quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aventuras

Lá no avô é só aventuras. Em cima, pesca-se lodo no ribeiro, mesmo quando chuvisca. Todo o tempo útil é aproveitado, e não são uns pinguinhos que o intimidam.

Aqui, à espera da lagartixa. Se ampliarem a foto, podem ver a cabeçinha da dita a espreitar pelo buraquinho do tijolo, e o pai, todo cheio de paciência, à espera com uma palha em laço pronto a caçá-la. Mas a carraçita é um espanta caças, passou à frente do sol, fez sombra, e a bicha nunca mais se aventurou cá fora. Que frustração.

À espera do rato que por ali deambulava. Foi uma tarde rica, esta. Vimos um ratinho pequenino, depois outro maior. Na teoria dele, a mãe andava a passear com o filhinho.

Talvez, mas o avô não esteve com demoras e montou logo a ratoeira. Pôs queijinho lá dentro, e enquanto não vieram os ratinhos, as formiguinhas deram conta do recado. Mas a verdade é que, no dia seguinte, estavam lá os dois ratos com a goela bem apertada. Motivo para o avô telefonar e irmos a correr ver os ratos.
E eu só gostava de saber se alguém que por aqui passa tem medo de ratos! Tenho tanta curiosidade. É que eu, tanto quanto sei com quem já falei do assunto, sou a única pessoa que conheço que não sobe cadeiras por causa de ratos. Não fossem eles motivo de algum nojo, são até umas criaturas que apetece mesmo fazer cutchicutchi na cabeçinha.


E aqui preparam-se as brasas para assar castanhas. Sim, que a carraçita, apesar da sua tenra idade, pela-se pela bela da castanha assada. Como o fogareiro se partiu, o avô improvisou e fez-se lume.

E aqui entrou-nos uma libelinha enorme pelo carro adentro. Estava toda zonza, sem saber como sair, mas nós demos uma ajudinha.

E o sol ia-se pondo. Esta foi uma bela tarde, rica em animais. Faltaram as fotos dos grilos e dos gafanhotos bebés que andavam por ali a saltar à nossa volta. Bem como dos passarinhos que bicavam o chão como se não estivéssemos ali. E de uma quase birra para ir para casa, porque o bom mesmo era ficar por lá.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Amor


O amor. Palavra falada, cantada, escrita, sentida, imaginada, idealizada, dramatizada, ironizada, declamada, filosofada, dada, recebida...

Dizem que o amor é cego. Discordo. O amor não é cego. Talvez a paixão o seja. Mas o amor não, esse, vê muito bem. Vê o que está patente aos olhos e em especial, vê aquilo que está escondido e só através do amor se revela. Porque diante dele, o verdadeiro amor, nada se pode esconder.

Fala-se tanto dele e pratica-se tão pouco, como todos vemos e sabemos. Mas apesar de o sentirmos, acima de tudo, o amor manifesta-se mais por acções do que por palavras. Porque quem ama, necessariamente, tem de agir em conformidade com esse amor. Não há outro modo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Desfrutar

No Inverno, a água deste tanque gela. É preciso atirar uma pedra grande para partir a camada de água gelada que ali se forma. É lindo. Também o é nesta altura. Um tanque de pedra cheio de água é sempre um quadro de paz.



À sua volta, o campo enche-se de rebentos. As pessoas, nesta aldeia que por pouco não vinha no mapa, cuidam tão bem da terra. Esta é uma zona de muita água. Lá ao fundo corre um ribeiro que vem da serra e que, no Inverno, vem por aí abaixo a abarrotar. Há zonas em que transborda e inunda as margens. Vem com violência, tamanha é a força. Faz barulho ao passar pelo canal que teima em impôr-lhe limites. A força da Natureza é formidável.

