quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ano Novo...

Ano Novo, Tele Culinária velha, pois então. Já inaugurei o 7º capitulo, de 1983. Na prática, isto é apenas um amontoado de folhas e capas fora de moda mas, para mim, é um tesouro que a minha mãe me doou.

É uma delícia fazer passar as folhas ao sabor dos sonhos que a execução de todas estas receitas suscita. Hoje fiz Filetes de Peixe à Salsicheiro. Bem bom! A carraçinha comeu que nem um leão. Filetes de peixe enrolados com fiambre e salsicha.


Tudo mudou desde então. Mas permanece a textura das páginas e a memória das receitas filmadas antes da hora do almoço no Canal 1, que a minha mãe seguia com atenção na tentativa de agradar o meu pai, um gourmet capaz de fazer voar pratos caso não gostasse da comida. Eu ia observando, entretida entre bonecas e tachos meus, no reconhecimento de odores e sabores novos que a minha mãe ia construindo. Hoje faço eu esse papel. Herdei a insegurança da minha mãe, ao ter receio de fazer algo novo com medo de não agradar; não sei se lhe herdei o esmero. Porque o que ela cozinhava... oh saudades! O meu marido diz que sim, que a minha comida é sempre boa, mas ele é duvidoso. É que se eu lhe puser um copo de água quente à frente, ele delira de prazer! Boquinha abençoada, a dele.

É bom estar de volta. Sinto-me a recuperar agora. Muito obrigada pelas vossas mensagens carinhosas. As receitas caseiras para combater a gripe que recebi via mail vão ficar guardadas para uma eventual futura oportunidade! Um abraço a todos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

2011


Apesar da molha monumental que apanhei no dia anterior enquanto trabalhava e enquanto não encontrava uma loja que vendesse chapéus de chuva, ainda tive forças para fazer o meu pãozinho,

o Bolo Rei,

as rabanadas,

os velhoses,

os coscurões e o nosso belo jantar com bacalhau, couve portuguesa e azeite do lagar aquecido com alho. Depois da azáfama familiar do Natal, sabe sempre bem ficarmos os quatro (eu, o tisoiro, a carraçinha e o sogrinho) na noite de Ano Novo em casa e celebrarmos como é nosso costume. Comi bem, mas depois veio a quebra quase total. Um cansaço quase extremo levou-me a entrar sem glória em 2011 e no primeiro dia do ano fui brindada com uma gripe poderosa. Ora aqui temos o meu estado. Já vi dias melhores, é claro mas, como já estou a ser medicada (depois de 3 horas de espera no hospital!!!), os próximos dias serão bem melhores, assim creio.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo

Hoje recebi um presente. Não foi este. Este foi oferecido antes do Natal pela minha carraçinha. Fez lá na escola e o embrulho é lindo.
Mas hoje, depois de uma semana meio conturbada, recebi um presente, um presente de valor eterno.
Para encurtar a história, desde que a carraçinha nasceu, e na altura em que comprava a Pais&Filhos, deparei-me com o Projecto Famílias Pais&Filhos. O projecto visa apoiar famílias carenciadas com bens materiais, entregues em mãos na instituição Ajuda de Mãe ou pelo correio. Aquilo sempre me tocou, porque li vários testemunhos de famílias ajudadas e de famílias que ajudaram. Ficava sempre emocionada com as leituras até que, há 2 anos, resolvi embarcar nesse projecto.
Já vamos na ajuda à segunda família, porque a primeira conseguiu reorganizar-se e deixou de necessitar do nosso apoio. E o presente que recebi hoje foi a notícia de que esta segunda família seguiu os mesmos passos e está agora a voar sozinha. Que bom!!! Tão bom!!! Isto leva-me às lágrimas.
Como tão pouco faz alguma diferença na vida das pessoas. A nossa ajuda é muito básica. Limita-se a fraldas, leite, produtos de higiene. Dentro do que posso dar, que sei ser tão pouco, estas pessoas fazem-nos sentir como se lhe déssemos o mundo. Talvez elas vejam as coisas assim. Eu vejo como Deus é tão bom neste ciclo da bênção. Se eu própria sou abençoada tantas vezes, esta bênção tem de ser repartida com outros. Na volta, o prazer de saber que estou a fazer uma pequena diferença na vida de alguém é o maior presente de todos. Preenche-me totalmente.
Deixo-vos hoje com esta mensagem, que tem por verdadeiro objectivo mostrar o quão feliz estou com a notícia de hoje e mostrar como vale a pena, sempre, mesmo sem recompensa, mesmo sem retorno, pensar em quem está ao nosso lado.
Que o próximo ano possa ser um círculo de bênçãos sem fim na vida de todos.
Feliz Ano Novo!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Trabalho

O meu primeiro esquema de trabalho na minha loja, quando ela ainda estava aberta. Estava eu a bordar um quadro quando entra uma senhora a perguntar se eu bordava para fora por encomenda. Ela queria uma toalha para o enxoval da neta e trazia a toalha, linhas e esquema. Era isto que ela queria.

