domingo, 3 de outubro de 2010

Chuva, hoje

Hoje tivemos o primeiro dia de chuva a sério. Chuva tocada a vento. Na cidade, era só ramos de árvores no chão e pelo ar. Até veio uma folhinha parar à nossa janela e ali ficou colada.


Um bom dia para ficar em casa a ver filmes... Abelha Maia, Pipi das Meias Altas e por aí fora. E acreditem: estas são as originais! Mas a minha riqueza gosta. É giro ver estes filmes porque me faz ver como tanta coisa mudou em mais de 30 anos. Os filmes eram tããão parados em comparação com o speed de hoje. Quase me admiro como não adormecíamos a vê-los. Mas a verdade é que exerciam fascínio sobre nós e eu até tinha a caderneta completa da Abelha Maia e tudo. Estas cassetes de vídeo (sim, que aqui em casa ainda não aderimos ao leitor de DVD...) foram-nos oferecidas por uma amiga que se queria livrar do que já não lhe servia e serve agora tão bem a carraçita. A par dos Gormiti, Noddy, Ruca, Vila Moleza, O Mundo de Todd, etc. etc., 30 anos depois, a nossa riqueza vê os mesmos filmes que os pais. Com a diferença de que ele pode vê-los a qualquer hora. Nós, ao invés, tínhamos de esperar paciente e ansiosamente pela hora dos bonecos no canal 1!

Mas abstraindo-me da bonecada e da chuva, esta semana deparei-me com um bairro novo no Entroncamento. Novo, porque nunca lá tinha ido parar, e fui lá por engano, mas é realmente velho, tão velho, que é um bairro fantasma.
Fez-me pensar que, na minha fraca opinião, parte dos problemas mundiais e em particular, do nosso país, para além de causados por fontes de duvidoso interesse, são consequência de pura má gestão. Este é um bairro fantasma, creio que só uma casa ou duas ainda estão habitadas, mas dá ideia de que foi muito bonito outrora. As casinhas alinhadas, telhados bonitos, chaminés trabalhadas, cantarias trabalhadas, jardim em volta. As ruas muito alinhadas, cada uma identificada com uma placa de letras azuis e desenhadas. Pode até ter sido um bairro social, mas cuidado. Agora, está tudo abandonado, estrada esburacada, ervas por todo o lado. E eu pergunto-me: não é um contra senso haver assim tanta casa abandonada, e ao mesmo tempo, tanto desalojado? Aquele bairro ali a ruir, e a construção quase desenfreada não pára e o número de pessoas a viver em condições miseráveis também não pára de aumentar. Que desperdício!


Esta casa, também abandonada, fica mesmo ao lado desse bairro. Não sei o que terá sido (acho que está na altura de investigar a história do Entroncamento) mas as casas fantasma eram da mesma traça.

Depois de uma tarde de arrepios e muitos pensamentos, sabe bem chegar a casa ao fim do dia e encontrar a paz.

E no dia seguinte enchê-la novamente de flores frescas. Não sou nenhum prodígio a fazer arranjos florais, mas gosto muito de flores. Nos meus gestos, perpetuo os da minha mãe, que trazia sempre um regaço de flores da aldeia para encher duas jarras na casa da cidade: a da cozinha e a da sala. Chegávamos no Domingo ao fim do dia, e enquanto eu fazia as minhas coisas ou ficava à mesa, ela compunha os seus arranjos. Era um ritual a que eu já estava habituada e era bom.

E eu também tenho flores na mesa da cozinha e...


... na mesa da sala.

Mas também na casa-de-banho, quando dá. É bom colorir assim os dias da vida.

sábado, 2 de outubro de 2010

Gafanhoto

Não acham que está mais magrinho? Depois de dois dias numa caixa de plástico com uns furinhos, umas folhas de couve (?) para o alimentar e muitas visitas da carraçinha, achámos que não era vida digna para um gafanhoto respeitável e decidimos libertá-lo... para o canteiro de plantas mais próximo:

Continua cá em casa, o pobre coitado. Aguentou-se um dia aqui no meio da folhagem, mas já anda a deambular pela casa, numa ânsia desmedida para encontrar uma saída, aposto.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A nossa tarde

Sempre que possível, é tão bom sentar na varanda e olhar o pedaço de campo que temos lá atrás. O sol brilha, tornando dourada a erva seca cortada rente. As sombras das árvores vão-se deitando à medida que o sol desce e de vez em quando, passa alguém de bicicleta pelo caminho de terra batida no meio do terreno. E de repente, parece que não moro no 3º andar, que não há doenças nem desavenças, não há morte nem vidas mal vividas, enfim, parece que tudo encaixa no seu devido lugar de forma perfeita. E talvez encaixe... A imperfeição faz parte da perfeição.

