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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Desolação
As fotos não fazem jus à realidade. Nem me preocupei com o efeito estético da coisa. Não tive energia nem ânimo. Afinal, depois de tanto empenho e investimento, ver parte da nossa produção devastada pelos javalis, produziu um impacto imediato devastador. Dou graças a Deus por ter a capacidade de me recompor rapidamente na maior parte das situações. E depois de registar a terra lavrada pelos focinhos fortes, as espigas do nosso milho ainda por acabar de criar roídas, parte do nosso milheiral deitado ao chão, as couves retiradas da terra, o feijão completamente devastado e as pegadas deixadas por alguns, hora de recolher os estragos para dar de comer aos animais. Nunca tínhamos tido a visita de tão ilustres criaturas, foi uma surpresa, bem desagradável por sinal.
Mas pronto, refeita da desolação, o momento é para apreciar o que de bom ainda resta. Ainda não sabemos como vamos gerir este acontecimento e qual o impacto dele a médio prazo, mas da minha parte agarro o positivo e saboreio os morangos que, contra todas as probabilidades, continuam em força e mais saborosos que nunca; colho os tomates cereja que não param de amadurecer, bem como as beringelas e as curgetes; delicio-me a tocar e a cheirar a nossa alfazema, apenas lamentando não termos mais quantidade; observo o poiso que está a ser construído à volta do nosso carvalho para descanso do pessoal de trabalho (nós:)) e dou graças a Deus pela luz do sol que se põe e se filtra por entre as folhas das nossas árvores.
Em tudo, tudo, há sempre algo pelo que ser grato...
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Campo
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Férias
Aaaah, férias... Chegaram ao fim. Mas que bem que me souberam.
Férias... Tempo de manhãs compridas sem pressa de acordar, almoços tranquilos a estenderem-se pela tarde fora, praias de águas azuis e transparentes, palmeiras a cobrir de sombra uma mesa cheia de refrescos de fruta natural servida por empregados esculturais, aventuras, descobertas, de tudo se fazem as férias.
De tudo isto, que foi inventado e também da realidade. As minhas férias foram feitas de despertares às 6h da manhã para entregar lenha a quem precisa já de preparar o Inverno, refeições corridas para cumprir prazos e acelerar o trabalho do moto-serra e a necessidade das colheitas na horta, muito trabalho na cozinha a preparar alimentos para congelar e a experimentar receitas com os produtos que a terra nos deu.
Mas não se julgue que trabalho é só canseira. É, mas também é prazer. E nestas férias, tive mais tempo para gozar o prazer de receber os alimentos e prová-los com vagar e paladar. Tempo para encher a casa dos aromas vindos do fogão e ficar grata por ter o congelador a abarrotar, garantindo o suprimento do Inverno que, não tarda, está aí. Tempo para estar com a cria e proporcionar-lhe todos os momentos possíveis com o Bolinha, incentivando-lhe a responsabilidade de o cuidar, alimentar, limpar os cocós e soltá-lo para juntos brincarem e libertarem energias como duas crianças iguais, garantindo boas gargalhadas a todos. Tempo também para momentos meus, tão preciosos, sentada no cafézinho simpático da aldeia, a ler, escrever, apreciar as vistas, pensar, ouvir as conversas das mesas vizinhas sobre acontecimentos na região e fazer projectos.
De outras coisas mais foram compostas as minhas férias. Mas o que deixo aqui registado foi o que mais me marcou, foi o que me fez renascer e voltar de novo à esperança e à alegria e ao prazer de viver.
Por tudo isto, e porque de certeza não haveria despertares prolongados nem resorts numa qualquer praia paradisíaca que me fizessem sentir isto, só posso dizer: vivam as férias!
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Passeio de Inverno no Verão
Foi no primeiro dia de Dezembro do ano passado que dei este passeio. Adoro caminhar, e se isso for feito no meio da natureza, tanto melhor.
