Adoro estas coisas das tradições, da velha sabedoria popular, da comunicação da natureza, da interligação humana. O ano começou e eu estou atenta a este nosso janeiro para ver se bate certo com o velho ditado. Bom, já deu para perceber que vai ter de pedir emprestadas as geadas a um outro mês que virá. Mas enfim, apesar de sabermos que os tempos andam trocados, também é bom saber que já os nossos antepassados acautelavam estas hipóteses e sabiam que em janeiro ou noutro mês qualquer, o frio a sério teria de vir. Que venha o tempo que Deus mandar e que nos capacite para o receber. Nunca fui muito destas coisas de resoluções de ano novo, como já por aqui falei, mas a verdade é que, de há uns anos para cá, tenho estado mais atenta à passagem do tempo, à demarcação do calendário e a esta história dos recomeços. E tenho presente que, mais do que resoluções de ano novo, para cada ano, mesmo sem fazer por isso, o que me vem à mente é uma palavra chave. Há dois anos foi a palavra esperança. O ano passado foi a palavra concretização. Este ano, a palavra abrandamento. Acaba por ser interessante perceber, deste modo, as mudanças por que uma pessoa passa a nível interior e como cada fase da vida tem as suas demandas. Mais interessante ainda é perceber como isso são gritos interiores de um apelo profundo acerca daquilo que somos e como é importante ouvir e responder a esses apelos. Assumirmos quem somos é por demais importante. Viver de acordo com isso, é vida. Para nós e para quem nos rodeia. Não adianta fugir, isso só nos fará rodar em círculos, deixando-nos tontos e desorientados. Desacelerar. O meu anseio é viver uma vida calma, apenas com as agitações da alma que decorrem das nossas motivações interiores. Essa é a vida que vale a pena viver. Aquela que vem do mais profundo do nosso ser e que nos move em direcção ao alvo, como uma árvore que no seu tempo próprio virá a dar frutos doces e abundantes. Vamos jogar o jogo das palavras? Desacelerar. Coração. Família. Casa. Deus. Campo. Terra. Sol. Paz. Quietude. Sorriso. Crochet. Mãos. Trabalho. Pessoas. Cor. Mesa. Cadeira. Pano. Deus. Casa. Família. Coração. Desacelerar.
As luzes ainda cintilam na Árvore de Natal, o presépio artesanal do meu pequeno ainda reina a seus pés, mas a euforia já passou. Lentamente, depois do Dia de Reis, regressamos à rotina. E sabe tão bem... Neste ano que começou adoro ter na mala mil projectos para realizar, daqueles pequeninos, que nos fazem alcançar pequenas grandes vitórias pessoais e que nos dão uma satisfação sem igual. E adoro sentir esse friozinho na barriga, pronta que me vejo para enfrentar qualquer situação. Porque onde quer que eu vá, a minha capacidade para criar e executar irá comigo. Recomeços são sempre bons!
Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom do primeiro dia do mês e de cada primeiro dia do ano, é que nos dão a impressão de que a vida não continua, apenas recomeça.
é como um toque de recolher: os dias vão embora mais cedo, encolhidos de frio, e a vida lá fora fica mais quieta pedindo pra gente escutar as palavras de dentro.