Somos livres para desfrutar aquilo que nos foi e continua a ser dado todos os dias e como tal, devemos viver em gratidão. Por isso não somos, de maneira nenhuma, livres para destruir essa dádiva transformada em bênção constante. Porque aquilo que deixarmos, é aquilo que os próximos, os que vêm a seguir a nós, vão receber.

domingo, 17 de outubro de 2010

E hoje amanheceu assim


Mais limpo e brilhante.
E permite-me partilhar convosco uma frase que li e me tocou muito. Mesmo. A mensagem fala por si e importa que, quem quer que a leia e queira a vida, a guarde no coração.

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
(Chico Xavier)"

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Hoje amanheceu assim

"Eh mãe, nevoeiro!" Sim, também ele achou bonito lá fora. Estava fresquinho. Só faltava ver o fuminho a sair da boca enquanto falamos. Mas ainda temos de esperar mais umas semanas até isso acontecer. E lá ao fundo, no meio do campo, já uma senhora passeava o cãozinho. Para quem mora na cidade e num apartamento, este é um sítio privilegiado. Não escolheria outro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Borralheiras, marmelos e mais nuvens

As borralheiras sempre me fascinaram. Pelo monte de erva seca que vai finalmente baixar e limpar o terreno, pelo fogo controlado, mas especialmente, pelo cheiro. Cheiro de borralheira é cheiro de Outono. Esta vê-se das minhas traseiras. Mesmo um pouco longe, consegue ouvir-se o crepitar do fogo e o cheiro chega até cá.

Esta foi do meu dia de trabalho. Não lhe resisti.

Nem aos marmelos. Não sei o que aconteceu hoje, mas parecia que estava a ser perseguida por eles. Para onde quer que me virasse, lá estavam eles.

E as nuvens, sempre tão fofinhas. Apetece ir lá acima e dar um salto para cima delas e rebolar a rir. Faço isso em cima da minha cama com a carraçita, então... deve ser bem mais divertido em cima de nuvens fofinhas. Depois agarrar num daqueles tufos redondinhos e fazer cócegas na carita dele.


Não resisto. Era capaz de ficar horas a olhar para isto. Pena os fios e os postes da electricidade. Mas enfim, o meu caminho é feito de zonas rurais, mas a civilização também passa por lá.
Gosto muito de olhar as nuvens fofinhas. E hoje em especial, lembrei-me da verdade que elas carregam e que se pode transportar para a nossa vida. Não é nada de novo, mas não deixa de ser uma verdade.
Por maiores que elas sejam, por mais altas ou baixas que estejam, mais brancas ou mais cinzentas que sejam, a verdade é que, por cima delas, está sempre o sol que não pára de brilhar. Elas tapam a sua luz, por momentos deixamos de o ver, mas a verdade é que ele está lá. É só por um tempo, até que elas passem e mostrem de novo o seu esplendor...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mais da mata dentro de casa

Como não podia deixar de ser, as aquisições na mata foram muitas. Trazemos sempre qualquer coisa no saquinho.

A ideia era também ter encontrado muitos bichos, mas só conseguimos ouvir os passarinhos. Tão bonito o canto deles e ficar atento aos diferentes tons. A carraçinha também estava com atenção. Espetava o dedito, ouvido à escuta, movimentos parados, só os olhos mexiam, como quem diz: "Escuta, escuta." E eu escutava. Mas era só um momento. É muito tempo para uma criança ficar parada...

Havia tanta humidade que pensávamos ir encontrar cogumelos, mas só lá mais para a frente, quando o Inverno pegar a sério. E ele não se esqueceu de que temos de trazer cogumelos para pôr no presépio. Sim filho, é o que se pensa logo quando se fala em presépio: cogumelos!

E íamos apanhando o que encontrávamos entre uma trinca no pão, um golito de leite e uma bolachita, que isto de andar na Mata abre o apetite.

Também havia troncos pequeninos partidos no chão, muito húmidos e cobertos de musgo. Mas ficaram lá. Para a próxima trazemos.