Foi o que aconteceu neste dia, um dia soalheiro, frio de quase Inverno. Mas que me surpreendeu a cada passo, dado ser um caminho desconhecido para mim.
A primeira surpresa foi um enormíssimo tanque de água no meio de um terreno. Não sei ainda o porquê da existência de um tanque daquelas dimensões naquele sítio, mas ocorrem-me duas possibilidades: 1 - ou ser o tanque da antiga quinta ali existente;; 2 - ou um tanque para abastecer os helicópteros de combate aos incêndios, dado aquela ser uma zona rodeada por extensas serras.
Os campos cuidados chamaram a minha atenção. A palha protegida da humidade por lonas, os milheirais já secos, todos os cantos e recantos cheios de água que corre, uma casa de pedra que podia ser minha, as gotinhas do orvalho presas numa teia de aranha feita no meio da terra, um poço que de certeza já regou muitas hortas...
Não dava para caminhar depressa. Tudo me fazia parar para inspirar o o ar frio e sentir a serenidade do lugar. Captar as flores da paisagem foi uma delícia. E quando me deparei com um rebanho de ovelhinhas a pastar calmamente, não pude deixar de sorrir. É um cenário tão pacífico, este. E daqui segui pela parte do caminho mais urbanizada, com casas da aldeia e jardins simples, mas cuidados. Não sei porquê, mas sei ser comum a muita gente, desde pequena que sinto esta forte atracção por espreitar para o interior das casas. Não é para me intrometer. Claro que não. É talvez para perceber como cada pessoa, cada família, vive o seu interior, aquele interior fechado e que para mim é tão importante cuidar. Observo e deixo. Não me intrometo. Mas muitas vezes sorrio e fico feliz com o que vejo. Gosto de espreitar estes pequenos recantos de pessoas como eu, com histórias para partilhar e muito para ensinar.
O meu passeio terminou numa fonte antiga, já desabilitada da sua função original, mas preservada para marcar a presença na história desta terra e terminou também com uma porta fechada. Fechada pelo tempo e pela ausência, como o são tantas portas deste país.
Foi um pouco de porta fechada que fiz esta caminhada soalheira num dia frio. E só agora a registo, tantos meses depois, para perceber que a porta já se encontra entreaberta, quase pronta para receber uma nova morada e nela, uma nova família.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Tarde cheia
No campo e em plena época de colheita, todos os momentos são cheios. E tendo passado mais tempo na cozinha do que lá nos últimos tempos, hoje a tarde teve sabor de primeira vez. Apesar de os momentos para o registar tivessem sido poucos, tamanha a azáfama do regar, colher, cortar, limpar, carregar, entregar, etc. :)
Mas os poucos momentos em que me permiti usufruir do MEU tempo, foram vividos com convicção.
O tomate agora é rei. Chega aos montes, para colorir a cozinha e fazer delícias nos cozinhados.
Mas descobri que a flor da beringela é linda.
E descobri que dentro da estufa crescem as mais lindas flores. Abrir a porta e receber os odores inebriantes que adentram a alma, bem como as cores que quase cegam, é inesquecível.
Observar bichos do campo como se de um primeiro encontro se tratasse também foi marcante. Abelhas carregadas de pólen, insectos com carapaças dignas de um artista, velhas lagartixas sempre esquivas, aves saídas do rótulo de um Famous Grouse e mais outros bichos, todos, hoje, resolveram brindar-me com um "sê bem-vinda de novo ao clube".
Observar a barba do nosso milho que cresce até ao céu, semeado ao acaso e sob condições pouco dignas de uma semente que se preze, é um hino à força da natureza e um orgulho enorme.
E colher, colher muito. Feijão para secar, cebolas, alfaces, pepinos, tomates, tomate cereja. Muito tomate cereja. Muito de tudo e promessas de muito mais.
E assim se fez uma tarde, disto e muito mais, que uma tarde de trabalho no campo tem muito que se lhe diga, ah pois tem. :)
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