Sempre que possível, é bom trincar maçãs frescas com calma, sentindo o sabor e a textura da fruta e fechar os olhos, agradecendo.

E ir ao sogrinho. Quando chegámos, estava a fazer café, o café assustado, como ele tão bem explica, erguendo as sobrancelhas, como quem diz: é assim que deve ser! É tão antigo, este recipiente do café, já encardido nas bordas de tanto uso.



Enquanto o café se assusta com a água fria, a minha riqueza brinca com os carrinhos que já foram do pai. A avó guardou-os sempre muito bem guardados, resistindo a muitas mudanças, a muitas aventuras e desventuras da vida, à espero do neto que viria e iria brincar com eles com a mesma idade que o filho tinha na altura. E assim é.

Lá fora, fomos espreitar a leira já preparada para receber os grelos de nabo que havemos de comer no Natal! Assim espero. Porque todos os anos eles conhecem aquela terra, mas nunca chegam a crescer o suficiente até ao Natal. E depois é a típica corrida do sogrinho até ao mercado, porque não podem faltar os grelinhos na consoada ou no dia de Natal.

"Mamã, apanhas-me flores? É que eu gosto tanto de flores..." Toma lá, filhinho.

Deixadas as flores enfiadas no tronco de uma oliveira, hora de pesquisar com muito afinco a erva rasteira. Que curiosa eu estava. O afinco era real, eu é que não entendia porquê. É que ele, sabe-se lá como, descobriu ali uma pequena traça e apanhou-a.

E também apanhou o gafanhoto. Bem que ele se tenta disfarçar por entre a folhagem, mas não resiste aos olhos de águia da minha riqueza, que come muitas cenourinhas para fazer os olhos bonitos, e já está dentro de uma caixa de plástico com umas couvinhas para ele comer. Muito provavelmente, amanhã irá encontrá-lo com as perninhas esticadas, mas é bom "cuidar" dos animais e assim conhecê-los. Eu também era assim. Apanhava imensos bichos, metia-os em caixinhas e ficava horas a observá-los.

E depois sentar no sofá velho cá fora e ficar a observar a paisagem. O brilho do sol é tão bonito. E a temperatura estava tão boa...
Descobrir a vida nestes pequenos prazeres faz-nos ficar despertos para aprender.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Outono dentro de portas




Os dias já são mais curtos e as manhãs e tardes mais frescas. O azul do céu é mais intenso e o ar, quanto a mim, mais puro. Sabe bem inspirar com intensidade e deixar encher os pulmões do ar que renova.
Já tivemos de pôr o edredon na cama. E que bem que sabe esse aconchego durante a noite. Estava indecisa. Tendo de lavar a capa em tons de amarelo, punha a branca ou a de riscas azuis? Optei pela cor, sei lá porquê. Mas pareceu-me bem. Com a carraçita sempre em cima de mim, estava a ver que não conseguia colocá-la. É sempre assim: cada vez que quero fazer a cama de lavado, é exactamente nessas alturas que ele resolve saltar lá para cima e fazer de tudo para me impossibilitar a tarefa. Tenho de acabar a rir, pois claro. Vence-me pelo cansaço.
Mas ainda mantemos os lençóis de Verão, bordados. Adoro os meus lençóis de Verão, todos eles. Não tenho nenhum novo. Todos fazem parte de ofertas que foram enchendo a minha arca do enxoval ao longo dos anos. Como tal, todos eles têm para cima de 2o anos, e estou a ser boazinha! Mas duram, bonitos como da primeira vez.
É bom o aconchego do lar...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Festival de Estátuas Vivas - minha falha