O efeito era muito simples mas muito bonito também e as pessoas que entravam gostavam tanto, que perdi a conta às toalhas e panos de tabuleiro que bordei com este esquema.

Estes já seguiram para a minha cliente. Cliente dessa altura, que ficou amiga até hoje. Daquelas amigas com quem tomar um cházinho com bolo morno numa chávena bonita, é um prazer demorado. Muito bom.
E segue-se esta toalha rústica com papoilas de uma Para Ti de há muitos anos atrás. Está a ser um prazer. Demorado também, porque a toalha é enorme. Está a ficar bonita e vai ficar linda no fim, quando estiver pronta, pronta a servir um belo jantar com gente alegre à volta da mesa.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ano Novo

Passado o Natal, já se fala no novo ano que aí vem. Já a semana passada me perguntaram quais são as minhas resoluções para 2011. E a resposta é sempre a mesma: não tenho!

Há muito que me deixei disso. Fazer planos para um ano inteiro, acho que é uma frustração. Muitos deles não se chegam a concretizar porque não controlamos todas as circunstâncias da vida. Além do mais, grande parte das resoluções, sendo de origem não material, são de concretização diária ao longo da vida, e isso tanto pode ser uma resolução para 2011 como para daqui a vinte anos, dependendo do tempo que cada um demora a processar os projectos dentro de si e a pô-los cá para fora.

Não penso nisso. Não como passas, não peço desejos, não faço planos dessa ordem. Vivo um dia de cada vez. A minha resolução é sempre igual: viver mais do mesmo. Ou seja, se morrer hoje já morro feliz, e enquanto não parto, o meu maior desafio é crescer enquanto ser humano, vencer os meus medos, as minhas inseguranças e as minhas fraquezas e virar-me mais para o próximo. De resto, como diz a velha frase, não tenho tudo o que gostaria mas, definitivamente, tenho tudo o que preciso. E o que preciso é o que tenho para ser feliz e isso basta-me.

E o meu desejo é que cada um possa aperceber-se das bênçãos que tem à sua volta, deixar-se inundar por elas e viver uma vida bem projectada e bem perspectivada, sem pressas, sem ambições inúteis, sem sentimentos infrutíferos. A vida é muito mais do que aquilo que muitas vezes fazemos com ela.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Pequeno-almoço

Se há coisa que adoro, são os pequenos-almoços a seguir à noite de Natal. É puxar a película transparente que se pôs para os doces não apanharem pó para trás, fazer uma caneca de leite bem quentinho com chocolate e ir depenicando.

Não há melhor. Sem pressas, degustar toneladas de colesterol. Mas que sabem tão bem porque só são apreciadas uma vez por ano.

Para as amigas brasileiras que vêm aqui, quero deixar uma nota engraçada à volta do nosso "pequeno-almoço". Quando visitámos o Brasil, há muitos anos atrás, os nossos amigos fartavam-se de rir connosco quando dizíamos que íamos tomar o pequeno-almoço, que vocês aí dizem café da manhã. Então o Gigde tentava ser solidário mas em vão, e só conseguia convidar-nos para o "pequeno-café", "grande-almoço", "almoço da manhã". Eu e o meu marido só riamos e ele atrapalhado, mas bem que gozou connosco, enquanto a Sônia encolhia os ombros porque já conhecia tudo isto, ela que já tinha cá estado comigo umas semanas.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Consoada

Eu bem avisei a mana que esta era uma ceia de Natal, não um banquete de casamento.

Mas, como podem ver pela ementa, ela não me ligou nenhuma. Acho que, mais uma vez, ela pensou que o mundo ia acabar, e estava na intenção de levar os restos para o outro mundo que começasse.

Adorei quando entrei na cozinha e as sobrinhas me guiaram para a parede, onde já estava a ementa colada, para que constasse. Voltei a folha e...

Adorei! Estas miúdas não param. É tão bom rir. Espero que todos se tenham divertido, rido, feito rir, posto a conversa em dia, abraçado, chorado, pulado, cantado, espero que todos tenham vivido todas as emoções a que têm direito e se não viveram, se Deus quiser, para o ano haverá mais Natal!