sábado, 25 de dezembro de 2010

Consoada

Eu bem avisei a mana que esta era uma ceia de Natal, não um banquete de casamento.

Mas, como podem ver pela ementa, ela não me ligou nenhuma. Acho que, mais uma vez, ela pensou que o mundo ia acabar, e estava na intenção de levar os restos para o outro mundo que começasse.

Adorei quando entrei na cozinha e as sobrinhas me guiaram para a parede, onde já estava a ementa colada, para que constasse. Voltei a folha e...

Adorei! Estas miúdas não param. É tão bom rir. Espero que todos se tenham divertido, rido, feito rir, posto a conversa em dia, abraçado, chorado, pulado, cantado, espero que todos tenham vivido todas as emoções a que têm direito e se não viveram, se Deus quiser, para o ano haverá mais Natal!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal a todos!

Desconfio que esta semana terei pouco tempo de vir aqui. Não por causa do stress que envolve toda esta quadra, porque me recuso a fazer parte completa desse mesmo stress. Esta é uma época de repouso tanto quanto possível, de paz, de quietude. E toda a azáfama que envolve os preparativos para acolher as famílias deve ser feita com alegria, e não com a ansiedade e o nervosismo que vejo nos amontoados de gente na rua e nos centros comerciais.
Não vir aqui deve-se ao tempo que tenho dado às sobrinhas, numa tentativa de lhes voltar a dar a paz que o tornado varreu dos corações delas, do meu trabalho que se intensifica nesta altura, do meu filho que anda de saúde meio periclitante e claro, da minha própria gestão do tempo com tudo isto e com o Bolo Rei, rabanadas, velhoses, coscurões, pão, etc. Menos mal, que este ano não me calha a ceia. Vamos todos recambiados para casa da mana.

A todos, desejo um Feliz Natal! Relembrando que o verdadeiro sentido do Natal é Jesus. Relembrando que Ele nasceu para nos dar uma nova vida e uma vida diferente. Uma vida leve neste mundo pesado, uma vida com perdão, com alegria, com paz, com misericórdia, com serenidade, com amor. E sobretudo, uma vida com esperança, esperança aqui, e esperança numa vida eterna com Ele. Ele nasceu porque Ele é bom. Ele nasceu por isto e para isto. Não para nos servir, tal e qual o génio da lâmpada, para satisfazer os nossos desejos. Às vezes achamos que devemos ter as coisas à nossa maneira, mas nem sempre a nossa maneira é a maneira dEle.

Como tal, diante das adversidades da vida, enquanto a tempestade passa, se nos deixarmos levar por Deus, será muito mais fácil. Se lutarmos contra a tempestade, lutaremos com as nossas próprias forças e o nosso esforço será em vão ou então sairemos esgotados desta tarefa. Carregados por Deus, seremos guiados na direcção certa e ainda consolados pelo caminho. É muito mais frutífero.

E agora vou pregar para outra freguesia, que o meu filho reclama fome. Como dizia a sogrinha: é no comer que está o espantar das doenças. 'Bora lá!
Mais uma vez, Feliz Natal a todos!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Amigo mágico

Eu estava na cozinha a preparar o jantar. A carraçinha andava de volta de mim a tagarelar e a ver o que eu estava a fazer. O pai entra na cozinha, no momento em que ele estava a dizer: "Eu tenho um amigo mágico..." Disse aquilo com tanto mimo, que eu perguntei: "Ai é, filho? Quem é?" "És tu, papá." Que bom... Estas são as maiores declarações de amor em todo o mundo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Muito, muito frio

Estavam 3 graus negativos quando fui pôr a carraçinha à escola, hoje. Brrrrr.... Divertimo-nos pelo caminho a fazer fuminho com a boca, mas até doía. Ele não tinha frio, como homem quente que é e bem agasalhado que estava, mas eu tinha as mãos engadanhadas. Brrrrr....
No caminho para Caxarias, não resisti a parar. Vi tantos campos branquinhos, telhados cobertos de gelo e gente vestida como se fosse para o Pólo Norte. Lindo!




O sol brilhava, mas a meio da manhã, as nuvens foram surgindo, altas.

E ao meio-dia ainda estava assim:


Adoro este tempo! Ainda falei com um senhor que costumo inquirir, que tinha tirado umas fotos giras de todo o gelo que tinha visto, toda animada que estava. "Giras?! Giras é na Alemanha!" Pois, mas cada um goza o que pode, certo? E eu fiz o meu melhor neste dia, a apreciar toda a beleza gélida que se encontrava à minha volta. A beleza daqueles cristaizinhos de gelo sobre a erva, ninguém me tirou! E depois, como o meu trabalho é andar, não tive assim tanto frio, n'é?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Malandra


"Oh mãe, porque é que a lua há bocado estava na escola e agora está aqui no avô?"
"A sério, filho? Malandra..."
Já me fez esta pergunta umas quantas vezes. Eu já lhe respondi. Conclusão: os meus conhecimentos de astronomia infantil deixam muito a desejar! Mas adoro estas perguntas. Só me fazem ter vontade de abraçá-lo e responder a tudo o melhor possível. "Onde é a cama do sol?"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A nossa tarde

Foi uma boa tarde, a de ontem. Estava frio e depois de sair da escolinha, a carraçinha e eu fomos ao avô entregar umas coisas e ficámos. Estava-se tão bem. O sol dava algum calorzinho e estava-se bem cá fora a admirar todas as maravilhas da natureza que resistem às agruras do frio. O alecrim, por exemplo, que está cheio de flor.


