terça-feira, 12 de outubro de 2010

A nossa mata

Eu e a minha carraçinha passeamos muito. Com 4 aninhos, ele é uma companhia e pêras! Ontem fomos à Mata Nacional dos Sete Montes, a nossa floresta à beira da cidade. Uma floresta cheia de potencial mas, infelizmente, mal aproveitada. Nós fazemos o que podemos e aproveitamo-la o quanto podemos. Entrámos e enveredámos pela ala da esquerda. Não sei porquê, é sempre por ali que começamos. O dia estava bonito e não estava frio, mas estava muito húmido ali na mata, até parecia Inverno.














Uma tarde bem passada.

domingo, 10 de outubro de 2010

A Feira vem à cidade

Já estão a montar a Feira de Santa Iria, a nossa feira anual, que vai começar já no próximo dia 15, Sexta-feira. Um acontecimento. Especialmente quando se é pequeno e/ou se tem crianças pequenas!

Apesar de estar a chover, tivemos de ir lá abaixo ver qualquer coisinha, só para matar a curiosidade da carraçita, que já não aguentava esperar mais.

Este aqui vai ser a Lagarta. Ele andou comigo ali no ano passado - a montanha russa dos pequenitos. Detestou. Aliás, apesar do meu canitas ADORAR a Feira de Santa Iria, não é lá muito fã dos carroceis. Anda, mas quase para nos fazer o favor. Acho que ele gosta mesmo é da animação, da cor, do passeio, do algodão doce, do cachorro quente, das barracas de brinquedos, da emoção do querer experimentar tudo mas não querer ao mesmo tempo... Enfim, é um menino que até nos sai económico, eh eh.

Mas este ano, que já é um homem, pois tá claro, vai andar na Lagarta sem problemas. Mas... pensa lá com os botões dele e acrescenta: "Eu depois vejo se quero andar ou não." Ok, filhinho, sem stress.

É tudo tão colorido já.

Ao menos isto da feira está a fazê-lo esquecer do Natal. "Mãe, quando é que chega o Natal?" Pergunta todos os dias. "Mãe, eu quero que chegue o Natal." "Mãe, mostra-me no calendário quando é o Natal." "Mãe, onde é que está a caixa da Árvore de Natal?" "Mãe, ainda falta muito para chegar a Dezembro?" Socorro! Eu pensava que gostava do Natal... até conhecer o meu filho!


E apesar dos pinguinhos que caíam, ainda tivemos tempo de ir apanhar agúdias. Há-as às dezenas nas paredes e nos muros e nos vidros e por todo o lado! Hoje fez uma bela colecção, mas ele é lindo, porque acaba sempre por libertar todos os animais que apanha.


E o musgo nas árvores e o tempo cinzento fazem-me já antever o que nos espera em Dezembro: mais uma ida à Mata buscar musgo para o pequeno presépio. Um pequeno presépio onde deveriam figurar a vaquinha, o burrinho, a Maria, o José e o menino Jesus deitado em palhinhas. Quanto muito, um sininho por cima, para anunciar o nascimento do menino. Mas este presépio tem direito a cogumelos, bolotas e tudo o mais que ele conseguir trazer. Ainda bem que eu não o deixei trazer a salamandra que encontrámos lá no ano passado! Mas é tão bom... Recorda-me quando, eu própria, ia com a minha mãe arrancar o musgo nos muros húmidos da aldeia. Lembro-me tão bem do cheiro, da cor, da humidade, do frio e do alento que era estar a viver uma quadra única. E na Mata, eu e a carraçita repetimos o ritual. O cheiro é idêntico, bem como a cor, a humidade e o frio. Sabe mesmo bem.

