segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ao contrário

É curioso... A Primavera suscita em mim sentimentos de renovação e esperança. Mas o Outono tem o mesmo efeito, ao contrário do que ouço da maioria das pessoas!
Sem o pensar, é no Outono que tenho vontade de fazer planos, que me surgem mil ideias, que os melhores momentos se concretizam e até nasce o desejo maior e mais constante de reunir a família para boas jantaradas.
Ao mesmo tempo, apetece tanto uma boa conversa acompanhada de um bom café ou chá ou leite ou o que se quiser, com uma mantinha quente a aconchegar.

Até a carraçinha gosta. Quando virou a esquina do corredor e viu estas velinhas acesas, ficou tão mimocas. Saltou para o meu pescoço, beijou-me toda, "Mamã, mamã!", até fechou os olhos de tanto deleite. Rendi-me a uma sessão de beijos e abraços sem fim. A luz das velinhas dá um ar quente e acolhedor. É bom estar em casa e ouvir a chuva a cair lá fora. É tão bom o Outono.

domingo, 7 de novembro de 2010

Desenhos nos vidros

Hoje foi dia de bolinhos cá em casa. Bolo de Tâmaras para a sobremesa e broas de batata doce, farinha de milho e erva doce para ir mordiscando pelos dias fora até elas existirem. O forno esteve ligado algum tempo, o tempo suficiente para, estando mais frio lá fora, embaciar os vidros cá dentro.
Quem não se lembra do prazer de fazer riscos e rabiscos nos vidros embaciados? A minha carraçinha nunca lhes resiste também.

sábado, 6 de novembro de 2010

Rejubilem!

A minha carraçinha já sabe assobiar! Grande dia, este.
Andava em angústias porque não sabia assobiar e queria que o ensinássemos. Mas como é que se ensina a assobiar? "Oh filho, tens de lá ir por tentativas. Pões os lábios em bico, sopras o ar para fora e vais tentando até conseguires." Todos os dias ele treinava, persistindo em atingir este objectivo. Hoje, a angústia terminou! A minha carraçinha já assobia. Um dia destes vai parecer um rouxinol.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cor de Outono com cheiro de Verão

Hoje o dia esteve quente. Andar, fez-me transpirar quase como se fosse Verão. Foi estranho até, ouvir e ver a publicidade da Popota e da Leopoldina. Parecia contradição. Ver a Popota e a Leopoldina significa dias frios, proximidade do Natal, lareiras acesas, cobertores quentinhos, mas hoje não. Esteve um dia luminoso e uma temperatura mais que amena.

Contudo, as cores do Outono acompanharam-me. O amarelo das folhas nas árvores que ainda as tinham - porque muitas já se encontravam completamente despidas - e o amarelo a alternar com o vermelho das vinhas. Tão bonito me pareceu. Apetecia ficar ali a olhar tudo, a cheirar tudo, a sentir tudo. Perceber que é nesta grandeza que se pode ser um bocadinho maior.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Retalhar

Hoje foi dia de apanhar as poucas azeitonas que as oliveiras, limpas o ano passado, deram. Sendo poucas, apanhámo-las para retalhar e enfardá-las todas na noite de Natal... se resistirem até lá, claro.



Entretanto, havia muitas distracções pelo caminho: cogumelos...

...tocas de toda a espécie de animais que faziam túneis dentro do tronco das oliveiras... Com uma criança ao lado, não há hipótese de a imaginação ficar parada.

Isto, ao fim de retalhar pouco mais de meia dúzia de azeitonas. Nem quero saber como seria se este ano estas oliveiras tivessem produzido à séria!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Para sempre

Vínhamos a descer pelas escadas do prédio, ele, o pai, o avô e eu. Todos os dias as desce e cheio de energia, inventa sempre novas formas de o fazer. Ora salta degraus, ora se empoleira no corrimão, ora espreita por entre as grades, ora se encosta às portas dos vizinhos, sei lá que mais. O avô assustou-se quando o viu deslizar pelo corrimão. O pai, habituado às habilidades dele, disse que todos os dias aquela cabeça inventa coisas novas porque esta é a casa dele e fazer tudo igual todos os dias não está com nada.

Cabeça... casa... inventa...

Palavras do pai que soaram lá na cabeçinha dele, enquanto descia com energia e pensava. E naquela vozinha infantil, juntou as palavras e formou uma frase tão bem articulada, da qual penso não ter retirado o sentido que nós interpretámos, mas que ficará gravada em nós para sempre:

"O meu cérebro é a minha casa dos segredos."

4 anos. Dia 31 de Outubro. Depois do almoço. Para sempre.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Estreia no cinema

Afinal hoje ninguém tocou à campainha a pedir bolinhos. Nem vi ninguém pelas ruas com saquinhos cheios na mão. Será que a tradição está a perder-se?
Bom, mas o que quero contar aqui é que ontem tivemos um Domingo lindo. Chuva e vento com fartura, é verdade. Mas também é verdade que, apesar do tempo, nós os três fazemos sempre a festa. E que festa foi a de ontem?
Todos os Domingos, o nosso recuperado Cine-Teatro promove sessões de cinema ou teatro grátis para as crianças e papás. Boa!
E ontem foi a nossa estreia.

Fomos ver o Igor, um filme sobre monstrinhos (Halloween..., estão a ver?) que vivem na Malária, uma terra reinada pela maldade, mas onde o bem acaba por triunfar, porque o Igor, um corcunda supostamente mau, cria um monstro (uma monstra, em rigor) bom! Lindo! Ou melhor, todos eles são muito feios, mas a história é bonita.
E lindo lindo, foi ver a minha riqueza a portar-se tão bem. Ficou sempre atento, na hora das pipocas quis voltar para ver a segunda parte do filme e já pergunta quando é a próxima sessão.
Foi uma nova experiência para todos e muito enriquecedora.

Na volta para casa, tempo para apreciar o Outono. A chuva e o vento dos últimos dias varreram muitas das folhas das árvores e encheram o chão de um tapete dourado onde apetece rebolar.