De certeza que o Sr. António Santos não é visitante do meu blogue. Se fosse, não me perdoaria esta!
Só há pouco me lembrei que não coloquei aqui as fotos dele. Imperdoável. Perdão, Sr. Estátua Mágico.
Este era o convidado especial e o tema era livre. O senhor estava numa pose suspensa, o que muito surpreendeu tudo e todos que por lá passaram. Por trás estavam as escadas da Câmara e sentámo-nos ali a lanchar e a observar as diferentes reacções. Todos estupefactos, não compreendiam como aquilo era possível. Houve uma criança que foi passar as mãos por baixo dos pés dele, não fosse ali haver algum apoio invisível. Espelhos, quem sabe?, um dos truques mais utilizados no ilusionismo. Era giro de ver.
Não quero quebrar o encanto de quem quer que por aqui passe e veja estas fotos. Quanto a mim, só posso dizer que me deu algum jeito ver o programa "Os Segredos da Magia" para decifrar o mistério. E garanto-vos que, na minha opinião, aquela era a estátua mais descansada que por lá estava.

domingo, 26 de setembro de 2010

Lufada de ar fresco

Ontem tive uma manhã tão abençoada. A nossa riqueza brindou-nos logo pela manhã com um Festival de Estátuas Vivas Caseiro. Lindo! A seguir saímos os três e depois de entregar o meu trabalho, como o sol estava com uma luz límpida e o ar estava fresco, estava mesmo a apetecer dar uma voltinha. E não é que me revigorou? Fez com que os meus anoiteceres se transformassem em amanheceres, com novas promessas de força e boas perspectivas. Que bom é renascer.

A ideia era ir comprar flores ao mercado, mas passámos primeiro pelo Café do Rio, onde eu nunca tinha ido, nem quando este era o Texas, assim chamado por ser uma tasca cujas portas abriam como os típicos saloons. Agora é o Café do Rio, mesmo à entrada da Ponte Velha. Adorei. Estava-se bem.



Antes de ir às flores, a ideia também era ir a uma sapataria pedir uma caixa de sapatos, para a carraçita pôr o seu "hamster". Sim, isto azul é um hamster. Eu sei que não parece, mas não lhe digam nada... A verdade é que, chegado a casa, foi arranjar-lhe um escorrega, uma caminha e dar-lhe água.

Fui sozinha comprar as flores. A riqueza e o pai ficaram ao pé do rio, a andar pelo muro, a passar por entre os ramos das árvores, a ver os bichos e tudo o mais que passa a existir só porque uma criança está ali.

Tenho-me apercebido que, por onde quer que andemos nesta cidade, o castelo persegue-nos. É só olhar o horizonte, e lá ao fundo, lá está ele. É, de facto, uma constante.



Chegados a casa, hora de distribuir as flores pelas jarras. Eram tantas! E flores criadas no campo, que se prezem, têm de vir acompanhadas de bichos. Oh pra este aqui tão lindo. A minha riqueza entrou em histeria. Só não o adoptou e dormiu com ele na cama porque eu não deixei!

Esta semana tenho flores por todo o lado. Na casa-de-banho...

No parapeito da sala...

Na mesa da sala, a desafiar a gravidade...

Na mesa da cozinha... E também houve mais para pôr na entrada e no quarto. Pena serem da mesma qualidade, mas o seu aspecto delicado dá um toque suave pela casa toda.

À tarde a carraçinha dormiu a sesta, o que já não é um hábito. Que silêncio... Lanchei descansada e pude pensar em coisas que têm de ser reorganizadas. Mas deliciei-me com esta bola. O preço das bolas é um escândalo, mas a verdade é que estas são uma delícia. Acho que era capaz de comer meia dúzia seguidas! Restaurador. Uma pausa no cinzento destes últimos dias. Obrigada.

sábado, 25 de setembro de 2010

Anoitecer II

Vi tantas flores do campo nesta semana de trabalho. Lindas. Achei-as mais belas esta semana, talvez porque os meus dias sejam de anoiteceres, ultimamente. Não fotografei nenhuma, não apanhei nenhuma com medo que secasse dentro do carro devido ao calor. Mas guardei na memória estes pequenos grandes apontamentos de cor para não esquecer que o entardecer tem os seus frutos.
A seguir vem a noite. A noite pode ser cheia de medos e angústias, lágrimas e desencantos, mas o descanso vem com tudo isso, porque nunca nos é dado mais do que aquilo que conseguimos suportar. E finalmente amanhece, um novo dia a começar, pleno de aprendizagens e com elas, o crescimento. Todos os amanheceres são assim: promessas de vida plena. Com avanços, com recuos, mas sempre em direcção ao alvo.