sábado, 9 de outubro de 2010

Chuva e amarelo

Ontem foi assim, no meu trabalho. Até doeu. Cheguei a casa em mau estado. Poucos foram os bocados em que não choveu e o guarda-chuva de pouco me valeu em algumas situações, tal era o vento. Papeis molhados, pés molhados, tudo pingava.
Talvez seja por isso que, quem me ouve, me chame maluca. É que eu gosto de chuva! Repito: gosto de chuva. E frio, e vento, e trovoada, e casacos e só tenho pena que cá não neve. Gosto do Inverno, do tempo do aconchego à lareira a ver o lume crepitar. Não fico deprimida, talvez apenas um pouco nostálgica ou melancólica, mas deprimida, nunca! A chuva é revigorante. E ainda que limite os nossos passos no exterior, dentro de portas há milhentas coisas que se podem fazer e inventar.

Mais uma das minhas casinhas...

Das poucas vezes em que as nuvens carregadas não cobriram o Castelo de Ourém, ontem.


E foi assim até ao fim do dia. Cinzento e verde.

Mas hoje... amarelo! Enchemos a casa de amarelo! O sol brilhou e fomos novamente comprar flores. Foram estas que me luziram o olho.

A carraçinha quis também flores no quarto dele. Ia pôr este pequenino arranjo no meu, confesso, mas ele reservou para si este direito e eu não lhe resisti.



Desejo a todos um fim-de-semana luminoso.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Hoje

O meu dia, tal e qual ele foi. Por fora, a trabalhar; por dentro, assim:

















terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mais Outono

Já sabe bem comida quentinha, cozinhada num bom tradicional tacho de barro. Aqui, perca com batatinhas e coentros. Não estava mau, não senhor.
Também já passo a noite toda aconchegada debaixo do edredon. Que bem que sabe.
E hoje bebi chá a fumegar. Cidreira com hortelã, uma boa combinação que a minha querida amiga A. me deu a provar. Juntamente com pão feito na máquina. E manteiga a derreter por cima. Quase desmaio só de lembrar.
Que prazer é poder usufruir assim de bons momentos de verdadeira vida, sem pressa e com amor.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cinzenta

Apesar do sol que brilhou, hoje estive assim: cinzenta. Não faz mal. Todos temos dias assim.
A sogrinha costumava dizer uma coisa. Aliás, muitas coisas, mas hoje só vou referir uma. Dizia aquilo como quem profere uma verdade segura e indesmentível. Ao mesmo tempo assumia um ar dramático. Quase se poderia dizer que tinha a pose de uma dama afectada, com os olhos revirados e a mão na testa, num ooh quase desmaiado. Eu sorria, meio sem saber o que responder. Talvez. Ela dizia-o com tanta convicção que, quem era eu para a contrariar?
Pois então, a sogrinha acreditava nisto: nós só morremos quando chegar o nosso dia. Enquanto esse dia não chegar, se não morremos, é porque ainda não acabou a nossa missão nesta terra. Todos nós temos uma missão! E sublinhava sempre esta palavra.
Tenho pensado nisto.
Talvez devido ao estado da minha mãe, não sei.
Mas a verdade é que tenho pensado nisto. E chego quase a pensar nisso com a mesma convicção com que ela o proferia. A vida tem um propósito, sempre. E chego a pensar que, se temos vida, se vivemos, se somos mantidos vivos, muito em parte não é para nosso prazer, para experimentarmos e vibrarmos com as coisas, para conhecermos e existirmos. Muito em parte, temos vida e vivemos por causa dos outros, para darmos vida aos outros. Mesmo velhinhos, mesmo moribundos, mesmo neste estado em que aparentemente já para nada servimos, acredito que, se Deus não nos tira o fôlego, é por causa dos outros, dos que estão à nossa volta. Porque até com o aparentemente nada e inerte e inútil, temos muito a aprender e a crescer. É principalmente naquelas fases da vida que nos põem de joelhos (e não será essa a melhor posição para orar, nem que seja apenas uma posição do coração?) que mais crescemos.
Talvez seja essa a nossa missão. Dar aos outros lições de vida que vêm da nossa morte e só então, depois, poderemos partir em paz.