, colhemos batatas;
- basta uma metade de uma batata velha dentro da terra para ela produzir uma batateira que vai dar muitas batatas;
- se cuidarmos do que semeámos, a produção será maior do que se a deixarmos ao abandono.
Este é o mundo natural, segundo as suas regras, tal qual ele é.
E assim sucede no mundo espiritual. Se eu semear o mal, não posso esperar colher o bem. Se eu semear o mal, por mais pequeno que ele seja, ele vai crescer e tornar-se maior e em maior número. Se eu cuidar dele, ele vai durar muito tempo e alimentar-me a mim e aos outros.
Este é um exemplo muito simples, mas não há volta a dar-lhe. É assim. É o que vejo acontecer. De uma forma muito dolorosa, é o que observo. Podemos até mascarar a coisa e dar-lhe uns retoques sofisticados de modo a fazer parecer que o que semeámos foi bom e faz bem, mas a seu tempo, TUDO virá a descoberto e o que foi semeado vai de facto florir e frutificar. O bem ou o mal. E isto ainda aqui nesta terra onde vivemos.
Vamos ser bons semeadores?

domingo, 16 de janeiro de 2011

Do fim-de-semana


Há qualquer coisa de pacífico em ver bolbos a despontar e esperar pelas flores que virão. E também em roupa estendida a secar ao sol e ao vento. Há qualquer coisa de pacífico nestas rotinas cadenciadas, sobre as quais parece termos controlo, mas só em parte. Porque não somos nós que controlamos o ritmo da natureza, apenas nos deixamos levar por ela e louvamos. Afinal, este é o dia que fez o Senhor. Este e todos os outros...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

E mais trabalho





Adoro o meu trabalho!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Trabalho

Existe lá coisa mais pacífica do que estar a trabalhar e deparar com imagens destas?

Esquece-se todo o cansaço da caminhada e o desespero de não se encontrar ninguém em casa.

Assim, o mundo até parece perfeito.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A luz do perdão


Finalmente Sol! Yupi! Nem que seja só por hoje, "enquanto o pau vai e vem"... Este não tem sido um Inverno muito frio mas, sem dúvida, tem sido bem cinzento e por isso hoje tenho aproveitado bem esta luz. Para iluminar a casa, para me aquecer, para me dar genica para as limpezas e para pensar muito. E gostaria de partilhar convosco alguns dos meus pensamentos...
Sobre o perdão. Já falei aqui, de alguma forma, sobre ele. Mas novas formas da mesma coisa vêm ao meu coração e talvez seja por isso que o velho vira novo e raramente me canso...
Mas bom, o que pensei eu sobre o perdão hoje? O óbvio: perdoar torna-se necessário quando alguém nos magoa ou magoamos alguém de forma muito dolorosa, daquela forma que é impossível esquecer, que dá aperto no coração sempre que se lembra, que faz pensar que tudo poderia ser diferente se aquilo não tivesse acontecido. Envolve sentimentos tão fortes, que perdoar se transforma numa tarefa gigantesca e como tal, creio não sermos capazes de o exercer sozinhos com eficácia. Portanto, não errarei ao dizer que, perdoar só será possível com a ajuda de Deus, no que formos capazes de entender do Seu amor e da Sua graça em nós, como veículo de libertação de amor sobre o outro, ou do outro sobre nós.
Sim porque, acima de tudo, o perdão é libertador. Liberta-nos de sentimentos negativos como o orgulho, mesquinhice, rancor, ódio, e tantos outros. Quando perdoamos, podemos até ter a tendência de pensar: enfim, libertei o outro da carga que trazia às costas, ele pode sentir-se melhor agora, porque não tem mais que me pedir perdão de nada, com a minha atitude saldei a dívida.
Mas essa é só uma face da moeda. Tão ou mais importante que isso, eu acho, é que o perdão nos liberta a nós próprios. Ao perdoarmos o outro, libertamo-nos das amarras que nos prendem aos mesmos sentimentos negativos de que falei acima. É que o outro, dependendo das circunstâncias, pode até já ter seguido com a sua vida em frente, pode até nem se ter apercebido da dimensão da mágoa que nos provocou, pode até ter os melhores sentimentos para connosco. E nós presos a sentimentos alimentados ao longo sabe-se lá de quanto tempo. Por isso, é de toda a importância libertarmos perdão. E ao nos sentirmos libertos, estamos livres para seguir em frente, para novas paragens rumo ao nosso crescimento como seres humanos.
É um processo. Difícil. Longo, muitas vezes. Com muitos retrocessos pelo caminho. E nesses retrocessos parece que por vezes voltámos à estaca zero. Mas não voltámos. Estamos a caminhar e a crescer. Rumo ao alvo.
Desejo a todos uma boa caminhada.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

À procura de vida

Saímos para o avô. Eu na esperança que uma distância de 1km fizesse toda a diferença entre um lugar cinzento e outro cheio de sol, ele na esperança de encontrar muitos bichos... Mas não. Estava igualmente cinzento e chuviscava até. Esta não sou eu, ou pelo menos aquela a que estou habituada, mas a verdade é que estou a ficar farta deste tempo. Eu, que gosto do Inverno e de tudo o que caracteriza, mas este ano... nem por isso...

Mas bom, encontrei sinais de vitalidade no avô. Mais uma semana, e já vou sentindo o cheirinho a sopa de agriões e saladas bem verdes.


As flores dos grelos que o sogrinho semeou, agora enchem as sementeiras de amarelo. São tão delicadas as flores.

E havia tantos pardalitos por ali. Chilreavam e voavam à nossa volta quase indiferentes à nossa presença.

Fomos para dentro, depois de uma última olhada desconsolada para o céu que ameaçava romper em cima de nós. E apercebi-me do óbvio, daquilo de que me apercebo sempre. Hoje vinha à procura de alguma vida. Mas isto aplica-se a tudo: não importa o quanto procuremos, muitas vezes fugimos e vamos para sítios tão longe, e a vida está dentro e bem perto de nós. Realmente, na casa fria, a minha riqueza enchia tudo com a sua vivacidade. Fez a festa toda e envolveu-nos a todos. Não havia hipótese de recusar sorriso tão rasgado, pedidos de brincadeiras tão enfáticos, energia tão contagiante. Foi bom ter saído, mas se não o tivesse feito, a vida estaria dentro de mim e bem à minha volta.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Filho nostálgico

Resolvi adiar por uns dias o desfazer da Árvore de Natal e de todas as decorações. Foi hoje. A minha riqueza ajudou-me, um querido. Mas... "Oh mãe, falta muito até ao Natal?" Socorro! "Oh mãe, porque é que o Natal são só uns dias e os outros dias são muuuuitos?" Doidinho pelo Natal, hoje foi dia de nostalgia para ele, enquanto empacotávamos tudo para só voltar a abrir daqui a 11 meses.
Ainda por cima o dia esteve cinzento e chuvoso. Nem o ténue arco-íris, que mal conseguimos vislumbrar, alegrou muito a coisa. Há dias assim, por fora e por dentro. Mas, depois de terminar com uma longa sessão de beijinhos, amanhã é outro dia...