A carraçinha tomou conta do pedaço e fomos ficando, até porque o avô estava de feição e acompanhou-o em todas as brincadeiras.


Ele foi martelar, serrar, tudo foi arranjado por ali... ou não... Mas a verdade é que a minha riqueza leva jeito na coisa e ainda vamos ter aqui um carpinteiro sem igual.

E eu ia deambulando por ali. Andava tão contente, que qualquer ervinha me chamava a atenção.

As árvores já estão praticamente despidas por ali. O sogrinho acha que é triste. Eu não. Acho que é próprio da natureza. E se o Inverno leva as folhas e as flores, traz o aconchego da lareira, do cheiro da terra molhada, do orvalho na erva, do brilho limpo do sol, do encosto a uma parede soalheira em busca de calor e de uma boa conversa, e tantas outras coisas. É tudo uma questão de perspectiva. Ou talvez pense assim por ainda não ter oitenta anos. Sei lá...


Com as árvores despidas, os ninhos aparecem a descoberto, mas agora já não há problema, porque os ovos já não existem e os passarinhos já foram embora. O modo como a natureza age de forma tão perfeita, encanta-me. E dá que pensar. Aqui, a carraçinha, não contente por o ninho ter caído para o chão por falta do amparo das folhas, quis que eu o voltasse a pôr no ramo. Será que ele pensa que o passarinho está com saudades de casa?

É só esperar mais um bocadinho, e já se vão comer laranjas daquelas bem doces, de lamber os dedos do sumo que fica.

E mais outro bocadinho, e vão ser saladas e sopas cheias de agrião. Todos os anos apanhamos aqui uma barrigada deles. Abençoado ribeirito que passa aqui junto ao muro. Faz-me lembrar quando eu era mais nova e o meu pai nos levava a uma nascente perto do Agroal e lá apanhávamos carradas de agriões. São tão bons...

Ficámos até o sol se pôr. O frio já estava mais intenso.

Tempo ainda para registar o cata vento que o sogrinho engendrou. Em dias de vento não se pode estar ali. É uma chiadeira... Acho que um bocadinho de óleo faria milagres por ali, mas ninguém me liga...

A lua espreita, anunciando a noite que vem. Não apetece ir para dentro. Mas fica escuro e mais frio e estamos quase a ir embora. Só mais um bocadinho, para brincar à casa assombrada com o avô. Escondem-se lá para dentro e só ouço barulhos estranhos. Vou escutar à porta a ver se está tudo bem. Ouço rir. Eram os fantasmas que estavam a tentar assustá-los, mas acho que estes eram brincalhões porque os faziam rir...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Minhas casinhas velhinhas




Passo por elas tantas vezes durante o trabalho. Chamam sempre a minha atenção e têm sempre o seu encanto, faça chuva ou faça sol.
Como já é aqui sabido, tenho um fraquinho por casas velhas. Não sei bem porquê mas, ao pensar nisso, ocorre-me sempre uma comparação com aquilo que eu sinto pelas pessoas.
Sou uma pessoa um pouco fechada, não sou do tipo que conhece um grupo de pessoas e fica logo amiga de toda a gente. Mas, no meu coração, não rejeito ninguém. Gente pobre, com aspecto pouco popular, metidas a um canto ou com elas próprias, apontadas pelos outros por este ou aquele feito ou este ou aquele defeito, são aquelas de quem me aproximo mais facilmente. É assim desde a escola primária até à universidade. Até hoje.
A rejeição dói e desconstrói. Ser julgado sem se conhecer o coração, dói e desconstrói.
A prioridade é conhecer o coração, o que exige treinar a visão naquilo que não se vê. E já tive tão boas surpresas. Cada pessoa é um mundo a descobrir. O corpo, a roupa, até muitas palavras, são só fachada. Quando se abre a porta e se permite entrar, poderemos encontrar um interior por pintar, rebocar, reconstruir, pôr portas e janelas. Se houver possibilidade de pormos mãos à obra, ficamos sujos nesse processo, mas vamos limpando esse interior e deixá-lo a respirar melhor e a ficar mais belo. Muitas vezes, só o entrarmos já muda todo o cenário. Quanto a nós, depois é só tomar um banho e ficamos todos como novos.