sábado, 6 de novembro de 2010

Rejubilem!

A minha carraçinha já sabe assobiar! Grande dia, este.
Andava em angústias porque não sabia assobiar e queria que o ensinássemos. Mas como é que se ensina a assobiar? "Oh filho, tens de lá ir por tentativas. Pões os lábios em bico, sopras o ar para fora e vais tentando até conseguires." Todos os dias ele treinava, persistindo em atingir este objectivo. Hoje, a angústia terminou! A minha carraçinha já assobia. Um dia destes vai parecer um rouxinol.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cor de Outono com cheiro de Verão

Hoje o dia esteve quente. Andar, fez-me transpirar quase como se fosse Verão. Foi estranho até, ouvir e ver a publicidade da Popota e da Leopoldina. Parecia contradição. Ver a Popota e a Leopoldina significa dias frios, proximidade do Natal, lareiras acesas, cobertores quentinhos, mas hoje não. Esteve um dia luminoso e uma temperatura mais que amena.

Contudo, as cores do Outono acompanharam-me. O amarelo das folhas nas árvores que ainda as tinham - porque muitas já se encontravam completamente despidas - e o amarelo a alternar com o vermelho das vinhas. Tão bonito me pareceu. Apetecia ficar ali a olhar tudo, a cheirar tudo, a sentir tudo. Perceber que é nesta grandeza que se pode ser um bocadinho maior.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Retalhar

Hoje foi dia de apanhar as poucas azeitonas que as oliveiras, limpas o ano passado, deram. Sendo poucas, apanhámo-las para retalhar e enfardá-las todas na noite de Natal... se resistirem até lá, claro.



Entretanto, havia muitas distracções pelo caminho: cogumelos...

...tocas de toda a espécie de animais que faziam túneis dentro do tronco das oliveiras... Com uma criança ao lado, não há hipótese de a imaginação ficar parada.

Isto, ao fim de retalhar pouco mais de meia dúzia de azeitonas. Nem quero saber como seria se este ano estas oliveiras tivessem produzido à séria!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Para sempre

Vínhamos a descer pelas escadas do prédio, ele, o pai, o avô e eu. Todos os dias as desce e cheio de energia, inventa sempre novas formas de o fazer. Ora salta degraus, ora se empoleira no corrimão, ora espreita por entre as grades, ora se encosta às portas dos vizinhos, sei lá que mais. O avô assustou-se quando o viu deslizar pelo corrimão. O pai, habituado às habilidades dele, disse que todos os dias aquela cabeça inventa coisas novas porque esta é a casa dele e fazer tudo igual todos os dias não está com nada.

Cabeça... casa... inventa...

Palavras do pai que soaram lá na cabeçinha dele, enquanto descia com energia e pensava. E naquela vozinha infantil, juntou as palavras e formou uma frase tão bem articulada, da qual penso não ter retirado o sentido que nós interpretámos, mas que ficará gravada em nós para sempre:

"O meu cérebro é a minha casa dos segredos."

4 anos. Dia 31 de Outubro. Depois do almoço. Para sempre.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Estreia no cinema

Afinal hoje ninguém tocou à campainha a pedir bolinhos. Nem vi ninguém pelas ruas com saquinhos cheios na mão. Será que a tradição está a perder-se?
Bom, mas o que quero contar aqui é que ontem tivemos um Domingo lindo. Chuva e vento com fartura, é verdade. Mas também é verdade que, apesar do tempo, nós os três fazemos sempre a festa. E que festa foi a de ontem?
Todos os Domingos, o nosso recuperado Cine-Teatro promove sessões de cinema ou teatro grátis para as crianças e papás. Boa!
E ontem foi a nossa estreia.

Fomos ver o Igor, um filme sobre monstrinhos (Halloween..., estão a ver?) que vivem na Malária, uma terra reinada pela maldade, mas onde o bem acaba por triunfar, porque o Igor, um corcunda supostamente mau, cria um monstro (uma monstra, em rigor) bom! Lindo! Ou melhor, todos eles são muito feios, mas a história é bonita.
E lindo lindo, foi ver a minha riqueza a portar-se tão bem. Ficou sempre atento, na hora das pipocas quis voltar para ver a segunda parte do filme e já pergunta quando é a próxima sessão.
Foi uma nova experiência para todos e muito enriquecedora.

Na volta para casa, tempo para apreciar o Outono. A chuva e o vento dos últimos dias varreram muitas das folhas das árvores e encheram o chão de um tapete dourado onde apetece rebolar.

sábado, 30 de outubro de 2010

À janela

Penso muito, da minha janela.
Dela vejo muitas coisas. E vejo pássaros. Às vezes poisam no parapeito, ao pé de mim. E cantam.
Não sei quem escreveu isto, mas tinha certamente uma boa lucidez de espírito:

"Um pássaro não canta por ter uma resposta. Ele canta por ter uma canção."

Se Deus cuida assim dos pássaros, quanto mais não cuidará de nós, Seus filhos muito amados? Possa o nosso canto ser a resposta que nos satisfaz e nessa melodia percebermos que, mais do que existirmos, faz muito mais sentido vivermos. Porque é a vida que dá sentido à existência. Cantemos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Halloween, Feira de Santa Iria Mirim e Jantar


Hoje foi um dia cheio. Cheio de chuva, principalmente. Mas à tarde as minhas nuvens fofinhas, brancas e luminosas, voltaram. Qualquer dia tenho um acidente, a andar sempre assim, de nariz no ar...
O dia começou numa azáfama. Tínhamos de nos despachar, era a Feira de Santa Iria na escolinha.
Mas ao chegar à sala do Atl, lá estava ela. A abóbora. Sinceramente, gosto do Halloween, tem piada, gosto de ver nos filmes porque é uma tradição com a sua graça, mas no seu país. Cá, tem mesmo jeito de tradição importada. Prefiro, sem dúvida, os nossos bolinhos! Mas achei piada à abóbora. Conseguiram fazer uma cara catita, não conseguiram? Pena terem perdido o chapéu dela.

Mas vamos à Feira, que este ano foi debaixo das arcadas por causa da chuva. O ano passado foi no pátio, bem mais à larga e com um efeito mais engraçado, mas a deste ano também correu muito bem. Tudo aprimorado, tudo muito rústico e catita. Como sempre, adorei.

Estão a ver a couve portuguesa em cima da mesa? Não lhe resisti. Também não resisti às azeitonas, dentro de um balde com água, limão e muitos oregãos. Nem à marmelada, nem aos bolinhos secos. Tudo a "preço amigo".



Em casa, à noite, depois de um "belo" dia de trabalho, nada como uma refeição retemperadora. Como eu e o tisoiro dizemos um para o outro: "Ai, estamos a ficar velhos. Como as couves com azeite e azeitonas sabem tão bem!" E é verdade, sabem mesmo bem. A couvinha da feira era tenrinha e tãããooo deliciosa. Os tempos de glória dos bifes com batatas fritas já lá vão...


E agora olho para o lado. Está tudo sereno. A vela na cozinha cintila e faz-me companhia. Lembra-me como é bom estar em casa e cuidar dos que aqui vivem. Vou apagá-la. Vou dormir.